Crítica | Episodes – 4ª Temporada

estrelas 3,5

Foi muito um pouco decepcionante ver que esta 4ª Temporada de Episodes não sustentou a qualidade de seu 3º ano, o melhor de todos até este momento da série. A bem da verdade, esta temporada se assemelhou muito à , com a tentativa de definir novos caminhos para os personagens — uma parte deles, inéditos na série — e apresentar-nos, mais uma vez, o seu núcleo, os bastidores de uma série de TV.

O impasse é que agora, depois de três anos de show, é mais difícil para David Crane e Jeffrey Klarik inventar princípios narrativos, uma vez que nos habituamos a uma determinada situação na série. A iniciativa funciona, mas não sem tropeços e não sem perda de qualidade, especialmente na coesão do roteiro, que, preocupado em criar novos caminhos, foi deixando pequenas janelas desnecessárias, não fechando-as devidamente e criando, por cima delas, outras realidades.

Nessa linha, temos o relacionamento lésbico de Carol; a nova empreitada de Beverly e Sean; o inconveniente parceiro de longa data de Sean e, claro, Matt LeBlanc “assombrando” os roteiristas. Essas ações carregam boa dose de humor entre si e são guiadas, a maior parte do tempo, com bastante elegância, mas não há exatamente um fio condutor lógico e livre de falhas entre esses pontos, o que faz com que tenhamos aqui uma estranha e pouco empolgante divisão de caminhos.

Por um lado, LeBlanc se arranja com um programa próprio. Por outro, Beverly e Sean se veem vítimas da vingança estúpida de Helen Basch. Outros personagens se arranjam e se desarranjam e a temporada fica assim: não sabemos ao certo do que vai se tratar agora, em termos de linha principal de cenários e personagens, mas sabemos que os bastidores da TV serão o ponto em comum de todos esses novos caminhos.

A sorte que os showrunners possuem com Episodes é que estamos falando de um programa metalinguístico, logo, alterações e rumos malucos podem ser facilmente explicados e inseridos a cada temporada. Meu temor é que a proposta geral se enfraqueça demasiadamente. Nesse caso, seria preferível que a série fosse cancelada antes, uma vez que renovar o núcleo narrativo pode trazer uma grande possibilidade de fracasso e permanecer no núcleo original seria estagnar os personagens e chatear o espectador.

De forma curiosa, essa 4ª Temporada contou com uma maior exploração do espaço do estúdio, pelo menos em sua primeira metade. O fator cotidiano de relacionamento foi colocado em segundo plano (ótimo!), mas o “tempo de sobra” que se fez com isso foi mal aproveitado. A inclusão de novos personagens pareceu interessante à primeira vista, mas eles se sobrepuseram a modelos que já tínhamos em cena, o que os tornou praticamente inúteis ou quase nada interessantes. Possivelmente o fato de ser uma temporada quase que inteiramente centrada no trabalho — com boa exploração da vida pessoal dos protagonistas — tenha salvado  a série de um tremendo erro, já que quem aparece tem ao menos a justificativa de aparecer para trabalhar, o que é perfeitamente comum.

O trio protagonista ainda conserva uma ótima relação de trabalho juntos e o elenco de apoio está muito bem, com ótimo timing cômico, a despeito do roteiro esburacado para suas histórias ao longo dos episódios. Sentimos falta aqui de uma melhor colocação da trilha sonora e maior esforço da equipe de montagem para compor os blocos, mas fora isso, os pontos técnicos funcionam muito bem, especialmente direção, arte e fotografia. Episodes é colocada em uma encruzilhada de histórias que pode fazê-la deixar de ser uma ótima série, dada a dificuldade de cativar o espectador diante dessa mudança cheia de enigmas e reticências. Mas isto é só parte das probabilidades. Ainda bem.

Episodes – 4ª Temporada (EUA, 2015)
Direção: Iain B. MacDonald
Roteiro: David Crane, Jeffrey Klarik
Elenco: Matt LeBlanc, Tamsin Greig, Stephen Mangan, John Pankow, Kathleen Rose Perkins, Mircea Monroe, Scarlett Rose Patterson, Joseph May, Daisy Haggard, Andrea Savage
Duração: 30 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.