Crítica | “Ella Fitzgerald Sings the Rodgers & Hart Songbook” – Ella Fitzgerald

estrelas 5,0

O letrista Lorenz Hart (1895–1943) e o compositor Richard Rodgers (1902–1979) se conheceram em 1919, na Universidade de Columbia, quando trabalharam juntos em um pequeno musical amador. A parceria seguiu pelos anos seguintes e se firmou definitivamente quando a dupla produziu seu primeiro musical de sucesso na Broadway, The Garrick Gaieties, em 1925. Juntos, no período entre 1919 e 1943, Rodgers e Hart trabalharam em 28 musicais e compuseram mais de 500 canções, algumas das quais –- a mais notáveis -– Ella Fitzgerald gravou no álbum Ella Fitzgerald Sings the Rodgers & Hart Songbook (1956), lançado pela recém-fundada Verve Records. Este foi o seu segundo álbum pela gravadora; o primeiro, Ella Fitzgerald Sings the Cole Porter Songbook, saiu no mesmo ano, alguns meses antes.

Os anos 1950 foram marcados por uma renovação considerável na carreira de Ella Fitzgerald. A “Primeira Dama da Canção”, que tinha iniciado sua carreira em meados dos anos 1930, tinha, duas décadas depois, o grande desafio de manter sua estrela brilhando, tarefa na qual foi auxiliada pelo seu recém-contratado agente e produtor Norman Granz.

Granz tentou aproximar a Decca (então gravadora de Ella) dessa ideia de renovação para a carreira da artista, mas parece que não conseguiu muita coisa. Ele então resolveu assinar com a cantora um contrato junto à Verve Records (gravadora que ele fundara no início de 1956). Com um time de músicos, bandas e orquestras dos sonhos — gente do porte de Nelson Riddle, Buddy Bregman, Duke Ellington e Billy May –, Ella Fitzgerald deu início à espetacular série dos Great American Songbooks, onde gravou canções de grandes compositores e letristas americanos como os irmãos Gershwin, Duke Ellington, Irving Berlin, Cole Porter, Jerome Kern, Harold Arlen e Rodgers & Hart, presenteando o mundo com versões definitivas de um número absurdo de canções, um esforço premiado com nada menos que 14 prêmios Grammy, durante todo o período inteiro.

A dificuldade de escolher um dentre os álbuns lançados nesse período é mortal. Mas o trabalho de orquestração e regência de Buddy Bregman junto à voz cristalina de Ella em todo o álbum (e isto fica claro já na abertura, com Have You Met Miss Jones?) fez deste songbook um dos mais plurais, doces e acalentadores de toda a série -– e sim, eu sei o perigo dessa afirmação e não estou inteiramente contente com ela, porque admiro igualmente os outros lançamentos, mas nutro um carinho passional por este aqui.

Buddy Bregman apresentou aqui, muito mais do que no primeiro songbook com canções de Cole Porter, arranjos que valorizavam ao extremo a voz de Fitzgerald, um esforço musical cujo principal objetivo era dar ao álbum uma identidade ampla, fazendo dele uma mescla de grandes baladas, swings e versões para as mais variadas vertentes do jazz que, uma vez ouvidas na voz de Ella, jamais são esquecidas e jamais aceitamos completamente na voz de outra pessoa, mesmo para canções mundialmente famosas e interpretadas por um grande número de cantoras como The Lady Is a Tramp ou Bewitched, Bothered and Bewildered. E, a despeito dessas duas canções, vale dizer que Ella Fitzgerald de fato conseguiu um feito inigualável em sua versão. Na primeira, que vocês podem ouvir abaixo, há grande exploração da dicção e entonação limpíssimas da cantora, onde se pode sentir, nas frases musicais em que o andamento muda e o acompanhamento da banda amaina, a riqueza da interpretação e a mistura de melancolia e alegria (ou cumplicidade?) que ela adiciona à música, ação que dá um significado todo especial à canção e é percebido até para ouvintes menos atentos e ouvidos destreinados.

Já na segunda canção citada, Bewitched, Bothered and Bewildered, destaca-se a clareza narrativa e a delicadeza dos tons mais brandos que a cantora usava em canções românticas/sentimentais (ao menos nesta versão de estúdio), um padrão que também observamos em outros exemplos do disco como Little Girl Blue, It Never Entered My Mind ou Lover.

O fato de ser um trabalho imaginado para banda e orquestra trouxe consigo uma riqueza difícil de se ver em songbooks ou projetos do tipo, mesmo no caso de grandes artistas.

O relançamento de Ella Fitzgerald Sings the Rodgers & Hart Songbook em CD, a primeira vez em 2009 e a outra em 2012, trouxe versões remasterizadas e com excelente qualidade de som, onde é possível ouvir o excelente trabalho de orquestração e a voz da cantora em uma versão limpa de ruídos. O álbum traz 34 canções que nos propicia uma viagem pelo mundo do jazz e estilos musicais próximos com uma intensidade que jamais nos fará querer voltar. O único ponto negativo do disco é justamente esse: ele tem fim.

Ella Fitzgerald Sings the Rodgers & Hart Songbook
Artista: Ella Fitzgerald
Arranjamento: Buddy Bregman
País: Estados Unidos
Lançamento: 2º semestre de 1956
Gravadora: Verve
Estilo: Jazz

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.