Crítica | Força-V (Tie-In de Guerras Secretas – 2015)

estrelas 3

Obs: Leia a crítica da saga aqui e dos demais tie-ins aqui.

O que são os tie-ins: Em Guerras Secretas, saga de 2015, o Doutor Destino – agora Deus Destino – recriou o mundo ou, como agora é conhecido, Mundo Bélico, a seu bel-prazer, dividindo-o em baronatos, cada um refletindo de alguma forma um evento ou uma saga passada da Marvel Comics. Com isso, a editora, que, durante o evento, cancelou suas edições regulares, trabalhou como minisséries – algumas mais auto-contidas que as outras – que davam novo enfoque à situação anterior já conhecida dos leitores, efetivamente criando uma saga formada de mini-sagas, com resultado bastante satisfatório, muitas vezes até superior do que as nove edições que formam o coração de Guerra Secretas.

Crítica

Diferente dos demais tie-ins de Guerras Secretas, Força-V não adapta um evento clássico da Marvel Comics e sim nos apresenta a uma situação inédita. A estrutura de baronato continua e a baronesa é a Mulher-Hulk que comanda um grupo de super-heroínas chamado Força-V (A-Force no original) composto por Capitã Marvel, Medusa, Irmã Grimm (Nico Minoru), Miss América (America Chavez), Cristal (versão clássica pré-revolta grunge) e Loki (versão feminina), dentre outras. Elas mantêm a paradisíaca ilha de Arcádia, em um canto escondido do Mundo Bélico, em perfeita harmonia e estado idílico.

forca-v_guerras_secretas_capa_plano_criticoInterrompendo essa tranquilidade toda, um gigantesco carcarodon megalodon (ou, para os leigos, um tubarão branco gigante pré-histórico) surge do nada e tente lanchar as heroínas, fazendo com que, em um ataque de raiva, Miss América desobedeça a regra número um de Deus Destino – nunca atravessar a fronteira de seu mundo – e arremesse o monstro para o outro lado da muralha. Em um piscar de olhos, o Thor-Sam Wilson chega e leva a jovem a julgamento e, apesar da defesa da Mulher-Hulk, a garota é banida de Arcádia para sempre. Não demora e outro evento estranho acontece – um Sentinela aparece de um portão dimensional – e, ao mesmo tempo, uma menina com o corpo todo estrelado cai na ilhota e é achada por Nico, que logo se afeiçoa dela. Estariam os eventos conectados? Ou há algo mais por trás?

E assim a minissérie em formato de whodunit? vai se desenvolvendo, ainda que para um leitor minimante acostumado com quadrinhos, será fácil deduzir a trama lá pela terceira ou quarta página. O que fica – e esse parece ser o principal propósito da narrativa – é a introdução da nova personagem (a misteriosa e poderosa menina estrelada) que logo ganha o nome de Singularidade e também a mecânica das relações entre as personagens nesse contexto específico, efetivamente criando um bem-vindo “clube da luluzinha” de Vingadoras que não deixa nada a dever às suas contrapartidas do Universo Marvel “normal”.

O roteiro é singelo e não tenta complicar onde não precisa. Trata-se de uma historieta que divertirá, mas que não será particularmente memorável dentro dos vários tie-ins de Guerras Secretas, ainda que Força-V já tenha ganhado uma publicação regular pós-saga. É um exercício clássico, que muitas vezes remete à Era de Prata dos quadrinhos e cuja ambição está restrita às suas páginas, o que é bom se não estivermos esperando mais.

A arte de Jorge Molina é perfeita para o espírito do que o texto de Marguerite Bennett e G. Willow Wilson quer passar. Com traços limpos, precisos e detalhados, o artista dá o ar “super-heroico” que a história precisa, além de conseguir muito bem trabalhar as páginas de batalha, notadamente a final, com uma excelente distribuição de personagens e com uma fluidez invejável. E ele ainda tem tempo para enxertar diversos easter-eggs que farão os leitores mais vorazes voltarem para ter certeza que pegaram tudo.

Força-V não é particularmente original ou diferente, mas cumpre sua função de divertir com louvor. Uma leitura fácil – ainda que descartável – com algumas das mais marcantes super-heroínas do Universo Marvel.

Força-V (A-Force, EUA – 2015/6)
Contendo: Força-V (2015) #1 a #5
Roteiro: Marguerite Bennett, G. Willow Wilson
Arte: Jorge Molina
Arte-final: Craig Yeung (#1 a #4), Jorge Molina (#1 a #3), Walden Wong (#2 e #4)
Cores: Laura Martin (#1 a #5), Matt Milla (#1)
Letras: Cory Petit
Editora original: Marvel Comics
Datas originais de publicação: julho a dezembro de 2015
Editora no Brasil: Panini Comics
Data de publicação no Brasil: setembro de 2016 (encadernado – Guerras Secretas: Os Vingadores #2)
Páginas: 108

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.