Crítica | Fatale: Book Two – The Devil’s Business

Se você não leu a crítica do primeiro volume de Fatale, leia antes de ler o do segundo. Haverá SPOILERS a seguir do que acontece no primeiro volume.

Ed Brubaker e Sean Phillips continuam seu noir sobrenatural do brilhante jeito que começaram: entremeando uma narrativa que se passa nos dias de hoje, protagonizada por Nicolas Lash, e outra no passado, protagonizada pela misteriosa Josephine ou Jo para os íntimos. Usando Lash como narrador no prólogo, interlúdio e epílogo, vemos sua vida se complicar. Ele agora não tem mais Jo, perdeu uma de suas pernas e está paranoico achando – corretamente, aliás – que alguém o vigia todo o tempo. Descobrindo uma pista de Jo em um jornal antigo com uma foto de uma festa em Hollywood nos anos 50 e depois de uma ação em que quase morre duas vezes, a história vai ao passado, justamente para Hollywood, mas em 1978.

CRIM008_cvrNesse passado, Brubaker nos apresenta a Miles, ator de quinta categoria que quer desesperadamente arrumar uma droga básica. Esbarrando em um culto satânico e depois de resgatar sua fornecedora Suzy Scream da confusão, ele acaba na mansão de uma reclusa Josephine, que se afastou do mundo completamente não só para fugir do Mestre como para não mais destruir vidas masculinas com seu poder de sedução. Mas é evidente que esse encontro não tem nada de casual e tudo acaba convergindo para que o Mestre (Hansel) descubra seu paradeiro e as portas do inferno se abram para Jo.

A ação é ininterrupta, mas inteligente e provocadora. Aprendemos mais detalhes da vida de Jo, de seus hábitos, de quem ela deixou para trás. Mas Brubaker deixa um pesado véu de mistério ainda para ser revelado aos poucos nos volumes posteriores, sem se furtar de fazer uma referência direta com Nash, em uma perfeita convergência narrativa. O que muda no segundo volume é que Jo passa a ser efetivamente a protagonista da história, tanto de corpo presente na narrativa no passado quanto em pensamento na narrativa do presente. E, depois de escancarar as portas para o sobrenatural no final do primeiro volume, Brubaker retrocede um pouco, novamente deixando esse lado da história apenas nas entrelinhas.

O final da narrativa de Jo é apoteótica, mas triste, com Jo entregando-se aos seus poderes completamente depois de um massacre em sua mansão. Já no caso de Lash, o final é mais no estilo policial, mas com um gigantesco cliffhanger que poderá ter complicadas ramificações no terceiro volume.

A arte de Phillips é um show à parte, como sempre. Ele não tenta inovar na disposição e distribuição de quadros, mantendo uma estrutura constantes de seis a oito quadros por página, distribuídos conforme a necessidade da narrativa. Seu detalhamento de traços ocorre nos pontos que são realmente importantes, de forma que não percamos o foco do que ele quer mostrar. Mas o que realmente chama atenção é como seu jogo de sombras evoca firmemente os filmes noir clássicos das décadas de 40 e 50.

Fatale é uma obra-prima do começo ao fim, algo raro de se ver em quadrinhos que não sejam graphic novels ou minisséries. Brubaker prova que tem material ainda para desenvolver a história por mais alguns volumes e as trágicas narrativas de Jo e de Lash, que certamente convergirão em algum momento, muito provavelmente acabarão em desgraça. Mas esse tipo de desgraça é muito bem-vinda.

Fatale Book One – The Devil’s Business
Roteiro: Ed Brubaker
Arte: Sean Phillips
Editora (nos EUA): Image Comics (junho a novembro de 2012, encadernado em janeiro de 2013)
Editora (no Brasil): ainda não publicado
Páginas: 138

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.