Crítica | A Era do Gelo 3: Despertar dos Dinossauros

estrelas 2

Mesmo com seu grande sucesso comercial, no fim de A Era do Gelo 2: O Degelo houve a dúvida de que se havia algo mais a se explorar naquele universo, uma vez que, o segundo filme mostrou-se inferior ao primeiro, repetindo algumas fórmulas do original e apresentando poucos elementos novos. Apesar disso, a sequência arrecadou ainda do que seu antecessor. Diante desse quadro, claro que a Fox produziria um terceiro filme e Carlos Saldanha mais uma vez é o responsável pelo projeto, com o enorme desafio de não deixar a franquia cair no desgaste.

A obra logo no início mostra que Manny (Ray Romano) e Ellie (Queen Latifah) estão à espera de seu primeiro filho. Carente de uma família, Sid (John Leguizamo) encontra alguns ovos de dinossauro, o que faz com que os adote. Só que o roubo faz com que se meta em apuros, com a mãe tiranossauro vindo atrás de seus filhotes. Com isso, ela leva os três filhotes e o bicho-preguiça para um mundo subterrâneo, onde os dinossauros ainda existem, o que obriga Manny, Ellie e Diego (Denis Leary) a irem em sua busca para resgatá-lo.

Ao contrário dos dois primeiros filmes, o objetivo do diretor Carlos Saldanha aqui é o puro entretenimento e vale destacar que ele é bem sucedido nessa proposta, construindo várias sequências de ação eficientes, como, por exemplo, lutas contra dinossauros, vôos sobre pterodátilos e fugas de plantas carnívoras. Além disso, devido a esse foco, o esquilo Scrat ganha ainda mais destaque, uma vez que, é um dos personagens favoritos do público, principalmente o infantil, logo, ele ganha mais espaço em tela, possuindo então dessa vez um arco romântico, onde ele fica dividido entre os dois amores da sua vida, a noz e a esquilo-fêmea Scratte.

O design de produção está à altura das sequências de ação e cria um universo ainda mais rico, colorido e imaginativo, construindo um mundo jurássico abaixo da terra perfeitamente crível, belo, mas também hostil. Essa hostilidade é ressaltada pela edição de som, que ao contrário do primeiro filme, onde colocava sons sutis de vento para criar um ambiente gélido, dessa vez insere vários grunhidos de dinossauros diegéticos, para dar a sensação de que o perigo está por perto a todo instante. Outro recurso técnico utilizado para captar o público é a fotografia, investindo em alguns planos subjetivos para que quem assista experimente a ação como se fizesse parte dela.

Mesmo com os elogios técnicos, um filme não sobrevive sem uma história que conecte essas boas sequências, porém, neste terceiro longa, o roteiro mostra-se ainda mais raso do que o segundo, apostando mais uma vez na já batida história sobre família, mensagem que já foi transmitida no início da franquia.

Logo no primeiro ato, o roteiro, escrito por Lori Forte e John Donkin, mostra como a nova família de Manny afeta seus companheiros, com Diego temendo a monótona vida familiar e com Sid sentindo falta de pertencer a uma, contudo, ao invés de explorar isso, a história utiliza a trama apenas como recurso para fazer os animais ingressarem no mundo dos dinossauros. A partir disso, qualquer desenvolvimento de personagem é descartado e o filme preocupa-se apenas em colocar obstáculos para que eles enfrentem e mesmo sendo cenas divertidas, não acrescentam peso algum à narrativa.

O mérito do roteiro fica na apresentação de Buck, o melhor personagem do filme, não apenas por ser algo novo em meio a tantos personagens já desgastados, como também por incorporar esse foco do filme em entreter. Logo, ele mostra-se extremamente ágil, engenhoso e confiante, como uma espécie de Indiana Jones, sendo dele as melhores cenas da obra.

No quesito entreter, a Era do Gelo 3: Despertar dos Dinossauros abraça completamente suas sequências de ação, que são bem construídas, mas eliminando esses momentos, o resto do filme mostra-se vazio e definitivamente desgastado em sua proposta, uma vez que, quando o único personagem interessante é Buck, introduzido neste terceiro longa, isto é uma clara demonstração de que ou a franquia cria elementos  novos ou cairá de vez na monotonia.

A Era do Gelo 3: Despertar dos Dinossauros (Ice Age: Dawn of the Dinosaurs) – EUA, 2009
Direção: Carlos Saldanha
Roteiro: Lori Forte, John Donkin
Elenco: John Leguizamo, Ray Romano, Queen Latifah, Denis Leary, Seann Willian Scott, Josh Peck, Simon Pegg, Chris Wedge, Karen Disher
Duração: 94 min.

FERNANDO CAMPOS . . . Depois que fui apresentado para a família Corleone não consegui me desapegar da cinefilia. Caso goste de "O Poderoso Chefão" já é um belo início para nos darmos bem. Estudo jornalismo, mas amo mesmo escrever críticas cinematográficas. Vejo no cinema muito mais que uma arte, mas uma forma ensinar, inspirar, e o mais importante, emocionar. Por isso escrevo, para tentar incentivar às pessoas que busquem se aprofundar nesse universo tão rico. Não tenho preconceito com nenhum gênero, só com o Michael Bay mesmo.