Crítica | “Endless Fantasy” – Anamanaguchi

estrelas 4,5

Com o passar dos anos, muitos estilos musicais caíram absurdamente de qualidade se levar em conta o que o grande público escuta. O rock’n roll é prova disso, mas outro estilo musical que sofreu muito nos últimos anos é a música eletrônica. Atualmente, existe um enorme número de DJs sem nenhum talento que recebem o título de “grandes artistas”, ganham milhões remixando playlists, fazendo firulas e música no estilo mais básico e comercial do house, sem inovar em absolutamente nada. Tal fato é triste já que esses artistas conseguem enganar uma grande parte do público ouvinte da electronic music que não se preocupa em procurar artistas pouco conhecidos ou mais “underground”.

O grupo nova-iorquino Anamanaguchi é um desses grupos de baixa popularidade que merecia bastante reconhecimento por sua qualidade sonora. A banda tem como ponto forte a sua inovação, se inserem no subgênero da música eletrônica chamado Chiptune (ou bitpop) em que são usados consoles ou computadores antigos para sintetizar o som, no caso de Anamanaguchi o aparelho é um NES antigo. No entanto, diferente da maioria das bandas desse subgênero, o grupo inclui guitarra elétrica, baixo e bateria em cima da música sintetizada para criar uma fusão de sons tradicionais e digitais. Eles já lançaram, além de alguns EPs, o álbum de estreia chamado Dawn Metropolis, a trilha do jogo inspirado na HQ e filme Scott Pilgrim vs The World e recentemente em 2013, sua melhor obra até agora, Endless Fantasy.

Endless Fantasy não economiza em músicas, no total são mais de 20 faixas com durações razoáveis de 3 a 5 minutos. O álbum consegue superar e ir muito além do primeiro disco da banda. É impossível não viajar na melodia de cada faixa, o que torna apropriado o nome dado ao disco, possui uma musicalidade fantasiosa e bem pop, até um pouco nostálgica para os amantes de videogame, com arranjos muito bem feitos e inseridos nos lugares certos.

A influência japonesa é grande para o grupo, visto a sonoridade dos consoles oriundos deste país (usados para sintetizar o som da banda) e o nome dado a algumas canções, como Akira e Japan Air, com direito a vocal japonês e melodia ao estilo pop nipônico. Os temas de fantasia estão presentes em SPF 420, Planet, Space Wax America que embarcam em uma divertida viagem sonora quase psicodélica, levando qualquer pessoa a pensar o inevitável: como essas faixas se encaixariam extremamente bem em multimídias como games e cinema.

Muitas faixas são tocadas da maneira mais veloz e agitada possível, Meow e Canal Paradise são alguns desses exemplos, onde se destaca o talento dos instrumentistas da banda que tentam orquestrar seus instrumentos com a base eletrônica. A velocidade com que os instrumentos são tocados, sincronizados e integrados à melodia eletrônica, transmite um som “power”, animado e de peso. Entretanto, o álbum não vive só desse tipo de faixa, mas possui canções que desaceleram um pouco esse clima, como Snow Angels, além de algumas que revezam em arranjos rápidos e lentos, como In the basement, que se assemelha bastante com as trilhas de Super Mario Bros e Sonic. Prom night, o single do disco, tem uma daquelas melodias absurdamente pops feitas, principalmente, pelo mercado musical americano. A música poderia ser terrível se não fosse tão bem harmonizada. Pode-se dizer que é verdade também que ela soa melódica demais, mas ainda assim possui um comprometimento e um sabor açucarado de música pop de qualidade (diferente do que se vê no atual mercado pop), no melhor estilo Like A Prayer da Madonna.

Enfim, Endless Fantasy é mais uma prova de que existem grandes esperanças a respeito do futuro da música eletrônica. Inúmeros grupos como Anamanaguchi possuem uma sonoridade inovadora e de alto nível musical, feita por gente talentosa, um som que está muito além do “tunts, tunts, tunts” escutado com insistência por tanta gente. A escolha fica para o ouvinte: escutar a tendência alienadora ou abrir a mente para algo novo e de qualidade.

Endless Fantasy
Artista: Anamanaguchi
País: Estados Unidos
Lançamento: 14 de maio de 2013
Gravadora: dream.hax, Alcopop
Estilo: Eletrônico, Chiptune

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.