Crítica | Friday’s Child (2018)

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Richie é um jovem órfão de 18 anos que chega à sua emancipação com um problema para resolver: ele precisa sair de seu atual lar temporário e, em um único termo, “ganhar a vida”. A direção e o roteiro de A.J. Edwards neste Friday’s Child (2018), seu segundo filme, inicialmente confundem. O enredo se apresenta a partir de diferentes pontos de vista sobre orfandade, adoção, lares temporários e o momento em que a vida adulta chega e esses meninos e meninas precisam tomar um caminho socialmente aceito: trabalhar, pagar contas, impostos… viver.

Mas em vez de usar esse “corte do coradão umbilical” como motivação narrativa para o que viria a seguir, o texto deixa para trás a introdução e passa a seguir Richie (Tye Sheridan, em boa atuação, considerando o que o papel exige), que claramente tem um passado complicado e, de diversas formas, tenta superar as dificuldades da nova vida. E com a sensação de que estamos começando um novo filme, embarcamos nessa aventura de amadurecimento como prova de fogo. Nela, o protagonista passa pelos perrengues mundanos de qualquer pessoa morando sozinha, especialmente uma pessoa muito nova. E então o roteiro cava mais um atalho e nele segue até o final.

É justo dizer que o texto de A.J. Edwards já dava indícios de que haveria uma abordagem ligada ao mundo do crime aqui. Mas a forma como esse assunto é tratado em Friday’s Child acaba não crescendo muito, especialmente no desenvolvimento do protagonista. De certa forma, o andamento das coisas segue a base popular do título, fazendo com que o personagem seja — ao menos no aspecto individual — amoroso e generoso, mas sabemos que essa é uma indicação que, como em qualquer brincadeira comportamental, pode não valer nada quando alguém se vê em perigo e está disposto a fazer de tudo para se ver livre de problemas. Em dado momento, o detetive interpretado por Jeffrey Wright levanta essa questão ao analisar Richie, mas a coisa não vai muito além disso.

A forma como o personagem resolve lidar com sua própria consciência está bastante deslocada de tudo aquilo que o roteiro vinha nos apresentando até então. Vemos bons momentos de suspense e tentativa de readequação de Richie, mas há um grilhão que o prende, revelando-se para o espectador apenas no final. Esses bons momentos, no entanto, não são o suficiente para elevar a qualidade do filme acima da média e a coisa inteira termina com uma conversa sobre motivações que abraça psicologia e filosofia. É muita ideia solta para pouco filme. Talvez um direcionamento mais objetivo do enredo desde o início impedisse a obra de atirar para todos os lados e acertar, de raspão, apenas em algumas tentativas. O que poderia ser um bom filme sobre o amadurecimento cheio de desvios sociais de um jovem órfão, acaba sendo um filme sobre muitas outras coisas e, como sempre nesses casos, termina atingindo quase nada de seu objetivo.

Friday’s Child (EUA, 2018)
Direção: A.J. Edwards
Roteiro: A.J. Edwards
Elenco: Tye Sheridan, Imogen Poots, Caleb Landry Jones, Jeffrey Wright, Brett Butler, Matthew Albrecht, Jared Ryan Amburn, Casey Aubin, Sharmita Bhattacharya, Kyla Brady, Brittany Braun, Christopher Bryant, Dayana Bucarello, Thomas Burke
Duração: 91 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.