Crítica | “Flash Gordon” – Queen

estrelas 4,5

Lançado em dezembro de 1980, a aventura de ficção científica Flash Gordon viria, anos depois, a se tornar um dos clássicos cult de space opera. Seu estilo camp e até psicodélico seriam lembrados por anos, e muito desse status também se atribui à música original do Queen, que marcava aqui seu 9º álbum, além da primeira incursão da banda no gênero de trilha sonora cinematográfica.

É importante salientar que, sendo da geração do final dos anos 90, não pude acompanhar o impacto cultural de Flash Gordon em seu lançamento. Porém, ao escutar a trilha sonora é impossível não se sentir dentro daquele contexto, especialmente em um mundo que começava a ser marcado pelos videogames em fliperamas e uma avalanche de sci fi aventuresca. Uma faixa empolgante como Football Fight captura com perfeição esse estilo de videogame dada sua mistura de efeitos eletrônicos (do teclado) com a guitarra de Brian May e o baixo de John Deacon, resultando no tom apropriado de uma cena de ação que definitivamente reforça que este não é um filme para levarmos a sério — afinal, Flash derrota uma tropa armada do Imperador Ming com nada além de uma bola de futebol.

Porém, ainda que o tom pitoresco camp marque boa parte do trabalho do grupo no filme, Love’s Theme revela-se surpreendentemente complexa na quantidade de sentimentos que promove: é ao mesmo tempo melancólica por acompanhar a súbita saída de Flash, sua namorada Dale e o Dr. Zarkov da Terra para a imensidão do espaço, sensível por demonstrar a beleza dos novos cenários e também onírica para capturar a estranheza e a psicodelia do planeta Mongo, construindo muito bem uma atmosfera palpável e que contribui com as imagens igualmente psicodélicas. Da mesma forma, Ming’s Theme é eficiente ao oferecer uma música ameaçadora ao vilão principal da narrativa, predominantemente através de um teclado eletrônico; assim como seu anel hipnotizador, em The Ring.

Mas quando pensamos em Queen e Flash Gordon, imediatamente nos vem à mente a icônica Flash, uma das poucas faixas do álbum que de fato traz o vocal de Freddie Mercury. É uma canção animada e que diverte pelas interjeições quase onomatopéicas de “Flash!“, além da acertadíssima percussão de piano e baixo que estabelece um bem-vindo clima de suspense, mas que logo é preenchido com uma letra que traz divertidas passagens como “Savior of the universe” e “He’s a miracle!“. A outra canção presente no álbum é The Hero, que encerra a trama com empolgação durante os créditos finais.

Em uma época em que a música de space opera vinha se reinventando com valores tradicionais e operáticos com John Williams em Star Wars, o Queen se arrisca para criar uma trilha verdadeiramente original e que destoa de praticamente de todo trabalho do tipo daquela época, servindo também como uma pequena viagem sonora para o turbilhão dos anos 80.

Aumenta!: Flash
Diminui!: Arboria
Minha faixa favorita do álbum: Football Fight

Flash Gordon: Original Soundtrack Music
Artista:
Queen
País: Reino Unido
Lançamento: 8 de Dezembro de 1980
Gravadora: EMI/Parlophone
Estilo: Trilha Sonora

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.