Crítica | “Every Open Eye” – CHVRCHES

estrelas 3,5

O synthpop com certeza está entre um dos estilos que possuem as melodias mais chicletes e dóceis da primeira arte. Desde que surgiu no fim dos anos 70 os sintetizadores protagonistas do também chamado technopop dominaram a cena oitentista da música, desapareceu um pouco nos anos 90, mas nunca foi extinto em um nível grunge. Muito pelo contrário, no cenário atual parece vir aparecendo cada vez mais. Uma dessas aparições foi com o grupo escocês CHVRCHES que vem ganhando elogios e moderado sucesso desde de seu debut The Bones Of What You Believe em 2013. Esse ano o trio retorna com uma atmosfera bem diferente de sua estreia, no disco Every Open Eye.

Não tem como mentir, Every Open Eye se trata claramente de um CHVRCHES assumidamente e essencialmente pop. Tal estilo estava presente também no debut, mas nele se percebia principalmente uma carga um tanto indie rock que simplesmente não existe no novo trabalho. E não, a falta disso não os compromete, já que o trio consegue entregar um pop versátil e muito eficiente no novo disco.

Every Open Eye se difere de The Bones Of What You Believe em tantas facetas que fica difícil comparar os dois discos. Mas através deles é possível fazer certas conclusões. A vocalista Lauren Mayberry, por exemplo, teve uma evolução tremenda. Da figura tímida e voz insegura de sua estreia, hoje assume totalmente a alma do grupo e uma pose de grande vocalista, muito mais segura em suas performances vocais, responsável por salvar até canções medianas como Leave a Trace. Seu timbre dócil inclusive lembra bastante o de Carly Rae Jepsen.

Misturando em suas melodias o moderno e o nostálgico, CHVRCHES pega influências desde Depeche Mode até 1989 da (chata) Taylor Swift e foge da cilada que muitos caem no synthpop: soar melodramático ou cafona demais.  Nem sempre isso funciona – como mostra Make Them Gold, nostálgica em excesso, cheia de clichês positivistas em sua letra – mas consegue dar certo na maioria das vezes. Por exemplo, veja o resultado de Playing Dead, um pop romântico com interessantes batidas que lembram Dead Air, canção composta pelo grupo para a trilha de Jogos Vorazes: Esperança Parte 1.

Every Open Eye tem espaço também pra um minúsculo flerte com o House e a Dance Music na excelente Keep You On My Side, ou mais forte em Clearest Blue, a melhor do disco, uma pancada sonora extremamente dançante. Em termos gerais, o trio não comete grandes erros no álbum, (mesmo que precise aprender a escolher música de abertura já que Never Ending Circles não consegue cumprir o papel) ainda que pudesse se acomodar menos no pop.

O trio consegue definir Every Open Eye muito bem através das rosas meio pixeladas da capa. Se trata de um pop doce que balanceia muito bem entre o moderno e o retrô em suas batidas eletrônicas. E com um ponto essencial: os três são importantes aqui, não se trata do cansativo holofote da indústria por cima de uma cantora. Afinal, o próprio grupo já declarou como poderia alcançar um sucesso maior através da imagem de Lauren. Bem, de qualquer forma existe um brilho concentrado na maneira que esta fecha o álbum na emotiva e bela Afterglow, abrindo grandes expectativas pra próximos discos do trio.

Aumenta!: Clearest Blue
Diminui!: Make Them Gold
Minha faixa preferida: Playing Dead

Every Open Eye
Artista: CHVRCHES
País: Escócia
Lançamento: 25 de setembro de 2015
Gravadora: Virgin
Estilo: Synthpop, Indie Pop

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.