Crítica | Flying Padre

Duas-meia-estrelas

Flying Padre foi o primeiro filme dirigido por Stanley Kubrick*, um primeiro passo não muito firme de uma brilhante carreira. Na época em que o dirigiu, o jovem Kubrick tinha 22 anos de idade e trabalhava como fotógrafo para a revista Look. Essa sua primeira experiência cinematográfica não revela ainda o diretor que ele seria, embora mostre uma boa concepção fotográfica para todos os quadros do filmes, algo que também percebemos em seu filme curta-metragem seguinte, O Dia da Luta.

Flying Padre é um documentário encenado que acompanha por dois dias os afazeres do padre Fred Stadmueller. Responsável por uma grande área paroquial no Novo México, Estados Unidos, o padre vai de fazenda em fazenda atender aos pedidos de missas fúnebres, socorro a crianças doentes e celebração da Eucaristia para os fiéis. Narrado por Bob Hite, o texto mostra o lado quase heroico do religioso, que acima de tudo, acaba fazendo importantes serviços sociais para sua comunidade. O texto mostra o lado nada popular das boas ações, aludindo à ideia do herói desconhecido, aquele que faz muito por quem precisa mas ninguém sabe que ele existe. Não há fotógrafos por onde ele passa, a imprensa não se interessa por ele. O tom irônico do altruísmo e suas variações aparecem nas entrelinhas do filme.

Ao destacarmos esse ponto do roteiro, tem-se a impressão de que o curta convida o espectador para uma reflexão sobre as funções sociais e a quem a sociedade dá maior atenção e paga pra ver. Todavia, essa reflexão é apenas o desenvolvimento de um momento do filme, apenas isso. A narrativa não se fixa nesse assunto, ela percorre eventos diversos, colocando sempre o padre como herói e destacado a sua bondade e prontidão para atender os necessitados.

O filme não lembra quase nada que tenha a mão do Kubrick do futuro, exceto o já citado apuro fotográfico. Não apenas o roteiro – especialmente o momento final – mas o caráter do documentário encenado e o mínimo interesse que ele desperta no público fazem de Flying Padre um filme menor e cuja utilidade ou intenção é um verdadeiro ponto de interrogação. O exercício fílmico é mais interessante como um dado sensivelmente vergonhoso, mas histórico, sobre o início da carreira de Stanely Kubrick do que algo a ser obrigatoriamente visto por todos os que amam cinema. Mas fica a dica: vejam o filme.

* Eu procurei em diversos portais especializados, no Brasil e no exterior, uma posição unânime sobre a data de lançamento do filme, mas não foi possível. Alguns sites datam Flying Padre como  sendo o primeiro filme do diretor, outros sites colocam Day of the Fight nessa posição. Ambos os filmes foram lançados em 1951, por isso o problema em saber a sequência. Segundo o IMDB (onde este filme está colocado em primeiro lugar na filmografia do diretor), Flying Padre não tem data oficial de lançamento, já Day of the Fight foi lançado oficialmente em 26/04/1951. Como eu tomo a posição de que este foi o primeiro filme, achei prudente fazer esta nota explicativa. No caso de este ser o segundo, o que eu escrevo no primeiro parágrafo só é alterado em questão de número, mas a posição sobre ele, inclusive a comparação com Day of the Fight permanece a mesma, portanto, em questão de análise, não há alteração alguma.

Flying Padre (EUA, 1951)
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Stanley Kubrick
Elenco: Bob Hite, Fred Stadmueller
Duração: 09 minutos

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.