Crítica | Fallout Shelter

estrelas 4,5

Fallout 3, lançado em 2008, desenvolvido pela gigante Bethesda não só revolucionou a franquia, como se tornou um dos jogos mais aclamados da geração passada. Sua visão sobre o universo pós-holocausto nuclear, repleto de violência e humor negro, nos cativou por horas e horas e ainda é revisitado com o mesmo deslumbramento de sete anos atrás. Com o iminente lançamento de Fallout 4, a desenvolvedora decidiu nos agraciar com um game para segurar nossa ansiedade, ou, talvez, até aumentá-la. Eis que surge Fallout Shelter, que nos permite criar, modelar e gerenciar uma das famosas vaults que preenchem o mundo pós-apocalíptico da franquia.

Para quem nunca teve contato com a série, esses gigantescos bunkers foram construídos pela empresa Vault-Tec para que ao menos uma parcela favorecida da civilização sobreviva à fictícia Guerra Nuclear entre os EUA e a China. Os cidadãos entrariam nas vaultas para, somente gerações após, seus sobreviventes saíssem para que, então, explorassem o que restou do mundo à sua volta. Em Fallout Shelter, desenvolvido especificamente para dispositivos móveis (até agora somente para iOS, com a versão para Android já anunciada), devemos cuidar de um desses locais, criando salas para coletar energia, água e comida para que os moradores (chamados de dwellers) possam sobreviver.

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À princípio o game soa nada mais que mais um Clash of Clans, mas logo vemos que é essencialmente diferente. A começar que se trata de um jogo inteiramente offline, não havendo contato algum com outros jogadores. Segundo que não precisamos esperar horas e horas para algo ser construído, isso é feito automaticamente, a única espera – curta – se dá na captação de recursos, no treinamento de atributos dos dwellers e na exploração do “mundo de fora”, conhecido simplesmente como wasteland. Assim, é facil constatar que o game oferece tanto uma sensação de progresso a curto quanto a longo prazo. Vemos nossa vault evoluir pouco a pouco, se encher mais e mais de habitantes até se tornar uma verdadeira sociedade subterrânea.

Mas, é claro, nem tudo são flores. Alguns percalços no caminho são inevitáveis. Esses são os ocasionais ataques de bandidos do exterior – os raiders -, desastres como uma sala pegando fogo ou uma infestação de radroaches, gigantescas baratas radioativas. Por enquanto o único que oferece um verdadeiro perigo são os insetos, que ora não causam dano algum, ora dizimam uma sala inteira. O medo de uma infestação é constante, mas minimizado pelo fato de que cada morador pode ser revivido por uma certa quantia de dinheiro – no caso, bottle caps, a moeda desse universo pós-apocalíptico (não há como imprimir notas mais, não é?).

Mas como tais problemas ocorrem? De duas maneiras, o clássico random encounter, totalmente aleatório, ou através do sistema de rush. Em outras palavras, podemos acelerar a produção de uma sala a fim de captar seus recursos imediatamente, além de pontos de experiência extras para seus dwellers – tais ações contam com uma probabilidade explicitada de dar errado, pautada na sorte de cada trabalhador da sala e, é claro, na própria do jogador – 20% de chance de haver uma infestação pode se tornar uma verdadeira chacina.

Fallout Shelter, porém, não se limita à constante expansão da vault, exploração e captação de recursos. Contamos sempre com três objetivos por vez que podem ser completados sob diferentes condições, nos garantindo caps ou lancheiras – essas contém itens raros ou não e também podem ser adquiridas com “dinheiro de verdade”, ainda que isso não seja nem um pouco necessário para a progressão do jogo, somente para os viciados de plantão. Essas missões permitem que estejamos sempre ocupados e nos desafiando a fazer diferentes tarefas, algumas, inclusive, bastante arriscadas, intensificando bastante a tensão do jogador mais cauteloso.

Além disso, podemos fazer dois dwellers formarem um casal e terem um filho e a interação entre eles revela toda a ironia da Bethesda com ótimos diálogos, que vão de cantadas baratas até doses consideráveis de humor negro. Uma rápida expansão, contudo, pode significar uma verdadeira tragédia – os recursos podem não ser o suficiente, o que diminui a felicidade dos moradores e, portanto, uma produção prejudicada. Sua vault é um organismo vivo e cabe a você  garantir todas as suas necessidades. Aqui entra um dos aspectos mais gratificantes do game, o planejamento. Um quarto mal posicionado pode minimizar em muito a efetividade de sua produção, portanto pense antes de construir, mas, acima de tudo, experimente, crie novas maneiras de jogar, ouse, o jogo permite isso e tornará a experiência ainda mais divertida.

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A cereja no topo do bolo são as dezenas de colecionáveis, armas, armaduras e personagens que podemos encontrar em lancheiras ou no Wasteland, o que torna cada exploração uma verdadeira aventura, por mais que somente vejamos o personagem saindo da vault e o acompanhemos por um criativo log que se atualiza a cada minuto. Não bastassem os objetivos, tal sistema nos ocupa por mais horas e horas, nos forçando a continuar jogando sem o menor cansaço.

Fallout Shelter desbancou Candy Crush Saga na appstore não foi por acaso. Trata-se de um simples e viciante game para dispositivos móveis que traz vários dos pontos que aprendemos a amar em Fallout. É uma experiência desafiadora , recompensadora e divertida, que certamente merece o espaço no HD de qualquer iPhone ou iPad. Além disso, é a melhor maneira de esperar por Fallout 4, entrando pouco a pouco nesse universo pós-apocalíptico e repleto de ironia.

Fallout Shelter
Desenvolvedor:
Bethesda Game Studios
Lançamento: 14 de Junho de 2015
Gênero: Simulação
Disponível para: iOS, Android (em breve)

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.