Crítica | Flash #1 a 8: Seguindo em Frente (Novos 52)

estrelas 3,5

O tema principal deste arco escrito por Francis Manapul e Brian Buccellato é a força de aceleração. Assim como todas as histórias dos Novos 52 em seus primeiros arcos, os heróis estão na ativa há 5 anos e as histórias não foram pensadas como narrativas de origem — isso ficou para a maioria das edições #0 –, embora estejamos falando de um reboot. Em Seguindo em Frente, o Flash é colocado na difícil posição de defender seu grande amigo Manuel Lago (personagem novo) de um exército de clones de Manuel Lago chamado Oclocracia.

Manapul e Buccellato não isolam este primeiro embate dos outros obstáculos que aparecem no enredo, antes, optam por um encadeamento orgânico e direto das coisas, quase como uma brincadeira de causa-e-efeito. O resultado é uma história de apresentação e contextualização sem ser uma história de origem, com uma colocação mais ou menos compreensível dos problemas que Central City enfrenta. E aqui reside um grande problema da obra, que é a dificuldade que o leitor tem de aceitar as coisas como fato consumado e ter que ir se acostumando com um grande número delas.

Flash_Vol_4_1Na medida do possível o texto tenta diminuir ao máximo tramas do tipo “é assim porque é” ou “apenas aceite e depois entenderá“. Claro que os roteiristas não são inteiramente vitoriosos nessa empreitada, mas a iniciativa funciona mais ou menos bem e nos dá a oportunidade de acompanhar Barry Allen e seu recente romance com Patty Spivot; a inserção um pouco forçada de Iris West na vida deles e o então enigma do que causou o grande blecaute em Central City e sua gêmea (depois da Crise) Keystone City. Como adendo ao ‘inferno’, o Capitão Frio aparece tentando se vingar do Flash, a quem culpa por ter interrompido o tratamento de sua irmã Lisa, agora prestes a morrer. E como golpe final, o velocista acredita que pulando em um buraco de minhoca que ele mesmo deve criar, conseguirá resolver alguns problemas que ele mesmo causou, segundo sua opinião. Ledo engano.

Mesmo com a correria do início do arco, o leitor consegue acompanhar e se acostumar de forma fácil com a trama, mas à medida que ela avança para o final, especialmente a edição #8, corretamente chamada de A Força de Aceleração, o texto começa a chover no molhado com toda a reafirmação e sobre-explicação da Força, e, talvez a pior das escolhas, o entrelaçamento da história/surgimento de Grodd no enredo. Fica fácil gostar bastante das seis ou sete edições iniciais desse volume, mas a oitava edição não oferece muito o que amar.

Flash_Vol_4_8A arte de Francis Manapul com excelentes cores de Brian Buccellato é a única constante em excelência da primeira à última página. Aquilo que o texto não consegue tornar interessante a respeito da força de aceleração ou a relação entre vida pessoal e heroica do protagonista, a arte consegue demonstrar bem e com grande criatividade. O deslocamento do Flash; a representação dos espaços congelados pelo Capitão Frio; a excelente diagramação de página quando Barry descobre que pode “orientar/prever” determinadas variáveis de movimento antes que aconteça no “tempo real” ou, na edição 8, a demonstração das brechas e vórtices criados pela Força ou pelo Turbina (Roscoe Hynes) são maravilhosamente marcados por um inteligente aproveitamento do espaço da página, bem pensado uso de quadros internos e sua integração com o plano de fundo e ótima fluidez narrativa, que pode ser tanto em páginas duplas quanto únicas.

Seguindo em Frente não termina bem — “tudo aquilo” para terminar com a chegada do Flash em Gorilla City foi frustrante — mas termina de um modo que deixa o leitor curioso para descobrir o desenrolar dos acontecimentos vindouros, o que já é um ganho enorme. A leitura certamente vale a pena, mas é importante dizer que não se trata de uma obra livre de problemas narrativos.

Flash Vol.4 #1 a 8: Seguindo em Frente — Novos 52 (Move Forward — New 52) — EUA, 2011 – 2012
Roteiro: Francis Manapul, Brian Buccellato
Arte: Francis Manapul
Cores: Brian Buccellato
Letras: Sal Cipriano, Carlos M. Mangual, Wes Abbott
Capas: Francis Manapul, Brian Buccellato, Gary Frank, Brad Anderson
8 edições de 24 páginas cada uma

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.