Crítica | Fear the Walking Dead – 4X14: MM 54

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Deixe-me ir direto ao grande – e solitário – ponto positivo deste episódio que é a marca registrada de toda a 4ª temporada de Fear the Walking Dead: a fotografia. O trabalho de Adam Suschitzky, como já escrevi várias vezes ao longo de minhas críticas, emudece as cores dos exteriores e interiores trazendo-as para tonalidades acinzentadas e azuladas, aplica um belíssimo contra-luz e manipula como ninguém a oposição do claro ao escuro, notadamente em espaços fechados. É um diretor que faz jus ao seu sobrenome, como representante de nada menos do que a terceira geração de especialistas nessa área, mostrando que talento pode sim passar pelo sangue.

Mas isso é tudo de realmente bom que eu posso falar de MM 54. Eu até deveria parar a crítica aqui, pois confesso que minha vontade de continuar escrevendo depois do que assisti é tendente a zero, mas o dever me chama.

A grande verdade é que seria errado de minha parte desconstruir o roteiro de Anna Fishko e Shintaro Shimosawa que, separadamente, escrevem bem (vide Laura e Close Your Eyes), mas, juntos, pelo visto, se anulam. Não é a melhor técnica crítica ficar achando cabelo em ovo, mas é impossível não desapontar-se com a “origem” anticlimática e completamente sem inspiração da “mulher imunda” que, conforme aprendemos, tem o mesmo nome das mães do Superman e do Batman e fica louca depois que perde o marido empalado em um acidente de carro no começo da praga zumbi e cuja cronologia não se encaixa com o tempo – anos! – passado até o presente. E isso sem falar no fato que ela descarregou metralhadoras de alto calibre no caminhão com todo mundo lá dentro e a única coisa que morreu foi o caminhão! Também é impossível não ficar incomodado com as mudanças das regras sobre os zumbis que, agora, passaram a “conscientemente” perseguir as pessoas, mesmo com elas a quilômetros de distância e, ainda por cima, chamando mais “amiguinhos” para a festa. Também são sensacionalmente hilários os zumbis stealth que vemos a “grande vilã assustadora que só me faz rir” usar para matar os parvos que pilotam os caminhões em uma sequência de montagem completamente deslocada.

Ah, eu realmente deveria parar. Estou muito amargo.

Mas não consigo resistir. Afinal como no caso das facas Ginsu e meias Vivarina, tem mais!

E os Momo Boys and Girls arrastando o cadeirante no meio do nada com coisa nenhuma de repente encontrando-se com uma placa mágica de hospital que os teletransporta para o centro de uma metrópole pelo poder da elipse temporal terrivelmente mal feita, cortesia do estagiário do editor? Novamente falando de Momo, que tal ele, no alto de sua vasta experiência de ninja-paz-e-amor que andou de Alexandria até o Texas (ok, pegou um carro também, mas vocês entenderam…), achar genial a ideia de esconder-se DENTRO de um hospital, o único local que até a dupla Debi & Lóide sabe que não se pode ir durante um apocalipse zumbi exatamente por ter potencialmente a maior concentração possível de (des)mortos. Ah, mas eles queriam os remédios e curativos. Sim, claro, não tenham dúvida. Bastava eles acharem um lugar seguro em uma das dezenas e dezenas de prédios ao redor e um ou dois deles correrem rapidinho ao hospital para reabastecerem-se, não é mesmo, dupla de roteiristas preguiçosos?

Mas o mais legal e bacana é que a solução para criar uma barricada é utilizar uma MACA COM RODAS nas portas! E não poderia faltar aquela mordidinha esperta em lugar impossível lá no coitado do Jim, além da criação de um suspense bobo e forçadíssimo para o paradeiro de Al, moça altruísta e prendada mais eficiente que Nikola Tesla no quesito gerador de eletricidade.

Calma porém, que tem salvação, já que Alicia aparece novamente! Que boa notícia. Só que não… A moça, aparentemente, queimou um fusível na cachola e ficou obcecada em expiar seus pecados arrastando Charlie para uma praia a centenas de quilômetros de distância, isso depois de quase matar a menina com as próprias mãos. Talvez a “mulher imunda” tenha encontrado uma amiga, afinal de contas.

FADE TO BLACK

Fear the Walking Dead – 4X14: MM 54 (EUA, 16 de setembro de 2018)
Showrunner: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Direção: Lou Diamond Phillips
Roteiro: Anna Fishko, Shintaro Shimosawa
Elenco: Lennie James, Garret Dillahunt, Maggie Grace, Alycia Debnam-Carey, Colman Domingo, Kevin Zegers, Jenna Elfman, Alexa Nisenson, Sebastian Sozzi, Aaron Stanford, Daryl Mitchell, Mo Collins, Tonya Pinkins
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.