Crítica | Esquadrão Sinistro (Tie-In de Guerras Secretas – 2015)

estrelas 5,0

Obs: Leia a crítica da saga aqui e dos demais tie-ins aqui.

O que são os tie-ins: Em Guerras Secretas, saga de 2015, o Doutor Destino – agora Deus Destino – recriou o mundo ou, como agora é conhecido, Mundo Bélico, a seu bel-prazer, dividindo-o em baronatos, cada um refletindo de alguma forma um evento ou uma saga passada da Marvel Comics. Com isso, a editora, que, durante o evento, cancelou suas edições regulares, trabalhou como minisséries – algumas mais auto-contidas que as outras – que davam novo enfoque à situação anterior já conhecida dos leitores, efetivamente criando uma saga formada de mini-sagas, com resultado bastante satisfatório, muitas vezes até superior do que as nove edições que formam o coração de Guerra Secretas.

Crítica

A história editorial do Esquadrão Sinistro é para lá de interessante. O grupo de vilões foi criado por Roy Thomas e Sal Buscema em 1969, como inimigos de um universo paralelo dos Vingadores e cada membro foi inspirado em algum personagem clássico da Liga da Justiça, da editora rival. Formado originalmente por Hipérion (Superman), Doutor Espectro (Lanterna Verde), Falcão Noturno (Batman) e Tufão (Flash), o Esquadrão Sinistro, nos quadrinhos, foi criado pelo Grande Mestre para lutar contra Kang, O Conquistador. Em 1971, um retcon, também em Os Vingadores, explica que, na verdade, esse grupo vilanesco foi baseado em um grupo de super-heróis de ainda outro universo chamado Esquadrão Supremo, basicamente formado pelos mesmos personagens em suas versões benignas, além de Zarda, a Princesa do Poder que, claro, é a versão Marvel da Mulher-Maravilha.

Apesar de o grupo nunca ter tido muito destaque na história editorial da Marvel, ele foi alvo de diversas histórias interessantes e auto-contidas até mais recentemente quando uma versão de Hipérion passou até mesmo a fazer parte dos Vingadores do universo da Terra-616 (o “normal” da Marvel”) e o Falcão Noturno ter ganhado uma série solo muito recente cujo cancelamento prematuro, infelizmente, já foi anunciado. Essa origem peculiar do grupo é particularmente importante para a apreciação da minissérie tie-in de Guerras Secretas, pois Marc Guggenheim brinca com os conceitos originais logo de cara ao colocar o Esquadrão Sinistro (com a Mulher-Guerreira fazendo as vezes de Princesa do Poder) em um combate mortal contra o Esquadrão Supremo em um dos Mundo Bélicos criados por Deus-Destino.

Imaginem vocês um tabuleiro de War, pois é assim que o autor lida com a sana conquistadora da versão má original de Hipérion, que liquida seus inimigos com toda a facilidade usando seu overpower à la Superman. A narrativa lida com a expansão do reino de Utópolis, comandado pelo barão Hipérion a todas as terras à sua volta, cada uma protegida por grupos específicos que Guggenheim às vezes tira lá do fundo do baú de personagens da Marvel, como Nick Fury e o Comando Selvagem, Merc, Capitão Savage e Combat Kelly, além do mais usual Quarteto Terrível (Homem-Areia, Mago, Titânia e Ardiloso) e outros pinçados da linha New Universal e até mesmo Spitfire. Ou seja, é uma salada nostálgica repleta de surpresas com uma trama de traições múltiplas muito bem costurada por um roteiro que sabe equilibrar exposição com ação (sem economizar na violência extrema) de maneira fluida e elegante. É fácil descobrir quem é o manipulador por trás de tudo? Com certeza, mas descobrir não é o objetivo, já que a jornada até lá é que é de se tirar o chapéu.

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E o melhor é a habilidade de Guggenheim em emular os conceitos – ainda que claramente distorcidos – da versão Marvel da Liga da Justiça, com um Hipérion com sede absoluta por poder e sem qualquer limite no uso de suas habilidades e um Falcão Noturno que possivelmente colocaria o Batman para correr. Com isso, o roteirista presta homenagem ao propósito original de Thomas e Buscema ao criar o Esquadrão Sinistro há quase 50 anos.

A arte do espanhol Carlos Pacheco é dinâmica e muito bela em suas escolhas para recriar os personagens clássicos sem tirar-lhes e essência. Os que se mantém mais próximos aos respectivos originais é a dupla Hipérion e Falcão Noturno, mas mesmo eles ganham contornos próprios, além de várias homenagens visuais a histórias da DC Comics, notadamente a seminal O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, como a imagem escolhida para ilustrar a presente crítica deixa claro. A escolha de efetivamente mostrar os atos de violência cometidos pelos vilões pode chocar alguns e até destoar dos demais tie-ins da saga, mas, aqui, o enfoque faz sentido e funciona também para criticar o exagero na quantidade de poder de determinados personagens (das duas editoras, já que ambas pecam por isso por diversas vezes) e as decisões tomadas por cada um dentro do contexto onde vivem.

Esquadrão Sinistro é uma excelente surpresa e a volta do Esquadrão Supremo com viés totalitarista à Terra-616, algo que decorre elegantemente do que pode ser lido nesta minissérie, é uma bela e respeitosa continuação do tipo de vilania que Guggenheim tão bem manipula aqui. Tomara que a nova série mensal, que começa oito meses após o fim de Guerras Secretas, continue por muito tempo.

Complementando o volume em que Esquadrão Sinistro foi publicado, a Panini Comics inseriu uma história completamente sem ligação, retirada de Mundo Bélico #4 em que o Surfista Prateado luta contra Maestro (a versão futurista e má do Hulk) para recuperar sua prancha da sala de troféus do ditador esmeralda. São apenas 10 páginas que, devo confessar, não servem para muita coisa a não ser nos deixar ver a bela, mas fria arte de Daniel Valadez, já que o roteiro de Peter David é anti-climático e simplista, sem qualquer apelo maior do que servir mesmo de enxerto editorial. Só vale a leitura porque está dentro do encadernado.

Esquadrão Sinistro (Squadron Sinister, EUA – 2015/6)
Contendo: Esquadrão Sinistro (2015) #1 a #4 e Mundo Bélico #4 (segunda história) 
Roteiro: Marc Guggenheim, Peter David (história secundária)
Arte: Carlos Pacheco, Daniel Valadez (história secundária)
Arte-final: Mariano Taibo
Cores: Frank Martin, David Curiel (história secundária)
Letras: Joe Caramagna, Joe Sabino (história secundária)
Editora original: Marvel Comics
Datas originais de publicação: agosto de 2015 a janeiro de 2016
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: setembro de 2016 (encadernado – Guerras Secretas: Os Vingadores #2)
Páginas: 100

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.