Crítica | Experimentos (2015)

estrelas 3,5

Stanley Milgram (1933 – 1984) foi um famoso e polêmico psicólogo social, criador da Teoria dos Seis Graus de Separação (aquela que diz que uma pessoa está apenas a seis graus de distância de qualquer outra pessoa no mundo) e da Experiência de Milgram Sobre a Obediência à Autoridade, que é praticamente o tema central deste filme de Michael Almereyda, embora tenhamos, no decorrer da fita, indicações de outros experimentos e detalhes da vida pessoal do psicólogo.

O grande atrativo do longa é a forma criativa de biografar e ao mesmo tempo dramatizar os experimentos de Milgram, o que acaba fazendo do filme uma obra metalinguística do jeito menos óbvio possível, com direito a quebra da quarta parede e técnicas de disposição de cenários que nos lembram muito o teatro ou filmes… experimentais.

O roteiro, também escrito por Almereyda é didático, mas não a ponto de pregar para o público. Há inclusive um enigma/piadinha interna vinda com a presença de um elefante acompanhando o ator Peter Sarsgaard (Milgram) pelos corredores da Universidade, além do deslocamento de uma narrativa ficcional para um diálogo do protagonista com o público a fim de narrar um momento de sua vida, compartilhar algum segredo ou fazer observações satíricas sobre um outro personagem.

Essa variedade de falas coloca o espectador no centro das atenções, o que é bastante positivo por um lado, mas por outro, acaba diminuindo o tempo de outros elementos do filme, como por exemplo, as entrevistas para a sondagem posterior ao experimento de obediência à autoridade ou mesmo o espaço dado ao desenvolvimento parcial dos indivíduos que aceitaram participar do experimento. Um outro ponto é que o roteiro poderia tornar igualmente palatável as críticas negativas que o famoso procedimento teve junto à comunidade científica e junto ao público. É claro que isso aparece no filme, mas de maneira menor, com algumas frases sobre ética profissional e nada mais que isso, um perda de oportunidade que poderia ter tornado os trabalhos de Milgram ainda mais instigantes. diante da contestação deles.

Embora tenha gostado muito da forma como as pesquisas do psicólogo social apareceram no longa, laços mais fortes entre sua vida pessoal e processo de registro de ideias (exceto para o Milgram’s Experiment, que tem boa atenção nesse aspecto) seriam bem vindos, especialmente porque comportamento social e relações humanas são sempre temáticas interessantíssimas e que caberiam muito bem na trajetória do ‘biografado’. De todo modo, a objetividade do texto e o ótimo trabalho de montagem de Kathryn J. Schubert tornam todos os blocos experimentais uma “prisão da ciência” que dará ao espectador algumas ideias sobre a influência das opiniões externas, sobre a famosa frase dos nazistas capturados ao final da II Guerra, “eu só estava cumprindo ordens”, e sobre a relação desses elementos para impulsionar a iniciativa de Milgram.

Aliás, a relação do principal experimento aqui retratado e a “solução final” nazista é pertinente, embora não desenvolvida a contento. Vídeos do julgamento de Adolf Eichmann e citações de pogroms aparecem como objetivo central do estudo, algo que o próprio filme faz questão de destacar como tese marcante para a história da psicologia comportamental, sendo discutido de forma acadêmica e em diversas produções artísticas. No final das contas, o texto de Experimentos nos coloca de frente para uma tela a fim de registrar a nossa reação a uma história de experiências sobre o comportamento humano: a metalinguagem de forma nada óbvia em um filme que nos garante uma intrigante, divertida e muito criativa sessão.

Experimentos (Experimenter) – Estados Unidos, 2015
Direção: Michael Almereyda
Roteiro: Michael Almereyda
Elenco: Peter Sarsgaard, Winona Ryder, Taryn Manning, Anton Yelchin, Kellan Lutz, John Leguizamo, Lori Singer, Anthony Edwards, Dennis Haysbert, Josh Hamilton, Jim Gaffigan
Duração: 90 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.