Crítica | Fear the Walking Dead – 2X12: Pillar of Salt

estrelas 1

Obs: Há spoilers. Leia  a crítica de todos os episódios da série, aqui.

Não sei nem por onde começar… Pillar of Salt foi, sem dúvida, o episódio em que o showrunner Dave Erickson resolveu despejar a maior quantidade de informações por minuto, com um resultado desapontador e incoerente, com invencionices tiradas da cartola sem mais nem menos e tudo com o propósito ridiculamente exagerado de reunir o elenco todo novamente.

Para começar, se o objetivo é mesmo reunir Nick e Travis com Madison, Alicia e Strand (já no próximo episódio, será?), fico me perguntando então para que raios eles foram separados. Qual seria o propósito narrativo para os caminhos que cada um tomou, já que ninguém se desenvolveu de verdade ou fez algo realmente importante nesse tempo. Sim, Nick encontrou Luciana e Alejandro, Travis provavelmente aceitou que seu filho é um psicopata (ele aparece sozinho ao final, o que me leva a crer que Chris o abandonou para ficar com seus coleguinhas, algo que provavelmente será mostrado em um vindouro episódio-flashback) e Madison, bem… Madison jogou uma horda de zumbis no mar… Em outras palavras, a reunião do grupo, se acontecer por agora, será prematura e derrubará completamente tudo o que os fez se separarem.

Mas mesmo que aceitemos isso por um momento, vamos ao episódio em si. Repararam na estapafúrdia sequência de acontecimentos que deve forçar a reunião? Strand é esfaqueado por uma enlouquecida Ilene (ok, pontos para o único momento inesperado do capítulo) e ele, então, precisa de medicamentos e material de sutura. Elena sabe de um lugar onde pode consegui-los e o lugar é o mesmo depósito/mercado mantido pela gangue viciada em oxy que Nick conseguiu engambelar uma vez. E, descobrimos no episódio, o irmão de Hector e sobrinho de Elena, é um dos membros da gangue, em uma daquelas conveniências narrativas de se revirar os olhos.

No entanto, a coisa não para por aí. Madison, ao chegar no galpão, entreouve uma longínqua conversa em espanhol (língua que ela não domina!) e, indagando de Elena, recebe dela uma tradução meia-boca que ela automaticamente liga com Nick, com se o único americano que existisse em Tijuana fosse seu filho (pois Tijuana fica longe dos EUA e só no hotel onde ela está tem vários…), o que a faz confrontar os bandidos armados até os dentes em meio a um sessão de tortura. Querem mais? Pois tem mais! Repararam que essa sequência não tem fim? Vemos apenas um corte brusco, que nos leva de volta ao hotel com Madison ensandecida ligando o letreiro do hotel à noite que Travis avista à distância.

E o roteiro sinuoso e absurdamente aleatório continua com a fuga de Francisco e sua família da colônia sem que nunca, em nenhum momento, tivéssemos sido preparados para a ruína da fé em Alejandro. Até o último episodio, seu pequeno vilarejo estava completamente sob controle, mas, da noite para o dia, demonstrando a falta de planejamento de longo prazo de Erickson, a fé é fortemente abalada, o que leva Nick a enfrentar Alejandro e a obsessivamente insistir em sair de lá para entregar o carregamento de oxy à “gangue do mercado”.

No meio dessa bagunça, finalmente vemos o paradeiro de Ofelia, depois que ela despareceu do hotel. Ainda que os flashbacks deem estofo à sua personalidade e ao preço que ela pagou ao deixar o noivo para ficar com seus pais, assim como aconteceu com o mesmo artifício usado para Nick, a grande verdade é que não havia lugar para a personagem neste episódio. Sua história, apesar de razoavelmente interessante, está deslocada na narrativa e se perde completamente com a criação do nada de um noivo que ela nunca mencionou e sua vontade de se juntar a ele novamente no Novo México, uma vontade tão grande, mas tão grande que a fez abandonar Alicia sem dizer uma palavra sequer.

O episódio mostra apenas uma coisa: Fear the Walking Dead está sem rumo. Uma hora a série vai para um lado, outra hora vai para outro, como se as cabeças pensantes nos bastidores mudassem de ideia toda a hora e decidissem alterar o rumo da prosa. E isso vem desde o começo, com uma série que prometeu abordar o início da infecção zumbi que logo pula para um momento mais finalista, com as cidades todas destruídas, depois para o mar e intermitentemente na terra e, mais para a frente ainda, em terra firme completamente, só que com o elenco principal separado, elenco esse que se juntará em breve pelo visto. E tudo isso sem que nada – NADA – seja efetivamente desenvolvido em relação aos personagens.

Tumultuado, desordenado, aleatório e cansativo, Pillar of Salt é um daqueles episódios que faz o espectador indagar-se se realmente vale a pena continuar assistindo à série. Parece-me que a luz no fim do túnel por que torci na minha crítica anterior não virá ou, se vier, chegará tarde demais…

Fear the Walking Dead – 2X12: Pillar of Salt (EUA, 18 de setembro de 2016)
Criação: Robert Kirkman, Dave Erickson
Showrunner: Dave Erickson
Direção: Gerardo Naranjo
Roteiro: Carla Ching
Elenco: Kim Dickens, Cliff Curtis, Frank Dillane, Alycia Debnam-Carey, Mercedes Mason, Lorenzo James Henrie, Colman Domingo, Danay García, Paul Calderón, Karen Bethzabe, Andres Londono, Brenda Strong
Produtora: AMC
Disponibilização da série no Brasil (na data de publicação da presente crítica: Canal AMC
Duração: 44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.