Crítica | “Emotion” – Carly Rae Jepsen

estrelas 2,5

A indústria da música é um grande jogo. E a luta pra ter sua vez nos holofotes não é fácil. No cenário atual o que mais vemos são artistas de curto momento de fama, explodem com um single e ficam marcados pela maldição do “artista de uma música só”. E uma pessoa lutando pra não cair nessa maldição é a canadense Carly Rae Jepsen. Talvez você não a conheça tanto por seu nome, mas muito mais por seu single que explodiu em 2012, Call Me Maybe?. Recentemente, Carly vem causando certos burburinhos no circuito musical com seu novo disco, Emotion, o qual alguns andam dizendo ser uma grande surpresa, onde a cantora segue uma linha mais refinada de pop, ganhando imensos elogios.  Ok, feita a introdução, aqui começa o review. Vamos a realidade: tais afirmações são bastante exageradas.

Primeiro, é preciso dizer que Carly não teve uma mudança tão grande assim em sua sonoridade. Em seus antigos trabalhos era perceptível que a cantora sabia optar por linhas diferenciadas do pop, sem cair no vale comum de melodias que quase toda canção pop cai atualmente. O que ela fez em Emotion é apenas tornar isso bem mais sólido. Segundo, apesar de soar um pop mais alternativo, sonoramente interessante, está longe de ser original. Se analisar, perceba que é um resgate ao pop dos anos 90 (pegando um pouco da década de 80), gênero que também está longe da maior das qualidades. É aquele velho vocal sexy e dócil, letra estupidamente clichê e arranjo pop bastante meloso. É basicamente um retrocesso aos tempos de boybands e girlbands, só que mais elaborado. Se há algo que faz o álbum se destacar, isso é devido a obsessão pela nostalgia que muitos ouvintes vem tendo.

Mas claro que Carly é digna de parte dos elogios. Principalmente quando se diz respeito a sua opção por fazer algumas canções mais orgânicas, seguindo artistas como Haim, além de um synthpop interessante, como La Roux e Chvrches fazem tão bem. As linhas de baixo do disco, por exemplo, são extremamente bem arranjadas e roubam a cena (destaque para Boy Problems e When I Needed You). Outro ponto forte é a voz de Carly, que não busca exageros e por isso mesmo se sai tão bem, permanecendo afinada, dócil e sem precisar apelar demais pra Auto-Tune.

Carly Rae Jepsen traz uma abordagem de pop mais alternativo pra exterminar qualquer possibilidade de “maldição de uma música só”. No entanto, sua abordagem está longe de ser realmente autêntica ou digna de tantos elogios. É o mais novo 1989 da indústria pop, cheio de elogios exagerados, ainda que Taylor Swift faça uma propaganda bem mais fiel sobre o que é realmente seu trabalho. Mas claro, é um álbum de música pop e, se tratando disso, por mais que não seja o melhor exemplo do gênero, ainda está acima da média se comparado aos últimos lançamentos do estilo.

P.S.: Vale ressaltar que parte da babação de ovo pode ser explicada pelo imenso poder que seus produtores possuem (até Justin Bieber está entre eles), do naipe que conseguem trazer Tom Hanks pra ser a estrela do clipe de um dos singles.

Aumenta!: When I Needed You
Diminui!: I Really Like You
Minha canção preferida: When I Needed You

Emotion
Artista: Carly Rae Jepsen
País: Canadá
Lançamento: 24 de junho de 2015
Gravadora: 604, School Boy, Interscope
Estilo: Pop

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.