Crítica | Era Uma Vez em Nova York

estrelas 3,5Por anos, imigrantes buscam oportunidades em um país melhor ao redor do globo. É assim com as centenas de nordestinos que migram constantemente para grandes metrópoles como São Paulo ou como foi com os italianos na época do café. E continua sendo até os dias de hoje.

Ellis Island, em Nova York, não é apenas mais uma ilha próxima ao maior símbolo americano, a Estátua da Liberdade. O local foi por muitos anos a porta de entrada dos imigrantes que queriam uma vida melhor na grandiosa Nova York. Porém, apesar de desejarem muito, só sabiam do seu real destino ao chegar, onde eram inspecionados pela polícia e submetidos a uma avaliação médica. Muitos eram rejeitados, ora por estarem doentes ou por má conduta durante a viagem. Os que conseguiam, precisam aprender a se virar na grande selva da cidade grande. Alguns davam sorte, mais a maioria, acabava caindo na clandestinidade. Ainda mais em épocas de economia instável.

Os caminhos eram poucos, principalmente para as mulheres. Sem ter para onde fugir, sem auxílio de família e amigos, terminavam como prostitutas. E então o sonho era transformado em outra coisa. Imersas em desilusão, frustração e tristeza, davam início a incessante busca pela liberdade.

Algo retratado através de uma belíssima fotografia em Era Uma Vez em Nova York do diretor James Gray.

Inocente e acanhada, Ewa foi separada de sua irmã Magda que estava doente e tampouco não consegue permissão para fazer a travessia até Nova York. Felizmente, cai nas graças de um misterioso homem que lhe ajuda tirando-o da ilha e levando até sua casa. Lá, Ewa descobre qual é o trabalho de Bruno Weiss e logo, terá que se adequar a ele se quiser tirar sua irmã do hospital. Contudo, Ewa não está confortável com essa nova vida e dona de uma estonteante beleza, é pega no meio de um triângulo amoroso entre Bruno e seu primo Emil que poderá terminar em desastre.

Dotado de uma sutileza incrível, o longa não tem arroubos de atuação ou mesmo diálogos estupendos e nem se propõe a isso. Com uma passividade que pode incomodar em alguns momentos, Gray conduz a trama de forma a apresentar a resiliência de uma pessoa ao se sacrificar por um ente querido. E isso nos é mostrado através dos grandes e expressivos olhos de Marion Cotillard que nem sempre fez boas escolhas em sua carreira. Aqui, a atriz demonstra ter bastante controle sobre a sua atuação e mesmo mais comedida, desenvolve bem seu papel. Joaquim Phoenix tem um personagem dúbio e cheio de maneirismo e é nele que mora o grande trunfo do filme. Jeremy Renner tem uma participação pequena e significativa para a trama, portanto, sua atuação é apenas correta.

Numa mistura de O Poderoso Chefão Era Uma Vez na América, o novo projeto de James Gray que tem no currículo filmes como Os Donos da Noite e Caminho Sem Volta, retrata os anos 20 em sua forma mais obscura e conturbada.

Era Uma Vez em Nova York é uma trama cheia de nuances e emoções que não se encaixam em um típico filme do gênero, mas que tem força nessa simplicidade.

Era Uma Vez em Nova York (The Immigrant – USA 2013)
Direção: James Gray
Roteiro: James Gray, Ric Menello
Elenco: Marion Cotillard, Joaquin Phoenix, Jeremy Renner, Dagmara Dominczyk, Jicky Schnee, Elena Solovey, Maja Wampuszyc, Ilia Volok, Angela Sarafyan, Antoni Corone, Patrick Husted, Patrick Holden O’Neill, Robert Clohessy, Adam Rothenberg
Duração: 120 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.