Crítica | Fogo Contra Fogo (2013)

Não se anime se você é daqueles que está querendo assistir Fogo Contra Fogo (sem referências ao filme de Brian De Palma com o mesmo nome) por causa da presença de Bruce Willis naquele pôster explosivo. Também não se anime se você está esperando um daqueles filmes de ação cheios de tiros, explosões, adrenalina e perseguições alucinantes. E tudo isto por dois motivos: 1) Willis é apenas um coadjuvante de luxo, e 2) nem como entretenimento passageiro o filme se salva.

O filme é a estreia do diretor David Garrett em um longa metragem, assim como é a primeira vez em que Josh Duhamel (Turistas) interpreta o protagonista. E para vender este pacote, os produtores decidiram contratar alguns atores de nomes conhecidos e inseri-los dentro do roteiro batido e previsível de Tom O’Connor. É aquela trama básica do exército de um homem só que busca vingança ao mesmo tempo em que tenta proteger sua amada, tendo apenas alguma ajuda do pessoal da polícia, com a diferença de que o herói Jeremy Coleman (Duhamel) acaba fazendo parte do Programa de Proteção à Testemunhas após ter presenciado um duplo assassinato cometido pelo mafioso David Hagan (Vincent D’Onofrio).

Fogo Contra Fogo já começa pecando dentro do principio básico de um filme do gênero, que é a diversão. Talvez nem seja culpa de Garrett, já que além de ser um diretor iniciante, o roteiro oferece pouquíssimos momentos onde o quesito do entretenimento possa ser bem trabalhado. Mas o fato é que o trabalho de Garrett beira o risível, abusando dos cortes nas cenas de ação e promovendo alguns truques de câmera baratos e farsescos (como naquela cena do tiroteio em que acompanhamos o percurso das balas). Tudo é feito no piloto automático, e como consequência, cria-se um suposto veículo de entretenimento preguiçoso e sem fôlego nenhum.

Não bastasse tudo isto, o roteiro também falha na inserção e desenvolvimento dos dramas pessoais dos personagens – em especial, o personagem de Willis. Lá pelo início somos informados de que Hagan assassinou o parceiro e a esposa do policial à sangue frio, mas isso é apenas jogando em meio aos diálogos e jamais chega a ser explorado no restante da projeção. A motivação de Jeremy para sua vingança também é pouco verossímil, sendo que além da inexpressividade de Duhamel (apesar do carisma), a falta de química entre o ator com a bela Rosario Dawson (À Prova de Morte) apenas contribui no sentimento de antipatia pela história.

Sem nada que o torne um filme, no mínimo, divertido durante seus 90 minutos de duração, Fogo Contra Fogo deverá ser esquecido no momento em que as luzes do cinema se acenderem, deixando a expectativa para o próximo filme de Bruce Willis, Duro de Matar 5, que irá estrear daqui a duas semanas. Pelos menos lá sabemos que o astro do gênero não irá bancar apenas um mero coadjuvante com algumas poucas falas.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.