Crítica | Fear the Walking Dead – 1X06: The Good Man

fear the walking dead 1x06

estrelas 2,5

Obs: Há spoilers. Leia  a crítica de todos os episódios da série, aqui.

Os primeiros segundos desse season finale, com o plano geral de Los Angeles em completo caos, me desanimou profundamente. Quer dizer então que basicamente chegamos ao estágio do começo da primeira temporada de The Walking Dead assim, em apenas seis episódios e algumas semanas após o início do apocalipse zumbi?

Ainda que os acontecimentos posteriores tenham mostrado que ainda não estamos realmente nesse ponto, senti uma corrida muito grande para a série chegar lá, algo que contraria fundamentalmente o que Dave Erickson vinha construído até agora. Necessidade de mostrar zumbis para atrair mais público, público esse que aparentemente precisa dos monstrengos comendo gente para ficar satisfeito ou algo pensado desde o começo e, portanto, orgânico à estrutura da série?

Tenho para mim, pensando friamente, que é um pouco dos dois. Depois de Not Fade Away e Cobalt, dois episódios completamente livres de zumbis (tecnicamente, o penúltimo mostrou um morto-vivo, mas bem lá de longe), era bastante óbvio, especialmente depois de um estádio cheio deles ser mostrado no fechamento de Cobalt, que a secura não seria mantida até o final. E, como muitos previram, Daniel, em sua loucura de ex-torturador faz justamente isso como forma de resgatar sua esposa Griselda e (se der) Nick, o filho de Madison e Liza, a ex-esposa de Travis.

Não sei se sou só eu, mas esse plano está pau-a-pau com aqueles esquemas malucos e completamente sem sentido que Wyle E. Coiote põe em andamento para capturar o Papa-Léguas. Quer dizer então que soltar uma horda de 2 mil zumbis como uma “distração” é uma decisão sã? Se fosse Rick, depois de seis temporadas enlouquecendo vagarosamente nas florestas aos arredores de Atlanta, até entenderia. Mas Daniel – e com Travis e Madison concordando!!! – que apenas começou a enfrentar os desmortos e toda a sandice humana que vem à reboque? Olha, não deu para aceitar não… Pensando bem, acho que nem o Coiote faria algo assim.

De toda forma, vamos por um momento imaginar que faz todo sentido fazer o que foi feito. A incursão do pequeno grupo é um sucesso e, lá dentro, apesar do caos instalado, tudo vai às mil maravilhas. Reparem: nem Travis nem Madison esboçam reações ao verem a Dra. Exner cabisbaixa, suicida, depois de assassinar misericordiosamente todos os doentes que não poderiam ser evacuados; Nick, com a ajuda de Strand, foge no momento certo, ainda dando oportunidade ao novo personagem recuperar suas abotoaduras; Liza chega na hora exata para abrir a porta e salvar Nick e Strand, finalmente reunindo todo o grupo; os inúteis Chris e Alicia passam por aperto, mas escapam sem um arranhão; Andy chega do nada, atira em Ofelia (???) e não em seu torturador e é espancado quase até à morte por Travis, que finalmente mostra que serve para alguma coisa. E, ao final disso tudo, descobrimos que Liza foi convenientemente mordida por um dos bicharocos em momento que não vemos e, por algum milagre, sem rasgar a roupa dela. Isso porque, claro, algum personagem “importante” tinha que morrer, logicamente, de preferência pelas mãos de Travis, da maneira mais trágica e “triste” possível.

Estou sendo particularmente mau em meus comentários? Talvez. Mas é que o desapontamento que tive bem no início continuou com o plano imbeciloide de Daniel e com toda a sequência de acontecimentos depois dali, inclusive com a chegada à inexpugnável – e “tonystarkiana” – mansão de Strand e a  promessa de uma futura temporada aquática. Não que desgoste da ideia de uma fuga em uma gigantesco iate de luxo, mas pareceu-me pouco demais para encerrar uma temporada que começou excepcionalmente bem.

Mas, apesar de todos os pesares e do meu especial veneno nessa crítica, The Good Man conseguiu ser ainda marginalmente melhor que Cobalt, muito graças ao ótimo momento mãe e filho em que Nick diz que seu mundo sempre foi esse, desesperançoso e arrasado e que todos só agora chegaram ao ponto em que ele se encontra. Bonito, profundo e comparável ao “nós somos os mortos-vivos” de Rick, com a diferença e vantagem de ter sido dito em momento bem mais poderoso e adequado. A melhor, porém, foi tão marginal que não tive escolha senão manter a mesma nota final, pois não temos incrementos de 1/4 de estrela.

Ah, já ia me esquecendo, pois achei que era alucinação minha, mas revi para ter certeza: a computação gráfica desse episódio, começando e terminando com as tomadas aéreas de Los Angeles e passando pelas pilhas de corpos incinerados do lado de fora do hospital militar e pelo iate de Strand na água ficaram inaceitavelmente ruins, como se estivéssemos vendo um episódio de série de TV do meio da década de 90. Posso estar enganado, mas esse me pareceu o pior uso de CGI de Fear the Waking Dead, quiçá até de The Walking Dead como um todo.

Fear the Walking Dead começou forte e se desenvolveu bem, apesar de personagens pouco carismáticos. Infelizmente, porém, desandou nos dois episódios finais (um terço da série), ainda que, para este crítico, o saldo final tenha sido mais positivo do que a fraca primeira temporada de sua série-mãe. Agora é torcer para que as prometidas “aventuras marítimas” dos sobreviventes na 2ª temporada façam a série decolar.

Fear the Walking Dead – 1X06: The Good Man (EUA, 2015)
Criação: Robert Kirkman, Dave Erickson
Showrunner: Dave Erickson
Direção: Stefan Schwartz
Roteiro: Robert Kirkman, Dave Erickson
Elenco: Kim Dickens, Cliff Curtis, Frank Dillane, Alycia Debnam-Carey, Elizabeth Rodriguez, Mercedes Mason, Lorenzo James Henrie, Rubén Blades, Jamie McShane, Shawn Hatosy, Sandrine Holt, Colman Domingo
Duração: 51 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.