Crítica | Esquadrão Suicida: Chute na Cara (Novos 52)

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estrelas 4

Quando se coloca o melhor Sniper do mundo, a namorada maluca de um palhaço do crime, um tubarão humano, um tatuado que solta fogo pelo corpo e muitos outros “amigos” tudo que se espera é: nada de bom. E é exatamente isso que Esquadrão Suicida nos entrega. Porém, não é apenas isso que vemos no quadrinho. Se pararmos para olhar além do primeiro plano da HQ, percebemos personagens muito mais intrigantes, profundos e complexos do que aquilo que nos é apresentado de primeira. Então, vamos viajar juntos por esse segundo plano maluco.

O primeiro arco do quadrinho, Chute na Cara, escrito por Adam Glass e com a arte de Federico Dallocchio (e mais três desenhistas) é dividido basicamente em 3 missões. A primeira é, resgatar um bebê que é a cura para uma doença de zumbis tecnológicos que assola uma pequena região (eu sei, uma grande loucura!). A segunda é reorganizar o presídio de Belle Reve, que está um caos após uma “rebelião” dos detentos. A última é recuperar Harley Quinn, uma das principais integrantes do grupo, que conseguiu tirar a bomba implantada na sua cabeça, teve tempo de imergir do caos da prisão, e ainda fugir das garras de Amanda Waller.

Como se pode ver, a história é frenética. Quando pensamos que o grupo vai relaxar, algo acontece e lá vão eles novamente. Adam Glass soube muito bem lidar com a palavra “suicida” que dá nome ao grupo, muitos que estão no time morrem, pois, se é “suicida” muitos do esquadrão ganham sua sentença de morte quando são alistados para o grupo.

É muito legal ver como o quadrinho é elétrico, seus protagonistas correm contra o tempo, eles estão em uma missão que não querem estar, e se não terminarem rápido suas cabeças irão explodir. Falando em explodir, a HQ tem muita ação, vemos tiros do Pistoleiro, marteladas da Alerquina e muito fogo saindo de Diablo. Tudo isso fica na linha do exagerado, mas não vemos o roteirista ultrapassá-la.

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Capa da edição #1: Chute na Cara.

A arte sim ultrapassa algumas linhas, a HQ possui mais de 3 artistas! São muitos cozinheiros para uma única cozinha, e devido a isso, o quadrinho erra muito em seus traços. Esses artistas, porém, nos entregam muito bem planos focados em um ou mais personagens. Os desenhos são nervosos e agressivos, da forma que a HQ pede.

Mas a arte peca quando está em grandes planos, principalmente os de batalhas. Recebemos nesse momento uma continuidade confusa, e que por muitas vezes corta o dinamismo do enredo. O grupo ainda erra em algumas posições, há momentos que personagens ficam irreconhecíveis, até Alerquina pode ser confundida com um homem se a passada de olho for muito rápida.

Se a arte fica devendo, o roteiro entrega algo muito bacana de se ler. Lidar com essa mistura maluca que é o Esquadrão Suicida não é uma missão difícil, temos personagens que são o que são, malucos, criminosos e agressivos. Mas Glass ultrapassa essa linha do rótulo que é colocado para os personagens e mostra algo muito mais profundo.

Pistoleiro não é apenas o melhor Sniper do mundo, ele é um pai, que busca o melhor para sua filha, mesmo não buscando o melhor para sí. Alerquina é muito mais que uma maluca, ela chega a fazer o bem em um momento do quadrinho, e nas últimas edições do arco, vemos que a Dra. Quinn só queria saber quem ela realmente era e, em um momento de fraqueza, foi capturada pela loucura do Coringa. Diablo busca a redenção por meio de sua religião e até mesmo Amanda Waller não é uma simples política que não se importa com ninguém, na HQ, Waller, assim como qualquer um dos outros personagens, tem suas fraquezas.

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Capa da edição #7: A caçada pela Arlequina – Conclusão.

Adam Glass teve a sensibilidade de entender que desenvolvendo os personagens, a história também é desenvolvida. Ele não puxa as rédeas de um para lidar com o outro, o roteirista consegue traçar um paralelo muito interessante entre o plot principal e todos os plots paralelos que são as histórias de seus protagonistas.

O roteiro soube dar um espaço para todos os principais membros do grupo. É ruim quando a história lida com uma equipe e só temos o desenvolvimento do líder dela; Glass não comete esse erro. Vemos o líder Pistoleiro ser desenvolvido, mas junto com ele vemos todos os outros protagonistas crescendo ao longo do arco.

Falta pouco para a estréia de O Esquadrão Suicida nos cinemas [esta crítica foi escrita em 21 de julho de 2016]. Antes de ler Chute na Cara, pensava que fazer uma história com as pessoas mais perigosas do universo não era algo difícil, porém, agora que estou munido com esse excelente arco, percebo que a história dos vilões vai além do que é ser um vilão. Todos nós temos mais do que aquilo que mostramos, e é isso que quero ver nas telonas em agosto: personagens que vão além da maldade, personagens que são muito mais do que rótulos.

Esquadrão Suicida: Chute na Cara — Novos 52 (Suicide Squad: Kicked in the Teeth — New 52) — EUA, 2011 – 2012
Roteiro: Adam Glass
Arte: Federico Dallocchio, Ransom Getty, Scott Hanna, Andrei Bressan
Cores: Val Staples, Allen Passalaqua, Hi-fi
Letras: Carlos Mangual
Editora original: DC Comics
Datas originais de publicação: Novembro de 2011 a Maio de 2012
Editora no Brasil: Esquadrão Suicida & Aves de Rapina Vols. 1 a 7 (Panini Comis, julho de 2012 a fevereiro de 2013)
Páginas: 150 (aprox.)

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".