Crítica | Fear the Walking Dead – 4X02: Another Day in the Diamond

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Ao final de minha crítica de What’s Your Story?, que marcou o começo diferenciado da 4ª temporada de Fear the Walking Dead, mencionei que “seria um erro preguiçoso simplesmente fazer um episódio-flashback para construir a ponte dos anos que se passaram, mas não duvidaria que isso acontecesse”. E eis que, sem demora, logo no capítulo seguinte, vem o tal episódio-flashback

Esperado com certeza, mas poderiam ter evitado. No entanto, para o mérito dos novos showrunners, que novamente escreveram o roteiro, desta vez sem Scott M. Gimple, essa volta ao passado não tem ainda o objetivo de explicar o que aconteceu entre o cliffhanger da temporada anterior e a situação controlada no estádio de beisebol onde Madison e seu clã agora vivem. Ainda que vejamos relances desse passado mais remoto especialmente no que diz respeito a algum trauma de Nick, que, aparentemente, transformou-o em alguém com profundo receio de deixar a segurança de um lugar fortificado, o exato oposto do que ele era, o foco está na aparente tranquilidade e união que todos usufruem por ali, plantando nabos, refestelando-se com boas refeições e construindo alojamentos.

Essa estrutura de santuário paradisíaco que será alvo de uma gangue infernal no estilo Mad Max é, francamente, o clichê dos clichês e os segundos iniciais com todo mundo limpo e feliz já me fez revirar os olhos e soltar um “e lá vamos nós outra vez”. Mesmo parecendo que o estádio não terá muito tempo de “vida”, o mero fato de os showrunners escolherem usar esse artifício já me deixou com um pé atrás, ainda que a traição de Charlie (Alexa Nisenson), tão paparicada por Madison e Nick, tenha sido um toque macabro e sacana no roteiro, ainda que não completamente inesperado.

A missão à procura dos pais de Charlie foi visualmente enquadrada de maneira semelhante à peregrinação solitária de Morgan no episódio anterior, com a direção do sempre eficiente Michael E. Satrazemis – um excelente diretor de fotografia em The Walking Dead – conseguindo criar uma atmosfera de tensão apesar de não se furtar de fazer generoso uso de iluminação e de uma paleta de cores mais diversificada e aberta do que anteriormente na série. Além disso, o contraste do escuro profundo no breve embate dentro do silo de óleo merece destaque pelo uso da luz filtrada pela abertura superior e da viscosidade da substância criando o excelente contraste que costuma ser a marca de Satrazemis.

A adição de mais um personagem na série, a solitária Naomi (Jenna Elfman) parece ter a função de criar suspeitas sobre suas intenções, de forma que nem chequemos próximo a desconfiar da pequena e traiçoeira Charlie, restando saber se foi só isso mesmo ou se ela terá uma função maior do que servir de distração momentânea. A escalação de Elfman para o papel parece indicar uma posição um pouco mais profunda e sua antiga profissão certamente pode ser utilizada com facilidade no tecido da narrativa na medida em que ela se desenvolve.

O flashback, porém, ainda não acabou. O cerco dos Abutres, em tese, continuará sendo objeto de mais voltas ao passado para que a conexão com o presente com Nick, Strand, Lucy e Alicia, que parecem estar caçando o grupo vilanesco, seja desenvolvida, especialmente em relação ao paradeiro de Madison. Espero que a estratégia medieval de manter o estádio sitiado ganhe relevo e seja bem trabalhada, ainda que ela não me pareça lá muito diferente do arco da prisão nas e temporadas da série-mãe. Até mesmo Mel (Kevin Zegers), o chefe do grupo, lembra de longe a versão da TV do Governador, vivida por David Morrissey, ainda que, lógico, esteja cedo para ser mais categórico nesse ponto.

Another Day in the Diamond é burocraticamente bom, se é que é possível usar as duas palavras na mesma frase em sentidos não exatamente opostos. Ao inverter a lógica de That’s Entertainment, focando mais nos Clark somente para nos dar um vislumbre de Morgan e companhia ao final, os showrunners parecem começar um movimento de convergência sem perder tempo, mas, também, a julgar pelo episódio, sem trazer nada assim tão original para esse passado mais recente do grupo liderado por Madison. De toda forma, o episódio deixa qualquer um curioso para saber tanto o que ocorreu durante o certo do “diamante” quanto o que ocorreu depois da explosão da represa.

Fear the Walking Dead – 4X02: Another Day in the Diamond (EUA, 22 de abril de 2018)
Showrunner: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Direção: Michael E. Satrazemis
Roteiro: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Elenco: Lennie James, Garret Dillahunt, Maggie Grace, Alycia Debnam-Carey, Colman Domingo, Frank Dillane, Andrew Lincoln, Melissa McBride, Tom Payne, Kevin Zegers, Jenna Elfman, Alexa Nisenson
Duração: 49 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.