Crítica | Extremis (2016)

estrelas 4,5

Em Extremis, o documentarista Dan Krauss, responsável por The Kill Team, faz com o espectador o equivalente a um mergulho n’água, daqueles que testam os limites da capacidade respiratória. Em apenas 24 minutos, sua câmera íntima, mas nunca desrespeitosa, entre uma unidade de tratamento intensivo de hospital inominado e lida com escolhas entre a vida e a morte feita por médicos e, principalmente, familiares de doentes terminais.

Não há introdução, não há explicação. Não há tempo. Há, apenas, aquele sentimento desconfortável que vai apertando o peito de quem assiste ao curta e tornando quase insuportável esse mergulho, o que automaticamente justifica sua curta duração, além da escolha estilística de “câmera na mão”. Mais desses momentos excruciantes tirariam a eficiência dos sentimentos que Krauss quer mostrar na frente da câmera e arrancar dos espectadores, o que de certa forma faz de Extremis algo quase experimental.

Nada de uma UTI glorificada de série de televisão. Nada de decisões assim, tomadas em um piscar de olhos. Nada de galãs e gente bonita e arrumada transitando de um lado para o outro. O diretor nos coloca dentro do hospital de maneira crua, quase violenta mesmo, sem filtros, sem nem mesmo uma palavra de narração. Logo vemos uma médica que serve como uma espécie de “guia” para a câmera e sua aparência é péssima. Seu rosto é uma máscara retorcida que precisa comunicar as piores informações para pessoas que precisam processá-las enquanto vêem um ente querido definhar à sua frente. O conflito entre ciência e fé ganha natural relevo e os doentes são mostrando tanto quanto o possível, às vezes tomando decisões próprias, outras vezes sem a menor consciência do que está acontecendo.

Não existe um começo, meio e fim no trabalho de Krauss, apenas, talvez, “meio”. Os 24 minutos acabam como começam, sem uma conclusão, sem um julgamento, sem uma opinião. Já por diversas vezes me manifestei no sentido de que documentários deveriam tomar partido, deveriam expressar algum ponto-de-vista e defendê-lo. Mas esse comentário de tônica geral não se aplica aqui. Não poderia ser aplicado aqui. O que o diretor quer é nos dar alguns minutos de agonia, mas uma agonia humana, necessária, útil. A vida é frágil e ela é repleta de decisões, muitas delas que não dependem de nós. Ao entrarmos de supetão na UTI e nos depararmos com casos de vida ou morte, somos obrigados a pensar e a refletir, tirando nossas próprias conclusões. E essas conclusões – pelo menos sobre essa matéria – não podem ser ditadas por um terceiro de fora, no caso o documentarista. Elas precisam ser nossas, muito pessoais e Extremis serve para isso, especialmente se o espectador – por sorte – jamais teve que pensar nisso.

Fica um sentimento que falta alguma coisa? Sim, certamente. Mesmo com pouquíssimos minutos para cada doente, queremos conhecê-los melhor, entender seu passado, saber mais sobre sua família. Mas não há tempo. E não há necessidade, na verdade. Extremis é sobre trazer à tona sentimentos profundos e não sobre uma pessoa ou situação específica. Ele não conta uma história, mas sim remexe o fundo lodoso de nossa alma e de repente acaba, jogando para nós a responsabilidade de lidar com as consequências de nossas decisões e conclusões.

Extremis não é necessariamente para ser visto, mas sim para ser sentido. Mas fica o aviso: vai doer.

Extremis (Idem, EUA – 2016)
Direção: Dan Krauss
Com: Jessica Zitter
Duração: 24 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.