Crítica | Empire – 1ª Temporada

estrelas 2

Não se ouviu falar de outra coisa na semana de estreia e assim se seguiu até o episódio final da temporada. A nova aposta musical da Fox diante do término de Glee gira em torno dos bastidores da enorme indústria fonográfica americana, tema que, por si só, já é instigante o suficiente para garantir os incríveis picos de audiência merecidamente conquistados por Empire. “Merecidamente conquistados? Então como você explica essas 2 estrelas para a temporada estreante mais popular de todas? Seu monte de @%¢£@*$#!!”. Antes que pensamentos como esse acima possam rondar por sua cabeça, peço que, por favor, siga minha linha de raciocínio para entender o meu argumento.

Volto ao ponto em que tomei conhecimento da série. O hype estava elevadíssimo. O tema é excelente, tratava-se de uma grande produção e os elogios à trilha sonora foram tantos que não caberiam dentro deste texto. Natural que eu quisesse conferir o episódio piloto, que de supetão me surpreendeu.

A primeira surpresa veio com a linguagem. Empire revela traços de telenovela, ganchos de telenovela, transições de telenovela dentro de uma proposta de série. Não que isso seja um problema, afinal, do mesmo modo que elencamos filmes excelente, peças excelentes e séries excelentes, as televisão já nos presenteou com verdadeiras obras primas da teledramaturgia. O que muda a partir da constatação que Empire é uma telenovela é apenas a maneira com que olho para ela. Somente.

A segunda surpresa foi ainda mais contundente no eixo de comparação. Empire chegou para mim junto com uma série considerável de coincidências. A trama de desenvolve em torno da família de Lucious Lyon, proprietário de uma das mais influentes companhias de entretenimento e hip hop dos Estados Unidos, a Empire Entertainment. Frente a esse império, a chave da questão é: quem será o herdeiro que comandará a empresa depois que Lucious se aposentar?

Assim que terminei o episódio piloto, logo tive a sensação de que o que a série me apresentava não era tão novo assim e que já havia visto aquilo outras vezes em outros lugares. Um desses outros lugares e, talvez o mais recente deles, é a novela brasileira Império. Sim, exatamente essa novela que você leu. No momento em que essa associação apareceu, eu a achei bastante curiosa. Infelizmente, mais e mais coincidências apareceram para comprovar que uma comparação não é tão infundada assim e até faz bastante sentido visto que o formato apresentado entre as duas é semelhante.

Vamos à primeira coincidência: o título da série. Essa é óbvia e, caso não seja, é só procurar o Google Tradutor. A segunda semelhança está na figura do protagonista. Tanto o brasileiro Comendador quanto o estadunidense Lucious são empreendedores de sucesso que comandam importantes empresas. Ambos os empresários se tornaram extremamente bem sucedidos após exercerem atividades ilícitas. No caso do comendador, o tráfico de diamantes; no caso de Lucious, o tráfico de drogas. Todos os dois guardam opiniões bastante conservadoras apesar da progressiva carreira, bem como trocaram as esposas por namoradas mais novas.

No que toca as esposas, as semelhanças também estão presentes. Na novela brasileira, temos Marta, vivida por Lília Cabral, enquanto que na americana, o papel fica a cargo da excêntrica Cookie (Taraji P. Henson). Ambas foram responsáveis pela acensão social dos maridos e, escanteadas, querem, a todo custo, resgatar o prestígio e os lucros desse feito. Além disso, observamos tanto em Império, quanto em Empire, os herdeiros, de personalidades bastante diferentes disputando o trono do pai.

Há ainda outras semelhanças, que prefiro não levantar aqui, porque posso acabar escorregando e, assim, entregar um spoiler. O fato é que os formatos são parecidos e o enredo também o é. Não que uma tenha necessariamente tomado a outra como inspiração. O que quero destacar é que isso já foi visto antes, mais de uma vez e melhor. Apesar do seu incontestável sucesso, Empire não é vanguardista em quase nada. Digo quase nada, porque, em aspectos bastante pontuais, Empire se mostra extremamente bem elaborada.

A série merece ser reverenciada pelos números musicais, executados com uma impecável qualidade e uma invejável naturalidade. O mesmo reconhecimento deve ser dado à trilha sonora, que nos ambienta perfeitamente ao universo de que a produção trata.

Para além disso, arrisco dizer que Empire apenas mostra mais do mesmo. Não que a série, ou novela, seja ruim, mas há melhores, muito melhores. Retorno ao exemplo comparativo utilizado neste texto. Empire e Império são semelhantes, mas, se fizermos um balanço, diria que Império sai ganhando por mostrar atuações significativamente melhores, fazer o que efetivamente se propõe (ser uma telenovela) e por estar em um terreno mais seguro, porque, queira você ou não, as melhores telenovelas são as tupiniquins.

Empire – 1ª Temporada (EUA, 2015)
Showrunners: Lee Daniels, Danny Strong.
Direção: vários.
Roteiro: vários.
Elenco: Terrence Howard, Taraji P. Henson, Bryshere Y. Gray, Jussie Smollett, Trai Byers, Grace Gealey, Gabourey Sidibe.
Duração: 42 min/episódio.

FILIPE MONTEIRO . . . O exército vermelho no War, os indianos em Age of Empires, Lannister de Rochedo Casterly. Entrou em órbita terrestre antes que a Estrela da Morte fosse destruída, passou pela Alameda dos Anjos, pernoitou em Azkaban, ajudou a combater o crime em Gotham e andam dizendo por aí que construiu Woodburry. Em uma realidade alternativa, é graduando em Jornalismo, estuda Narrativas e Cultura Popular, gosta de cerveja e tempera coentro com comida.