Crítica | Fantasmas de Marte

estrelas 2,5

Marte, 2176. A Terra está colonizando o planeta vermelho já há algum tempo e a população de humanos no local alcança a casa dos 600 mil. Com 84% do planeta terraformado e uma sociedade matriarcal fortemente ligada a uma companhia de comércio, nada poderia dar errado a esta altura do campeonato. Bem, pelo menos até um grupo de mineiros encontrar vestígios de uma antiga civilização marciana e “fantasmas” serem libertos, por acidente.

A premissa de Fantasmas de Marte é interessante e sua dinâmica nos lembra outras obras de John Carpenter como A Bruma Assassina e O Enigma de Outro Mundo. As cenas de violência e a carnificina que vemos na primeira parte também nos traz lembranças de Um Drink no Inferno, mas a qualidade de todas essas lembranças, infelizmente, não faz parte do enredo de Fantasmas de Marte, que não é inteiramente descartável, mas é um filme com um texto falho, atuações canastronas e pouca coesão no desenvolvimento do tema central.

Talvez essas falhas tenham origem na mudança de prisma que a produção do longa teve logo no início. A obra deveria ser mais um filme com Snake Plissken, o badass de Fuga de Nova York e Fuga de Los Angeles, mas o desempenho pouco atrativo deste último filme nas bilheterias fez com que o estúdio desistisse de “Fuga de Marte” e forçou a mudança do roteiro, além de obrigar a escalação de Ice Cube no papel do prisioneiro que deveria, em outro contexto, ser de Kurt Russell. Mas as complicações não pararam por aí. O projeto ainda teve a saída de Courtney Love no papel de Melanie Ballard, que acabou sendo assumido por Natasha Henstridge. Jason Statham, que originalmente interpretaria o perigoso ‘Desolation Williams’, acabou recebendo um papel menor, porque não era conhecido na época e o estúdio queria alguém de maior peso para o papel, daí a forçosa escalação de Ice Cube.

É evidente que o grande número de mudanças descaracterizaram a história, que passou de um robusto drama de fuga com todo aquele aspecto de crítica social que os filmes de Carpenter geralmente possuem, para um caótico tour de force que, apesar de algumas ótimas cenas de luta, boas sequências de tensão e mistura aceitável de terror e sci-fi, peca na construção dos diálogos, na junção cansativa entre os tempos narrativos (o longo flashback de explicação começa bem mas sua permanência atrapalha o andamento do enredo) e principalmente na montagem, que é desnorteada e deixou passar cenas bizarras de possível “alívio cômico macabro” que nada acrescentam à história. Ainda nesse aspecto, é necessário apontar as transições que seguem o mesmo ritmo dos flashbacks: interessantes no início mas progressivamente entediantes pela falta de variação.

O fato de ser predominantemente noturno (há apenas uma cena diurna no filme, em um pequeno flashback, onde conhecemos a “abertura da Caixa de Pandora”), Fantasmas de Marte possui uma atmosfera medonha, como se os tais fantasmas já tivessem dominado tudo e quisessem assustar a qualquer possível visitante. Isso aliado às tempestades de areia e a boa fotografia com filtros vermelhos de Gary B. Kibbe mantém o público atento durante toda a sessão, apesar do chateante roteiro. Ajudam também a ótima trilha sonora composta pelo próprio John Carpenter ao lado do produtor musical Anthrax e a permanente veia de ação, que nos oferece lutas e sangue a todo instante. Mesmo sendo o pior filme de John Carpenter, Fantasmas de Marte ainda é um filme assistível, mantido na linha da mediocridade mas hora ou outra nos mostrando o grande diretor que estava por trás do projeto.

Fantasmas de Marte (Ghosts of Mars) — EUA, 2001
Direção: John Carpenter
Roteiro: Larry Sulkis, John Carpenter
Elenco: Natasha Henstridge, Ice Cube, Jason Statham, Clea DuVall, Pam Grier, Joanna Cassidy, Richard Cetrone, Rosemary Forsyth, Liam Waite, Duane Davis, Lobo Sebastian, Rodney A. Grant, Peter Jason
Duração: 98 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.