Crítica | El Retorno del Hombre Lobo (1981)

  • Filme seis de sete da Maratona de Horror que relatei em detalhes aqui

Jacinto Molina Álvarez, mais conhecido como Paul Naschy, foi um conhecido ator, roteirista, diretor e produtor espanhol especializado em filmes de terror. Talvez sua mais reconhecida criação (para os espanhóis e para os apreciadores de filmes B do gênero, claro) seja o lobisomem polonês Conde Waldemar Daninsky.

E a história de Daninsky confunde-se com a própria história de Naschy, de certa forma sendo responsável pelo efetivo começo da carreira do cineasta. A questão é que Naschy, então usando seu nome espanhol de origem, escreveu o roteiro de La Marca del Hombre Lobo, produção 3D hispano-alemã de 1968, que introduziu o Conde Daninsky à Sétima Arte, contando com ele passou a sofrer de licantropia, convertendo-se no “homem lobo” do título em noites de lua cheia. A ideia era trazer o mítico Lon Chaney Jr. para o papel, mas ele, a essa altura, já não estava bem de saúde. Assim, o próprio Álvarez encarou a tarefa, o que imediatamente fez com que os investidores alemães exigissem um nome mais internacional, já que a intenção – que se concretizou, aliás – era distribuir o filme para além da Espanha. O nome escolhido, então, foi Paul Naschy, com “Paul” sendo uma homenagem ao então Papa Paulo VI e “Naschy” uma variação do sobrenome do famoso atleta húngaro Imre Nagy.

Com distribuição nos EUA e com o título lá surrealmente sendo rebatizado para o completamente sem sentido Frankenstein’s Bloody Terror (e não, não há Frankenstein ou seu monstro no filme), o Conde Daninsky de Álvarez/Naschy gerou uma franquia muito bem-sucedida. E, com isso, chegamos a El Retorno del Hombre Lobo, que é nada mais, nada menos do que o nono capítulo da saga licantrópica de Daninsky (sempre vivido por Naschy) e antepenúltimo dos 11 filmes lançados com o personagem, com Licántropo: El asesino de la Luna Llena, de 1996, encerrando a carreira do personagem e de seu criador. Naschy, na verdade, considera El Retorno como sendo um remake mais suntuoso de seu La Noche de Walpurgis, de 1971.

O filme, que não só é estrelado, como também dirigido e escrito por Naschy, começa com um preâmbulo na Idade Média surpreendentemente bem trabalhado em termos de direção de arte que mostra Daninsky sendo executado, juntamente com a bruxa  Elizabeth Bathory (Julia Saly) e outros, por serem monstros a adoradores do diabo. Como todo bom lobisomem, Daninsky não pode ser morto de verdade, pelo que ele acaba enterrado com uma adaga de prata fincada em seu coração. Corta para o presente e belas, fogosas e curiosas mulheres acabam desenterrando os monstros de séculos atrás, revivendo Daninsky e Bathory, que se colocam em pólos opostos, com o primeiro sendo um verdadeiro cavalheiro que se apaixona por uma das mulheres e Bathory querendo dominar o mundo.

A atmosfera da fita é pesadamente gótica, com tons levemente sensuais que se aproveita dos corpos seminus de todos os envolvidos para lidar com uma trama sonolenta, auto-contida e restrita a dois ou três cenários em ruínas de castelos medievais filmados em locação. A ação demora a decolar, em meio a um roteiro que tenta emprestar um ar de complexidade ao que vemos, mas que, na verdade, só quebra o ritmo narrativo em pequenas vinhetas de um lado e de outro das forças em oposição. Naschy tenta fazer uso de elipses, mas ele é inábil em estabelecer corretamente a passagem do tempo, o que acaba exigindo muito da suspensão da descrença do espectador, pois ele passa a ter que acreditar – e organizar mentalmente – a linha temporal entre o tal retorno do homem lobo e seu restabelecimento como um aristocrata, com direito a um castelo novinho em folha e uma criada deformada que aparece do nada.

Por outro lado, o orçamento mais alto da produção é bem empregado com cenários luxuosos e com uma máscara de lobisomem que incrivelmente funciona bem, ainda que a transformação em si aconteça offscreen. Com bons figurinos e uma decoração de cenário condizente com o clima que Naschy tenta criar, Ele Retorno del Hombre Lobo oferece um pouco mais do que o espectador talvez espere de uma obra assim.

Ganhando primeiramente o título de Night of the Werewolf nos EUA e, depois, o mais elegante The Craving, El Retorno del Hombre Lobo é mais do que a soma de suas partes. Ele permanece muito claramente como um filme B do gênero, mas divertirá o espectador que conseguir ultrapassar a desaceleração que a trama sofre em seu meio.

El Retorno del Hombre Lobo (Espanha – 1981)
Direção: Paul Naschy (Jacinto Molina Alvarez)
Roteiro: Paul Naschy (Jacinto Molina Alvarez)
Elenco:  Paul Naschy, Julia Saly, Silvia Aguilar, Azucena Hernández, Beatriz Elorrieta, Rafael Hernández, Pepe Ruiz, Ricardo Palacios, Tito García, David Rocha, Charly Bravo, Luis Barboo
Duração: 92 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.