Crítica | Esquadrão Suicida Vol. 3 (2007)

estrelas 3,5

Com um volume 2 de qualidade mais que duvidosa, o Esquadrão Suicida retorna, enfim, para as mãos de seu criador (a versão moderna do grupo, a original, da Era de Ouro foi criada por Robert Kanigher e Ross Andru), John Ostrander, responsável pelo vol. 1. A história, porém, não se estenderia, foi publicada como uma minissérie que funciona como sequência dos eventos de Xeque-Mate e Corrida da Salvação, da DC Comics. A trama, contudo, funciona perfeitamente de maneira isolada, não sendo necessário sequer que conheçamos qualquer um dos integrantes originais do grupo.

A narrativa tem início com a suposta morte de Rick Flag Jr., comandante do Esquadrão Suicida, que, aparentemente, encontrou seu fim no meio de uma explosão de uma bomba atômica. Relatos surgem, porém, que o soldado sobrevivera e Amanda Waller prontamente aciona sua equipe black ops a fim de resgatar Flag. Dito isso, o que vemos nos capítulos que seguem é a formação de um novo grupo com uma nova missão, utilizando personagens conhecidos do universo DC, além de alguns veteranos do time em questão. Com isso em mente, apesar de facilmente nos entreter, esse volume três conta com evidentes problemas em seu roteiro.

A começar pela sua estrutura, sentimos, ao terminar a leitura das oito edições, que estamos diante de uma série cancelada e não uma minissérie. Há todo o indício de uma continuidade propriamente dita e a missão principal que  traz à tona o clímax da narrativa está longe de trazer uma efetiva urgência – esta é provocada por uma cisão dentro do grupo e que dá a nítida impressão de que eles entrarão em uma nova fase e não simplesmente sumirão de uma publicação própria. A percepção que fica com o leitor é a de que tudo o que vimos foi um grande filler, à exceção do “renascimento” de Rick.

Isso não quer dizer, contudo, que não consigamos nos divertir ao ler a história. A relação entre os personagens principais é bem construída, notamos uma evolução em cada um deles ou até mesmo um aumento de rigidez em relação ao mundo. Waller é maravilhosamente bem retratada e sentimos nela uma verdadeira profundidade – de um lado temos uma mulher disposta a fazer tudo o que deve ser feito e de outro alguém que efetivamente se importa com alguns de seus agentes. Rick, porém, é o protagonista aqui e quem sofre as maiores mudanças, seu arco é bastante interessante e o fim da história representa perfeitamente uma essencial metamorfose no personagem – uma verdadeira pena não termos mais edições para acompanhar o personagem.

Bastante bem-sucedida é, também, a arte de Javier Peña, que utiliza traços mais realistas com cores menos vibrantes a fim de trazer uma maior seriedade aos quadrinhos. De fato, esse volume é bastante cru nesse quesito, a morte é retratada com uma notável banalidade, sem ser circundada por todo um drama, o que a torna ainda mais angustiante. Há uma violência gráfica constante e evidente que consegue ser dosada na medida certa, encaixando-se perfeitamente com o caráter do grupo. Esse fator cria uma tensão maior no leitor, ao sabermos que, de fato, qualquer um pode encontrar seu fim, por mais que poucos personagens relevantes cheguem a morrer antes dos números finais.

O volume 3 de Esquadrão Suicida nos traz uma história engajante, fluida, com personagens com os quais conseguimos nos relacionar. Trata-se, todavia, de uma trama que, no fim, de nada acrescenta a não ser uma boa distração. Quando a essência do protagonista passa a mudar, a narrativa se encerra e somos deixados, ao término da oitava edição, com um vazio e a indagação se realmente vale a leitura somente por diversão.


Capas do Volume 3:


 

Esquadrão Suicida Vol.3 #1 a 8 (Suicide Squad Vol.3 #1 -8) — EUA, 
Roteiro: John Ostrander
Arte: Javier Peña
Arte-final: Robin Riggs
Cores: Jason Wright
Letras: Rob Leigh
Capas: John K. Snyder III, Jason Wright
Datas originais de publicação: novembro de 2007 a junho de 2008
Páginas: 192

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.