Crítica | Doctor Who: Esporo, de Alex Scarrow

estrelas 3,5

Equipe: 8º Doutor
Espaço: Fort Casey, Deserto de Nevada (EUA)
Tempo: Indeterminado

Misturando biologia, Alien, o Oitavo Passageiro (1979) e ingredientes interessantes do horror da da ficção científica, Esporo, de Alex Carrow coloca o 8º Doutor em uma situação que ele já presenciara antes, há muitos anos, em Gallifrey. O tal esporo é um patógeno cuja principal função era “preparar” planetas para a ocupação de uma determinada espécie. Ele cai na Terra por um acidente de percurso, 50 anos antes do previsto, e causa um dano terrível em Fort Casey, Estados Unios, local onde esta aventura se passa.

O interessante é que Esporo não é uma história onde existe um vilão de verdade. Mesmo que o patógeno estivesse destruindo toda a matéria orgânica e pudesse extinguir a espécie humana e toda a forma de vida conhecida na Terra, temos ciência de que ele foi programado para agir daquela forma, tinha uma constituição de inteligência em determinado estágio de seu desenvolvimento e claramente obedecia a uma “ordem natural” de programação, cumprindo as instruções inscritas em seu código genético, por assim dizer.

Mas, se não temos completo amparo dramático para classificar o esporo como vilão (ou pelo menos como um vilão no sentido “clássico” da palavra), certamente podemos dizer que ele é tenebroso e devastador. Scarrow define com perfeição o modus operandi do patógeno e chega até enganar um pouco o leitor nas primeiras páginas. Inicialmente, achamos que a história iria para uma linha mais próxima da botânica, como no caso de As Raízes do Mal, mas o que temos aqui é algo bem diferente.

À medida que o processo de desenvolvimento do “bicho” acontece e a história ganha fôlego – especialmente após o aparecimento da Capitã Evelyn Chen –, nos engajamos na luta e sentimos nojo e temor pelo que pode acontecer. Sabemos que o Doutor é imune à “praga”, mas o resultado da contaminação é, certamente, catastrófico para a humanidade. A leitura é interessante, prende e assusta, mas falta algo.

Spore-cover, esporo

Poderíamos dizer que Alex Scarrow errou ao não criar de imediato um companion para o 8º Doutor. Ou de pegar emprestado um dos companions que esta encarnação do Time Lord teve na Big Finish. Eu não tenho ciência da amplitude do contrato para a escrita desses contos de aniversário mas, até onde sei, os autores receberam total liberdade para trazer à luz uma aventura com um Doutor (com ou sem companion), e que eles poderiam trabalhar qualquer vilão de qualquer era ou criar um novo vilão (mais uma prova de que também poderia criar companions). Colocar o Doutor sozinho deixou uma reticência que, apesar do carisma da personagem Evelyn Chen, não é de todo preenchida.

Outro ponto fraco do conto é a atuação das forças militares e sua relação com o Doutor. O início é interessante, mas depois a coisa fica jogada, voltando ao final como uma grande operação da qual vimos apensa vislumbres nos primeiros parágrafos e da qual nada se falou durante todo o texto, a não ser as explicações da Capitã Chen sobre sua atuação ao lado dos companheiros de missão, todos mortos pelo esporo.

Por fim, o desfecho do conto é desapegado, frio, insosso. A resolução acontece, há sim um bom andamento do texto e eventos, mas a partir do momento que o Doutor e a Capitã chegam à base de operações do Exército, a coisa fica estranha demais. Há a citação de uma cumplicidade, mas ela simplesmente não tem fôlego para sustentar nada. Nós temos a impressão de um 8º Doutor antipático, coisa que jamais condiz com a realidade, mesmo se levarmos em conta o caráter mais durão dessa encarnação a partir de Dark Eyes.

De todos os 7 contos de aniversário da série lançados até Esporo, este é talvez o que menos reflete a personalidade do Doutor em questão. Não se trata de uma história ruim, longe disso. Mas ela com certeza irá trazer uma certa insatisfação ao leitor no final.

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Alex Scarrow fala sobre o projeto

Esporo (Spore) — Reino Unido, 2013
Autor: Alex Scarrow
Editora original: Puffin Books
Lançamento no Brasil: 12 Doutores 12 Histórias (coletânea)
Tradução: Leonardo Alves
Editora: Rocco
40 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.