Crítica | FF #1 a 5 (Marvel NOW!)

A Fundação Futuro (FF), criada em 2010, por Jonathan Hickman para ser o braço filantrópico do Quarteto Fantástico ganha um novo e completamente inesperado contorno dentro do projeto Marvel NOW! E o trabalho de Matt Fraction, que também escreve a série Quarteto Fantástico, juntamente com o desenhista Michael Allred, é uma diversão só.

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Nunca havia lido nada da Fundação Futuro, mas isso não é importante, pois Fraction consegue ser suficientemente didático no primeiro número – sem ser chato e arrastado – além de literalmente fazer um recomeço, mantendo as crianças (são várias e de várias raças diferentes, sendo que  uma delas é só uma cabeça voadora), mas alterando o Quarteto Fantástico completamente. A razão para isso é uma viagem espaço-temporal que o Sr. Fantástico decide fazer, carregando toda sua família e que é objeto do trabalho de Fraction na série Quarteto Fantástico. Reed Richards pretende ficar fora durante um ano para achar uma cura para a degeneração celular que sofre, mas esse um ano se traduziria em apenas quatro minutos na Terra. Precavido, Reed decide formar um novo Quarteto para proteger a Terra e a Fundação durante esses quatro minutos.

E, para isso, ele recorre, como líder, ao segundo Homem Formiga, Scott Lang, que recentemente perdeu sua filha pelas mãos do Doutor Destino. Sue Storm sai para recrutar Medusa, a rainha dos Inumanos, para o seu lugar. O Coisa, por sua vez, convida a Mulher Hulk, que já fez parte do Quarteto há muitos anos. Por último – e estranhamente – Johnny Storm chama sua namorada, a cantora pop de cabelo rosa Darla Deering, que não tem absolutamente nenhum poder. O único que reluta é Lang, já que ele não quer ficar rodeado por crianças que o fazem lembrar de sua filha, além de achar uma responsabilidade enorme mesmo que por apenas quatro minutos.

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E, tenho certeza, o leitor não se surpreenderá quando eu revelar que o Quarteto original não volta em quatro minutos e resta à Lang testar a si próprio como líder, algo que não demora a acontecer já que o mais tradicional vilão da primeira família da Marvel aparece: o Toupeira. Em segundos, o novo time larga suas diferenças e cai no pau com o vilão e um monstrengo subterrâneo que ele traz a tiracolo.

Mas o bacana do trabalho de Fraction é a construção das relações humanas. Ele não está muito preocupado com a ação ou com termos técnicos ou  mesmo com algo totalmente plausível dentro desse universo. Ele se diverte ao trabalhar a personalidade de cada herói tanto com humor quanto com seriedade. No primeiro número, só vemos balões de fala. Não há ação nenhuma, apenas uma divertida e instrutiva apresentação de cada personagem. No segundo número, já com o Quarteto desaparecido, vemos o tal ataque do Toupeira e o uso de uma “armadura” de pedra laranja por Darla Deering, que a transforma na Srta. Coisa. Ficou ridículo, mas esse tipo de coisa over faz parte do tipo de narrativa que Fraction constrói.

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No final do segundo número e por todo o terceiro, uma grande revelação acontece: o Tocha Humana, velho, sem um olho, uma perna e um braço, volta pelo portal espaço-temporal de Reed Richards e conta que o Quarteto foi morto pela surreal junção física de três vilões: Doutor Destino, Kang e Aniquilador. Ver Johnny Storm velho e completamente perturbado, louco mesmo, surpreendentemente cria uma gravidade à história que nos prende ainda mais à ela. E Fraction não perde tempo com dúvidas sobre a identidade do herói e arruma explicações humanas para isso, ao trazer Wyatt Wingfoot para a narrativa. Como antigo amigo de Johnny, ele confirma que aquele velho é mesmo o Tocha que conhecemos e a presença do atleta ainda permite o gancho e o desvio que Fraction precisava para o quarto número.

Nele, vemos Jen (a Mulher Hulk) saindo com Wingfoot (para quem não lembra ou não sabe, os dois já tiveram um caso antes) em um encontro de amigos. Acontece que os quatro Moloids que vivem na Fundação, juntamente com Bentley-23, uma criança clone do supervilão Wizard (perdoem-me, mas não faço ideia do nome dele em português) que tem tendências super-vilanescas fazem de tudo para estragar o encontro. Os Moloids, assim como eram adoradores do Coisa, chamando-o de “The Ben” passam a ser apaixonados por “The Jen” e o que resulta daí é uma série de hilários ataques ao casal que, claro, nunca dão certo.

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No quinto número, Fraction começa a mostar que seu dominó tem muitas peças para cair ainda e nos apresenta a uma trama sinistra envolvendo a Medusa, solta um Johnny Storm louco varrido por Nova Iorque, manda Alex (do saudoso grupo infantil Power Pack ou Quarteto Futuro, que adorava ler nos meus áureos tempos de quadrinhos) para a Latvéria, depois que ele tem um “pega pra capar” com Scott Lang, já que o líder do novo Quarteto decide montar um plano para matar Destino e Alex discorda veementemente. Além disso, o emburrado filho de Medusa e de Raio Negro se junta às crianças da Fundação Futuro.

Em outras palavras, Fraction demonstra que tem um plano, mas que ele não tem muita vontade de levar tudo sempre muito a sério, brindando o leitor com uma leveza e uma esperteza de texto que não costumamos ver em quadrinhos mainstream de super-heróis. É como se a Marvel tivesse aberto uma única exceção para dar uma de editora independente.

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Na verdade, a prova maior disso está na parceria com Michael Allred, criador do título indie Madman. Seu traço despojado, quase largado mesmo, exige um certo costume, mas se o leitor conseguir apreciar o que ele faz, terá muito com o que se divertir. A Mulher Hulk não é desenhada da maneira normal e sim como uma grandalhona musculosa. Lang é pequeno, fragilizado mesmo, diante dos demais. Medusa transparece realeza e uma feminilidade exacerbada (a primeira missão dela é vestindo um negligé transparente) e a Srta. Coisa é simplesmente ridícula. Os quatro juntos formam uma perfeita família disfuncional que, porém, gera muita curiosidade e torna FF um título obrigatório dentro do projeto Marvel NOW!

A diversão é garantida com FF!

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.