Crítica | Esquadrão Suicida: O Álbum

estrelas 4

Um dos grandes trunfos da divulgação promocional de Esquadrão Suicida foram as músicas selecionadas para seus ótimos trailers. Desde o cover dark de “I Started a Joke” do Bee Gees até os vibrantes trailers com “Bohemian Rhapsody” do Queen e “The Ballroom Blitz” do Sweet, logo crescia a suspeita de que o filme da DC apostaria em uma trilha sonora repleta de canções populares, em mais uma herança do sucesso de Guardiões da Galáxia. Mas para a grande surpresa dos fãs, Esquadrão Suicida: O Álbum aposta em um viés completamente diferente ao trazer músicas pop, rap e covers de alguns clássicos.

A primeira peça de música original que recebemos do filme foi “Heathens”, da banda de rock indie twenty one pilots, que cada vez mais ganha destaque e vai conquistando uma legião maior de fãs no Brasil. É uma bela e quase melancólica canção que frisa a estranheza e malícia daqueles a seu redor, capturando bem a identidade do Esquadrão e a interação dúbia entre eles. A bateria e a guitarra são os principais instrumentos, que como toda música da banda, ganha uma mixagem eletrônica muito bacana. Rende uma bela sequência de créditos no encerramento da projeção.

Depois, tivemos o lançamento da sensacional “Sucker for Pain”, que trazia a incomum união de Imagine Dragons com Wiz Khalifa, Lil’ Wayne, Logic, Ty Dolla $ign e X Ambassadors. É uma mistura que funciona maravilhosamente bem, com o estilo do rap fornecendo uma identidade marcante para os vilões do filme, em uma letra que fala sobre reunir um grupo e o fato de serem alienados pela sociedade. Infelizmente, acaba tocando apenas durante a segunda parte dos créditos finais.

A terceira grande peça original também aposta em parcerias incomuns, com Rick Ross se aliando a Skrillex para “Purple Lamborghini”. A letra pesada de Ross traz diversas referências a gangues e ao universo da DC Comics, enquanto a batida de Skrillex deve agradar aos fãs do compositor. É uma música que acaba bem colocada na cena em que estamos dentro do clube de strip do Coringa, além de ajudar na construção dessa persona gangsta do novo Palhaço do Crime.

Já “Standing in the Rain” da trinca Action Bronson, Mark Ronson e Dan Auerbach traz uma maravilhosa combinação de hip hop e soul para uma das músicas tema do Pistoleiro, dando mais força a seu drama familiar quando somos apresentados a ele em um flashback em Gotham. Falando em flashbacks (que são muitos, diga-se de passagem), a cantora Kehlani oferece uma música pop de batida lenta e romântica para “Gangsta”, que confere um tom interessante para a sequência em que Arlequina e Coringa pulam em um tanque de ácido.

Curiosamente, o álbum não apresenta todas as músicas da trilha sonora licenciada, que conta com AC/DC, Rolling Stones, White Stripes e uma grande variedade que demonstra o bom gosto dos realizadores. Dessa categoria, temos no CD apenas “Without Me”, famoso e energético rap de Eminem, “Slippin’ into Darkness” do grupo War e a icônica “Fortunate Son”, do Credence Clearwater Revival . Ah, temos também os covers de “You Don’t Own Me”, de autoria de Grace e G-Eazy, e “I Started a Joke”, na versão sombria de ConfidentialMX e Becky Hanson que chamou a atenção no excelente primeiro trailer do filme.

E também… Polêmicas, polêmicas… A versão do Panic! At the Disco para “Bohemian Rapsody”. Não que a música seja ruim, mas… Essa versão nem toca no filme, e é impossível alcançar o status CLÁSSICO de uma das obras máximas do Queen.

É uma pena que não tenhamos a trilha completa aqui, mas Esquadrão Suicida: O Álbum traz uma boa e diversificada seleção da coletânea do filme, que se sai bem ao apostar num viés mais moderno e voltado para o pop.

Suicide Squad: The Album

Various Artists
Gravadora:
Atlantic Records, WaterTower
Estilo: Hip Hop, Pop, Rock, Eletrônica
Ano: 2016

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.