Crítica | Fear the Walking Dead: Flight 462

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estrelas 3

Transmitida em episódios semanais de um minuto nos intervalos comerciais da produtora e também online entre 04 de outubro de 2015 e 26 de março de 2016, Flight 462 (ou Voo 462) é a primeira websérie baseada em Fear the Walking Dead, série prelúdio spin-off da aclamada The Walking Dead. Apesar de ter ido ao ar depois do fim da 1ª temporada, os eventos de Flight 462 se passam durante os acontecimentos dela, mas apresenta elenco novo e não conectado – pelo menos não diretamente – com o elenco original.

Com apenas 14 minutos no total, todos os 16 episódios contam uma história muito simples, mas aterrorizante: no começo da epidemia, provavelmente um dos últimos aviões a decolar nos EUA é o voo 462 e, como é de se esperar, não demora e alguém que havia sido mordido por um zumbi, transformar-se em um. Nada como juntar o natural medo de voar com o nada natural medo de mortos-vivos, não é mesmo?

Claro que no curto espaço de tempo que os roteiristas têm, não há como se desenvolver personagens, mas, mesmo assim, eles nos apresentam com mais detalhes a dois deles. O primeiro é um adolescente viajando sozinho, já que o voo lotou e o lugar de sua mãe foi tomado. Jake (Brendan Meyer) é atento e percebe, ainda antes da decolagem, que alguma coisa definitivamente não está certa com o resto do país, mas ele não tem muito o que fazer. A outra personagem é Charlie (Michelle Ang), uma jovem que parece saber com muitos detalhes sobre a epidemia e o que exatamente fazer para se prevenir dos zumbis comedores de carne humana. Aliás, é Charlie quem tomou o lugar da mãe de Jake, o que cria a conexão entre os dois no avião, além dos evidentes problemas criados por um homem que morre no banheiro do avião.

A tensão é bem construída e a websérie faz aquilo que a série prelúdio faz muito bem: ela brinca com o fato de nós sabermos dos problemas em detalhes por sermos espectadores veteranos da série-mãe (e/ou leitores dos quadrinhos, claro). Nós sabemos que “morrer” significar tornar-se zumbi, mas ninguém mais sabe. Nós sabemos que só tiro ou facada na cabeça resolve, mas ninguém mais sabe e assim por diante. Com isso, a aflição gerada pela inação e incompetência (para nós) dos personagens nos prende na tela por todo o tempo, algo que não é difícil considerando-se a curtíssima duração de tudo o que vemos.

O final, porém, é aberto, algo que se tornou necessário porque a produção passará a usar um personagem do avião em Fear the Walking Dead (certamente Jake ou Charlie) e o destino final deles não é mostrado com qualquer tipo de detalhe. No entanto, isso acaba detraindo da experiência, pois o espectador fica sem resolução, sem desfecho, mesmo que seja fácil deduzir o que acontecerá em seguida.

Flight 462 funciona como tira-gosto daqueles para enganar a fome. Agora é saber como será o prato principal.

Fear the Walking Dead: Flight 462 (EUA – 2015/16)
Direção: Michael McDonoughs
Roteiro: L. Signorino, Mike Zunic
Elenco: Michelle Ang, Brendan Meyer, Kathleen Gati, Lisa Waltz, Kevin Sizemore, Brett Rickaby
Duração: 14 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.