Crítica | Final Fantasy: The Spirits Within (2001)

estrelas 3

O início de Final Fantasy – O Filme começa com um sonho da doutora Aki Ross em 13 de dezembro de 2065. Esse sonho irá retornar (ou melhor, continuar) em outros momentos da projeção, e temos a informação de que ele é algo constante nas noites da doutora, que acredita haver um motivo muito importante para esse retorno.

A trama de The Spirits Within se passa em um planeta Terra dominado por monstros de constituição etérea chamados de “fantasmas”. A humanidade teve uma grande parte de seu contingente dizimado e sabemos que os poucos sobreviventes habitam em “cidades-barreiras” construídas especialmente para conterem a entrada dos fantasmas. A doutora Aki Ross e seu mentor, o doutor Sid, pesquisam uma desacreditada forma de conter a contaminação e as mortes causadas pelos monstros etéreos, pesquisa essa que bate de frente com as intenções bélicas do General Hein e do Capitão Elliot, cujos planos são mais… destrutivos em relação aos monstros. O que eles não sabem é que se darem cabo dessa atitude, todo o planeta Terra pode perecer.

Esse drama futurista baseado na muitíssimo bem sucedida franquia de videogames Final Fantasy, mistura uma série de características típicas da ficção científica e acrescenta o lado “espiritual” ou fantástico comum a algumas produções televisivas sobre FF, como por exemplo, The Legend of Crystals, que contém ameças à população de um certo planeta e um elemento “mágico/espiritual” ou fantástico em pauta.

No entanto, o drama aqui é de um peso muito maior, porque se trata da sobrevivência da espécie humana e da possibilidade de exterminar para sempre os monstruosos fantasmas. A busca pelos espíritos da Terra (ou Gaia) e a parcimônia de Aki e Sid no trato com os inimigos assassinos são detalhes morais que marcam o roteiro, deixando uma espécie de lição de respeito à vida: nós queremos sobreviver, mas isso não pode ser feito “a qualquer custo”.

Por ser um projeto pioneiro e bastante ousado, The Spirits Within exigiu um grande orçamento para sua produção e daí tiramos as turbulentas notícias desse período (o filme começou a ser produzido em 1997), turbulências que só não ultrapassariam o fracasso de bilheteria da obra, com também trariam consequências negativas para a Square Company japonesa, um dos estúdios responsáveis pelo projeto.

Mas afinal, o que esse filme tem de tão especial? Bem, para quem o assiste hoje, em 2014, não há novidade alguma. Nossa tecnologia CGI é bem mais aprimorada e os resultados conseguidos pelos melhores estúdios são realmente inacreditáveis. Mas se levarmos em consideração que a fita data do ano de 2001, encontraremos diversos pontos especiais e, o maior deles, o fato de esta ter sido a primeira animação computadorizada que utilizou atores virtuais.

Nem é preciso dizer que a notícia desses “atores sintéticos” levantou um caloroso debate sobre a indústria de Hollywood a partir daquele momento. Eu tinha 14 anos na época e me lembro razoavelmente bem de como se temia substituir os atores de carne e osso por representações fotorrealísticas. Hoje, 13 anos depois, vemos que o “crepúsculo das estrelas” não aconteceu. Os atores virtuais foram apenas mais uma interessantíssima conquista na tecnologia da indústria cinematográfica.

Ainda sobre o filme, podemos ainda dizer que é o desenrolar do roteiro vai fazendo a obra perder sentido. O que se anuncia no início com bastante força começa a desfalecer quando outros pequenos acontecimentos paralelos ganham espaço. Mas a carga dramática final chama bastante a atenção do público pela beleza e ameaça para a humanidade e para os heróis da vez. A relação entre os fantasmas, o espírito de Gaia e as 8 assinaturas espirituais que deveriam ser conetadas para fazerem os monstros encontrarem seu lugar de paz e deixarem a Terra são postas em destaque. Gosto bastante do espetáculo visual que se cria a partir daí, mas como já foi dito, a força de todo o enredo já está destilada em outras pequenas partes quando chegamos a esse momento da história.

Final Fantasy: The Spirits Within é um marco do cinema por sua tecnologia. Sua realização ousada, mesmo que tenha fracassado nas bilheterias e não tenha sido tão elogiada pela crítica, foi um primeiro passo para a revolução tecnológica que seria observada na década seguinte. E, convenhamos, o filme não é essa coisa terrível que muitas pessoas dizem por aí.

Final Fantasy: The Spirits Within (EUA / Japão, 2001)
Direção: Hironobu Sakaguchi, Motonori Sakakibara
Roteiro: Hironobu Sakaguchi, Al Reinert, Jeff Vintar, Jack Fletcher
Elenco: Ming-Na Wen, Alec Baldwin, Ving Rhames, Steve Buscemi, Peri Gilpin, Donald Sutherland, James Woods, Keith David, Jean Simmons, Matt McKenzie
Duração: 106 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.