Crítica | Eu, Você, os Outros

estrelas 3

Sendo hoje o gênero menos popular do cinema – talvez, ao lado do western –, o musical já foi um dos principais focos de Hollywood; já invadiu a Europa por um período; e constitui-se o motor de parte das produções de alguns polos cinematográficos pelo mundo. O gênero passou por modificações e adaptações para acompanhar o seu tempo, e hoje, temos um misto de tendências e abordagens dramáticas, como é o caso do divertidíssimo Eu, Você, os Outros, filme da cineasta Audrey Estrougo.

Com base em uma história de amor de um bon vivant e uma garota de origem árabe, o filme cerca o problema da imigração na França, o funcionamento da burocracia diplomática e a ação da polícia nas comunidades da periferia parisiense. Na reta final da obra, imagens de manifestações públicas integram o protesto dentro do filme contra a deportação de uma senegalesa e sua filha, cujos documentos ficaram embargados na justiça.

As canções do musical estão quase completamente ligadas à história. Talvez esse seja o único problema realmente sério do filme. Porque como uma película musical de diversão, as coisas funcionam realmente muito bem. O que não é tão bom assim é o modo e o momento como algumas músicas são executadas. Certos esquetes musicais são descartáveis, porque não acrescentam nada para a história, aparecem apenas como uma pausa divertida, pausa essa da qual que o filme não precisa, porque em momento algum é cansativo.

A despeito desse displicente e excessivo uso de certas canções, Eu, Você, Os outros é uma película que nos encanta. Com ótimos e coloridos figurinos, uma fotografia muito criativa no sentido de dar uma aura diferente a cada ambiente musical, uma exagerada e bela direção de arte, e um elenco muito simpático (exceto o caricato personagem homossexual, por ser um personagem mal construído), o filme não poderia ter classificação menor que que “um bom filme”. Não apenas pelo seu grau de entretenimento, mas pela sugestão política que nos apresenta. É possível rir e se encantar. E é possível perceber que no mundo, sozinhos, não fazemos nada, e que a força da amizade e do amor pode vencer barreiras inimagináveis.

Eu, Você, os Outros (Toi, Moi, Les Autres, França, 2010)
Direção: Audrey Estrougo
Roteiro: Audrey Estrougo
Elenco: Leïla Bekhti, Benjamin Siksou, Cécile Cassel, Marie-Sohna Conde, Chantal Lauby, Nicolas Briançon, Djanis Bouzyani, Martine Gomis, Emir Seghir, Renaud Astegiani
Duração: 90 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.