Crítica | Esquadrão Suicida: Início Sangrento

estrelas 1

É natural que, depois do encerramento de um arco, o começo da próxima história seja quase que exclusivo para arrumar a bagunça deixada pelo plot anterior. Em se tratando de um dos filhos mais bagunceiros da editora DC Comics, o começo  do segundo arco do Esquadrão Suicida tinha que lidar com muitas loucuras deixadas pelo seu antecessor. Porém, Adam Glass entrega algo diferente, os conflitos deixados em aberto no primeiro arco são resolvidos logo nas primeiras páginas, deixando o caminho livre para a nova história.

Se você ficou empolgado com toda a construção feita no arco Chute na Cara, é melhor baixar as expectativas. Pode-se dizer que Início Sangrento (arco chamado originalmente de Basilisk Rising) é uma repetição de tudo que já vimos antes, mas ao invés de aprender com os erros do primeiro arco, Glass e seus cinco desenhistas pioraram tudo que o quadrinho tinha de bom.

Existem dois pilares que sustentam uma boa construção em uma HQ: o roteiro e a arte. No primeiro arco de histórias (Chute na Cara) possuíamos uma coluna de roteiro muito bem pavimentada, que sabia contar uma história sem agredir a suspensão de descrença do público e ainda conseguia desenvolver um pouco dos muitos personagens. A arte era a grande vilã do Esquadrão, um cargo lotado de nomes que faziam um trabalho muito confuso. Agora, as coisas pioraram.

Início Sangrento é composto por sete edições (#8 à 13 mais a edição número 00) e, nos seus primeiros quadros, vemos Amanda Waller fazendo seu papel, a política está checando como o seu esquadrão de dispensáveis está se comportando depois da missão de “resgate” da palhaça do crime Harley Quinn. As três primeiras edições mostram algo diferente e que parecia ter um futuro promissor, somos apresentados à verdadeira vilã do quadrinho.

Waller consegue ser a pior entre todos os ruins que são os membros da equipe, ela trata todas as pessoas que passam em seu caminho como dispensáveis, esse comportamento acabou gerando um acúmulo de ódio para com a mulher. Ela é astuta e está sempre um passo à frente de todos, não se contentando em ser apenas líder, ela tem que manipular, e incitar o ódio entre todos do seu grupo.

É óbvio que isso não iria gerar algo bom. Vemos que Amanda tem muitos inimigos, um deles é Basilisco, uma organização criminosa que está caçando Waller. Todas as outras edições vão ser focadas em encontrar esses criminosos. Esse Plot que não é ruim, mas que também não possui nada de diferente, podia ser algo bom pois Adam Glass já se mostrou bom em desenvolver caraterísticas individuais de cada personagem.

Mas, na edição de numero 11 um acidente aconteceu, o avião que estava levando todo o esquadrão para a próxima missão caiu e todos foram capturados por uma antiga tribo Maia. SIM! Você não leu errado, os vilões são capturados por uma tribo que no final trabalha para o chefão Basilisco.

Existe um termo na comunicação chamado suspensão de descrença; ele refere-se à vontade de um leitor ou espectador de aceitar como verdadeiras as premissas de um trabalho de ficção, mesmo que elas sejam fantásticas, impossíveis ou contraditórias. Para se alcançar esse objetivo, a história deve primeiro pavimentar seus argumentos. É exatamente isso que não vemos aqui. Somos literalmente jogados no meio de um novo cenário que não se mostrou nem um pouco convincente. Adam Glass não desenvolve nenhum personagem, Waller que é a protagonista do arco é porcamente desenvolvida, o grupo Basilisco que é o antagonista da história é tão esquecível que mal me lembro de como é o visual dos seus membros.

Se a arte já era ruim no primeiro arco, ela manteve seu baixo padrão no segundo. A continuidade é terrível, os planos individuais ainda não são ruins, mas os abertos são tão agressivos quanto o esquadrão. A HQ repete de novo o erro do primeiro arco, ter muitos cozinheiros para uma mesma cozinha. São mais de 4 desenhistas para um quadrinho de sete edições.

É triste ver um quadrinho que teve um primeiro arco muito bem pavimentado desmoronar em sua segunda história, é assustador ver a perda de qualidade do roteiro de Glass, e a arte que manteve-se ruim. Se um quadrinho possui dois pilares de sustentação, vemos em Esquadrão Suicida um pilar que era sólido no primeiro arco, rachar e fazer companhia para a já quebrada arte.

Esquadrão Suicida #8 a 13 + 0: Início Sangrento (Suicide Squad #8 – 13 + 0: Basilisk Rising) — EUA, 2012
Roteiro: Adam Glass
Arte: Federico Dallocchio, Fernando Dagnino, Carlos Rodriguez, Cliff Richards
Cores: Matt Yackey
Letras: Jared K. Fletcher
Editora original: DC Comics
Datas originais de publicação: 2012
Editora no Brasil: Esquadrão Suicida: Ascensão de Judas (Panini Comis, Julho de 2012 )
Páginas: 125 (aprox.)

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".