Crítica | Final Fantasy: Unlimited (2001)

estrelas 2,5

Talvez o maior problema de Final Fantasy: Unlimited seja a ambição. O projeto veio à luz no mesmo ano em que o badalado (à época) The Spirits Within, e talvez na esteira da obrigação tecnológica para entregar uma aventura que misturasse tendências de animação em 3D e 2D, o foco do Estúdio se concentrou apenas no visual, nas manipulações de imagem, monstros e ambientes, deixando de lado as boas ideias para o roteiro e a sequência lógica da história.

Mas mesmo com o forte apelo estético, que supostamente deveria fazer de Final Fantasy: Unlimited um primor visual, temos uma regular apresentação imagética e, o pior de tudo, com repetições infindáveis ao longo dos 25 episódios, chegando uma hora em que o espectador não suporta mais ver todo o ritual para uma arma ser disparada, uma batalha ser levada à tona, alguém realizar um feito que traga andamento à narrativa fantástica do anime.

Com tantas repetições e demora desnecessária para apresentar as quebras dramáticas do roteiro, sobraria a Final Fantasy: Unlimited uma salvação vinda da mitologia de FF, a franquia de jogos, que de alguma forma poderia estar mais presente e ter elementos canônicos de peso no enredo. Isso com certeza melhoraria a concepção geral e adicionaria à história o efeito de apego do espectador com os jogos, uma estratégia comumente usada nas séries de TV e mesmo animes baseados em obras literárias, mangás e jogos. Todavia, nada disso acontece em Unlimited. Salvo alguns momentos notáveis ao longo de 25 episódios, pouca coisa de importante ou interessante pode ser visto na série.

A base para a história central parte de um bom princípio dramático, algo bastante visto em animes de fantasia e que é extremante simples: um misterioso evento acontece e ninguém sabe do se trata. Há aqueles que suspeitam da origem desse evento e vão em busca de respostas, mas logo percebemos que esses “entendidos” desaparecem de cena. O mistério está lançado. Como é comum nesses casos, uma busca acontece (aqui, a busca é encabeçada pelos gêmeos Ai e Yu, que vão à dimensão paralela do Mundo das Maravilhas através de um misterioso metrô) e algumas amizades notáveis são constituídas, mesmo que de maneira estranha no início – a presença de Lisa, Kaze e Chocobo demonstram bem isso.

Mas se partirmos dessa premissa, o mínimo que o espectador almeja é que a série não enverede por um “caso fútil da semana”, que é exatamente o que se passa em FF Unlimited. As histórias, como já cometei antes, possuem um ritmo desnecessariamente lento, e o roteiro enrola o máximo que pode para que coisas primárias como mostrar o deslocamento dos protagonistas dentro de um simples espaço cênico. É para desafiar a paciência de qualquer um!

Em resumo, a experiência de FF Unlimited não é de todo descartável. Há momentos de bastante tensão e outros muito divertidos, especialmente os protagonizado pelas criaturas fantásticas. Além disso, os caprichos do Conde fazem do Mundo das Maravilhas um lugar intrigante, o que é praticamente o único impulso que nos faz chegar até o final do anime. Até vale a pena, numa visão geral, se você tem bastante tempo livre e realmente quer ou precisa ver a série. Caso contrário, não sinta a consciência pesada. Saiba que você não está perdendo muita coisa.

Final Fantasy: Unlimited (Japão / Coreia do Sul, 2001)
Anime em 25 episódios
Direção: Mahiro Maeda, Kobun Shizuno
Roteiro: Akitoshi Kawatsu
Elenco (vozes originais): Nobutoshi Hayashi, Haruko Momoi, Yuka Imai, Kyoko Hikami, Akira Ishida, Kana Ueda, Akiko Yajima, Kouji Ishii, Daisuke Gouri, Kikuko, Takumi Yamazaki
Duração: 24 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.