Crítica | Esquadrão Suicida: Versão Estendida

estrelas 2

  • Leiam aqui a nossa crítica sem spoilers e bem aqui a com spoilers.

Apesar de ter se saído bem na bilheteria, Esquadrão Suicida foi duramente criticado não só pelos críticos, como pelos próprios fãs por trazer uma história rasa, com personagens subaproveitados e um ritmo inconstante repleto de tons conflitantes. Naturalmente, após o sucesso comercial que provara ser o lançamento de uma versão estendida de Batman vs. Superman, o longa da Força Tarefa X também ganha uma para si, com algumas cenas cortadas sendo incluídas ao longo da narrativa. Esta crítica abordará apenas o impacto desses trechos no restante do filme e o quão diferente é essa versão daquela original que vimos nos cinemas.

Uma das maiores reclamações sobre a obra original foi a pouca presença do Coringa de Jared Leto. O próprio ator chegou a comentar que muitas de suas sequências haviam sido deixadas de fora, o que o irritou consideravelmente visto que ele gravara muito mais do que o que fora mostrado. No entanto, surpreendentemente, se você espera ver muito mais do Coringa nesses treze minutos que a versão estendida promete, porém, pode desistir. A versão conta apenas com poucos momentos adicionais do Palhaço do Crime e algumas das que vimos nos trailers ainda não estão presentes. Felizmente, porém, elas contribuem para a relação entre o personagem e Harley Quinn (Margot Robbie), criando com maior precisão a ideia de um relacionamento abusivo e demonstrando com maior clareza a queda da doutora. Uma delas, contudo, ao ser introduzida como um flashback no meio do filme, acaba prejudicando o ritmo da obra, que já contava com inúmeros tropeços em sua narrativa.

Outros trechos adicionados, por sua vez, contribuem para nossa visão do Esquadrão como uma equipe mais unida, o que ameniza a constatação de que são uma “família” no desfecho. Há uma interação maior entre os membros do grupo, possibilitando que um vínculo seja criado entre eles. São curtos acréscimos, mas que melhoram o resultado final. Infelizmente, essas cenas estão rodeadas por outras adições completamente desnecessárias, como a sequência de alimentação de Killer Croc. Ao invés de termos algo que aborda o psicológico de algum dos personagens recebemos isso e um cameo do diretor, mostrando que, de fato, não há como salvar Esquadrão Suicida.

É notável, também, como, mesmo nesta edição do filme, o Pistoleiro (Will Smith) recebe um maior destaque. Smith ganha algumas cenas extras, algo completamente desnecessário visto que seu personagem já havia sido um dos únicos a ser efetivamente construído ao longo da obra original. Pelo menos uma delas em especial realmente contribui para a narrativa – aprofundando sua interação com Rick Flag (Joel Kinnaman) -, estabelecendo uma coesão entre um momento anterior do filme e deixando mais clara a posição do líder da força-tarefa.

O que essa versão estendida não faz e deveria ter feito é nos entregar uma montagem diferente da obra, o que ajudaria muito em relação aos seus claros problemas de ritmo. O encadeamento das sequências permanece o mesmo, com as cenas extras sendo adicionadas pontualmente, similarmente ao que vimos na trilogia O Senhor dos Anéis. Além disso, a presença constante das músicas, em uma tentativa de copiar o sucesso de Guardiões da Galáxia permanece, deixando um claro desconforto no espectador que tem a sensação de estar assistindo a inúmeros videoclipes.

No fim, os acréscimos dessa versão estendida de Esquadrão Suicida não conseguem aprimorar o filme e o melhor momento continua sendo a rolagem dos créditos finais, que nos livra dessa experiência sonífera e nos traz Heathens, do Twenty One Pilots. Com a oportunidade de ajudar na construção dos membros da equipe, o que recebemos são trechos que, em sua maioria, nada acrescentam. A Warner e a DC verdadeiramente erraram nesse filme e não há cena cortada que salvará essa narrativa problemática. Se eu precisasse escolher entre uma das versões ainda ficaria com a original dos cinemas. Pelo menos a duração é menor…

Esquadrão Suicida (Suicide Squad – EUA, 2016)
Direção: David Ayer
Roteiro: David Ayer
Elenco: Will Smith, Jared Leto, Margot Robbie, Viola Davis, Jay Hernandez, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Cara Delevingne, Joel Kinnaman, Adam Beach, Jai Courtney
Duração: 123 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.