Crítica | Final Fantasy XII

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estrelas 3,5

Inicialmente planejado como um jogo online, Final Fantasy XII adota muitas das características de MMOs (massive multiplayer online), incluso nessa lista está, é claro, FFXI, o primeiro game online da franquia. Logo nos primeiros estágios de produção, contudo, a ideia foi abandonada e FFXII se tornou uma experiência single-player. O resultado é um Final Fantasy para não-fãs da série.

O jogo é parte da Ivalice Alliance, um projeto similar a Compilation of Final Fantasy VII ou Fabula Nova Crystallis, em outras palavras: parte de uma coletânea que se passa dentro do mesmo universo. A história inicia com uma narração dos eventos chave que precedem a nossa entrada no game. O Império de Archadia e o de Rozarria estão em guerra e o pequeno reino de Dalmasca se encontra no meio das duas nações expansionistas. Com a aproximação da batalha à fronteira do pequeno reino, o rei Raminas aceita assinar um tratado de paz que significaria a rendição de Dalmasca à Archadia. O tratado, contudo, foi assinado com sangue real e o reino pacífico foi anexado às terras do grande império.

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O mapa de Ivalice

Alguns anos depois a trama se centra em Vaan, um órfão que vive na capital de Dalmasca, Rabanastre e cujo maior sonho é se tornar um sky pirate. Através de pequenas e ingênuas aventuras, o garoto acaba se envolvendo com um grupo rebelde que deseja resgatar a soberania de Dalmasca. No meio disso, Vaan conhece desde piratas, capitães desonrados até a própria princesa de seu reino. Assim, enxergamos a história através dos olhos de um adolescente que nada mais é que puxado pela correnteza.

Não há como notar a semelhança de diversos pontos da trama de Final Fantasy XII com FFII. A grande diferença está na profundidade dos personagens e da própria política. Archadia é tida como vilã na história, mas nada mais é que um Império em expansão – o Imperador não é um ser do inferno como em FFII, é um homem ambicioso. Há o claro abandono do maniqueísmo de diversos outros games da franquia, algo que se iniciou em Final Fantasy VI e que finalmente foi concretizado.

Isso, contudo, gera um problema para o game: a ausência de um vilão marcante. Existem os juízes, é claro, mas não temos aquela figura constante, a eminência parda que é presente nos games pós-FFVI. Isso acaba gerando a sensação de que não há perigo algum e com as inúmeras side-quests acabamos esquecendo que estamos lutando contra Archadia. No fim, a história de FFXII acaba fugindo à memória, não sendo composta de grandes eventos e marcando uma falta de identidade.

Essa falta também é gerada através do design do game. Foi adotado um visual mais realista, mas que acaba tirando as características únicas de cada personagem, que exibem aparências muito similares tanto no rosto quanto nas próprias roupas. Somente os juízes se destacam através de suas armaduras que, ainda assim, são muito parecidas entre si (variando somente no capacete). Isso tira a força dos protagonistas do jogo, ao ponto que suas personalidades não são fortes o suficiente para suprir a falta de um design criativo. Ainda assim o game apresenta gráficos impressionantes até hoje, mesmo que tenha sido lançado para o Playstation 2.

Porém, se não lembramos dos personagens ou história de FFXII, o que fica na memória é a sua jogabilidade. Abandonando a transição para a tela de batalha, as lutas ocorrem dentro do cenário no qual controlamos os personagens. Os inimigos ficam à solta em determinados lugares e, ao nos aproximarmos deles, podemos escolher comandos como atacar, magia e itens. Não há mais encontros aleatórios com monstros. Quem já jogou Knights of The Old Republic irá se sentir familiarizado com a mecânica. Ao escolhermos o comando desejado, devemos esperar uma pequena barra carregar até que ele seja executado – um resquício do Active Time Battle da franquia.

E os outros membros da equipe? Como são controlados? Podemos atribuir comandos um a um alterando o personagem que controlamos ou podemos utilizar o sistema de gambits, que nos permite criar uma espécie de inteligência artificial para o personagem. O sistema de gambits é difícil de masterizar, mas é bastante recompensador e quase obrigatória para a derrota de certos inimigos.

A batalha de FFXII

A batalha de FFXII

Após a derrota de cada oponente recebemos pontos de experiência que se acumulam até passarmos de nível, mas além disso existem os license points (LP). Em FFXII existe o License Board, um sistema parecido ao Sphere Grid de Final Fantasy X, que nos permite adquirir licenças para utilizar equipamentos e magias. Tais licenças são necessárias para a utilização de cada um desses. Assim como em FFX o avanço pelo license board dinamiza a progressão dos personagens, deixando o level grinding menos monótono e mais recompensador.

Summons e limit breaks estão de volta com leves diferenças. Cada summon precisa ser derrotado em batalha antes que possamos adquirí-los e não são lutas fáceis. Os limit breaks voltam com o nome de quickening e, dessa vez, consomem magia ao invés da clássica barra de limit.

Um outro destaque do game são suas side-quests, em especial as Hunts. Basicamente são caçadas à monstros especiais que garantem boas recompensas. As hunts aumentam progressivamente de dificuldade e são os maiores desafios do game, exigindo o level grinding do jogador.

A trilha sonora, pela primeira vez em um game principal dentro da franquia, não foi concebida por Nobuo Uematsu e sim por Hitoshi Sakimoto. O resultado é uma trilha que cumpre seu papel, mas sem acrescentar melodias memoráveis à franquia também famosa por suas músicas.

Final Fantasy XII é o game que mais se distancia dos parâmetros estabelecidos na longeva franquia. Adota diversos elementos do online FFXI, gerando um jogo que muitas vezes soa como um MMO. Como dito anteriormente, é o Final Fantasy para não-fãs da franquia, tanto pelo design quanto pela jogabilidade e história, e pode acabar desagradando a quem acompanhou os games anteriores da série.

Final Fantasy XII
Desenvolvedora:
 Square Enix
Lançamento: 16 de Março de 2006 (Japão), 31 de Outubro de 2006 (EUA)
Gênero: Rpg
Disponível para: Ps2

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.