Crítica | Exercícios de Memória

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estrelas 2

A sinopse de Exercícios de Memória (2016) dá conta de que entre 1954 e 1989, o Paraguai sofreu uma das ditaduras mais longas da América Latina. Agustín Goiburú, o maior adversário político do regime de Alfredo Stroessner, desapareceu em 1976, em Paraná, cidade argentina onde foi exilado. Trinta e cinco anos depois, Rogelio, Rolando e Jazmin, seus três filhos, voltam para o lugar do exílio e dão entrevistas, relembram o momento de suas vidas em que viviam com medo, mesmo que ainda não conhecessem esta palavra.

Paz Encina volta a trabalhar com o mesmo distanciamento narrativo utilizado em Hamaca Paraguaya (2006), só que aqui, parece levar muito a série o que o título do filme sugere: um exercício de memória. Nós entendemos que o princípio do filme será algo esteticamente solto, com pedaços de diversos momentos da vida das pessoas documentadas. Mas nada desse pensamento prepara o espectador para o que ele vai encontrar na película.

O resultado visual de Exercícios de Memória parece mesmo com um exercício cinematográfico capaz de trazer à tona o passado. São takes intermináveis de inúmeros objetos de uma casa, de inúmeras fotografias do departamento de polícia, acompanhados de depoimentos dados aos comissários de polícia e pequenas dramatizações feitas por crianças e adultos, mostrado (na verdade, sugerindo) parte das ações que ouvimos ao longo da obra.

Para quem está acostumado com o modelo entrevistador/jornalístico dos documentários, este é um filme desafiador, porque rompe com aquilo que se espera da coleta de informações e exibição das fontes. Até este momento, tudo bem. É muito bom romper barreiras, ter no cinema alternativas viáveis e inteligentes para demonstrar algo já convencionalizado, especialmente em documentários, um gênero tão exigente e tão necessário. Todavia, fazer com que esta quebra de padrões resulte em algo de tão pouco critério e cansativo, que até mesmo a denúncia ou retomada de memória tão densa e séria como estas se percam, não é exatamente o que se esperava de um “novo modelo” narrativo.

Na primeira parte do filme, entendemos que a memória dos entrevistados é dissecada através de elementos da terra, da natureza, da casa. Os planos de “procura por tesouros” da casa, as cenas de mergulho no rio, as brincadeiras na mata, todos esses trechos do presente e do passado são legitimamente aceitos como memórias de infâncias perdidas pela perseguição política aos pais daqueles meninos e menina. Mas o filme, infelizmente, irá se resumir apenas a isto. E não existe um critério exato para o exercício ir além.

Talvez como curta-metragem, ou séries de curtas, eles funcionassem muito melhor. Na forma como os vemos aqui, trata-se de vozes desencontradas do passado que constroem sim uma visão interessante da ditadura de Stroessner, da perseguição aos seus opositores e do impacto na vida das famílias perseguidas e mortas. Porém, a forma do filme, a edição sobreposta das falas (isso chega a atrapalhar em diversos momentos) e a linha que o roteiro segue para nos entregar isso não ajuda muito a chegar ao patamar de compressão e força política e social que tais temas merecem. Uma oportunidade perdida de uma ideia e formato documentais a princípio interessantes, mas que boicotam ou enfraquecem o seu próprio tema pela repetição e exagero com que são exibidos e organizados.

Exercícios de Memória (Ejercicios de Memoria) — Argentina, Paraguai, França, Alemanha, 2016
Direção: Paz Encina
Roteiro: Paz Encina
Duração: 70 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.