Crítica | Fear the Walking Dead – 2X05: Captive

estrelas 3

Obs: Há spoilers. Leia  a crítica de todos os episódios da série, aqui.

Um dos mais consistentes comentários de leitores que acompanham minhas críticas da série é no sentido de que a série deveria abordar mais o começo da epidemia zumbificadora, alguns até mesmo clamando por uma abordagem científica, revelando a origem do vírus letal ou algo nessa linha. Ainda que não seja partidário da tese de que precisamos saber como tudo realmente começou, concordo que Fear the Walking Dead realmente poderia mergulhar mais do que apenas metade de sua curta primeira temporada no início do apocalipse.

No entanto, a escolha de Dave Erickson em tratar esse começo de epidemia de maneira acelerada e logo colocar o elenco lidando com situações que, de uma forma ou de outra, refletem exatamente o que já está disponível – e com melhor qualidade – na série principal, cria o famoso bis in idem, ou seja, traz mais do mesmo e isso é uma infelicidade. Afinal de contas, mudar o cenário do interior dos EUA para a Costa Oeste e confinar o grupo de sobreviventes a um iate, apesar de em tese promissor, agora parece simplesmente um artifício narrativo mequetrefe, daqueles tirados da cartola sem um plano mais bem estruturado. A zona de conforto de Erickson realmente começa a mostrar cansaço aqui, o que ainda pode mudar considerando o longo caminho que há pela frente.

E o pior é que Captive nem mesmo é um episódio ruim. Ele é apenas ok, nada particularmente especial, apenas mais um capítulo que não traz nada novo ou desafiador e que não justifica de verdade a existência deste spin-off como Blood in the Streets esboçou justificar.

Começando imediatamente após a retomada do Abigail, a primeira metade do episódio tenta abordar a questão das culpas que Travis e Chris sentem e que os corroem por dentro. Chris praticamente não consegue suportar a pressão e cede diante das provocações mais infantis de Reed que, mesmo empalado não perde a oportunidade de ficar calado. Apesar de Chris não ter realmente mostrado a que veio e não ter gerado empatia, seu drama é crível considerando sua idade e tudo que passou até agora. Sua confusão, sua perda de rumo tem potencial de levar a verdadeiras desgraças no futuro se Madison e Travis não conseguirem colocar o rapaz novamente nos trilhos.

Travis, por outro lado, preso em uma cela improvisada no navio em doca seca de Connor, tem um momento de catarse por todo o trauma que vem carregando desde que foi obrigado a matar sua ex-esposa. A volta de Alex permite um diálogo interessante em seu início, mas que depois descamba para o óbvio ululante, quando Carla Ching, a autora, simplesmente passa a didaticamente abordar a culpa dos dois sofredores por todos os males do mundo. Um pouco mais de comedimento teria tornado a sequência mais poderosa.

Alicia, por sua vez, ganha sua chance de brilhar, em uma espécie de continuação do que vinha fazendo desde o episódio anterior. Ela se envolve mais profundamente com Jack e chega até a convencer que realmente quer ir embora dali com ele. O episódio todo preparava a personagem para seu grande momento, mas ele nunca vem… Quase que reduzindo a velocidade depois de alcançar a velocidade de cruzeiro, a narrativa passa, então, a focar no plano de Madison e Daniel para trocar Reed-zumbi por Travis e Alicia e é esse plano, que não depende em nada da jovem, que é efetivamente levado a cabo, tornando toda a construção ao longo de dois episódios completamente inútil.

Aliás, o plano em si foi hilário. Sim, hilário. Reed foi assassinado por Chris (ninguém nunca acreditará que ele já estava morto, como o garoto não para de repetir) e, ao tornar-se zumbi, foi amarrado e encapuzado por Daniel (que, aliás, ouve um fantasma de seu passado pela primeira vez, em um estranho momento WTF…). Reparem como Reed-zumbi sacoleja como Bernie Lomax ao som de música em Um Morto Muito Louco 2 quando é carregado até o bote e também dentro dele. E, então, magicamente, ele para de se balançar no momento crucial da troca. Bem treinado esse zumbi, não é mesmo?

Ainda que a resolução de Captive desaponte, o caminho até lá funciona com a pegada dramática e humana relacionada a pai e filho e também com a tentativa de tornar Alicia uma personagem interessante. Não é um episódio que deixará lembranças, não tenho dúvidas, mas, ao menos, de forma claudicante e errática, ele tenta dar personalidade a Fear the Walking Dead. Mas é muito pouco ainda para efetivamente tornar a série sustentável.

Fear the Walking Dead – 2X05: Captive (EUA, 08 de maio de 2016)
Criação: Robert Kirkman, Dave Erickson
Showrunner: Dave Erickson
Direção: Craig Zisk
Roteiro: Carla Ching
Elenco: Kim Dickens, Cliff Curtis, Frank Dillane, Alycia Debnam-Carey, Mercedes Mason, Lorenzo James Henrie, Rubén Blades, Jamie McShane, Shawn Hatosy, Sandrine Holt, Colman Domingo, Michelle Ang, Brendan Meyer, Dougray Scott, Arturo Del Puerto,  Daniel Zovatto, Jesse McCartney, Veronica Diaz-Carranza, Mark Kelly
Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.