Crítica | From Dusk Till Dawn – The Series / Um Drink no Inferno – A Série: 2ª Temporada

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estrelas 2,5

Obs: Há potenciais spoilers do filme Um Drink no Inferno, de 1996, e da 1ª temporada da série. Não há spoilers da 2ª temporada.

A improvável adaptação para série de televisão do road movie/trash vampiresco Um Drink no Inferno, de Robert Rodriguez, com roteiro de Quentin Tarantino, acabou dando certo. Usando como estrutura básica o mesmo material original, a 1ª temporada de Um Drink no Inferno – A Série acabou por se revelar como uma divertida versão super-estendida do filme, com a inclusão de diversos elementos e personagens novos, todos eles carregados para a 2ª temporada: a introdução de Freddie Gonzalez (Jesse Garcia), Texas Ranger que quer vingar a morte de seu mentor e quase pai; a transformação de Sex Machine (Jake Busey) e de Scott (Brandon Soo Hoo), irmão de Kate (Madison Davenport) e principalmente Richie Gecko (Zane Holtz), irmão de Seth (D.J. Cotrona), em Culebros, ou seja, em vampiros-cobras; a existência de uma estrutura hierárquica entre os vampiros, com a casta superior se auto-denominando Lordes e a separação dos irmão Gecko.

É essa separação entre os Gecko, na verdade, que funciona como o artifício temático mais presente por toda a temporada. De um lado, Seth, junto com Kate, tenta entender o que aconteceu, com Seth inicialmente entregando-se às drogas para emudecer em sua cabeça os acontecimentos chocantes que vimos na 1ª temporada. Do outro lado, Santánico Pandemonium (Eiza González), agora livre de seu cativeiro de centenas de anos, caça, com a ajuda de Richie, Lorde Amancio Malvado (Esai Morales) e todos os demais vampiros que passam por sua frente como forma de vingança.

Não há qualquer semblante do filme original aqui. Ele ficou inteiramente para trás e o material, comandado por Robert Rodriguez, é inteiramente novo, tão novo que os acontecimentos anteriores são quase desimportantes para a compreensão do que se passa. Mas, mesmo quem assistiu atentamente à temporada inaugural, sentirá um pouco de dificuldade de realmente entender o plano maior de Rodriguez, já que a 2ª temporada carece de foco e de um ritmo mais acelerado, que evitasse repetições de tramas.

Ao separar os irmãos e colocá-los em caminhos apartados, os roteiristas passaram a ser obrigados a criar linhas narrativas paralelas por algo como metade dos episódios, o que acaba gerando diversas situações que pouco acrescentam ou avançam a narrativa principal. Há personagens, como os irmãos Kate e Scott, por exemplo, que sofrem com o ostracismo por vários capítulos, somente para reentrar na trama de forma a desviá-la do rumo. O mesmo vale para Freddie  que, de um quase protagonismo, volta como um personagem cuja função principal é servir de deus ex machina repetidas vezes. Até mesmo os grandes vilões – Carlos (Wilmer Valderrama), Malvado e O Regulador (Danny Trejo, em participação especial) – são apenas adereços em uma trama que peca por atirar para todos os lados sem desenvolver nenhum.

O ponto de convergência é o império criminoso de Malvado, com Santánico, Richie e Seth juntando-se bem mais para a frente (obviamente), mas cada um por sua razão pessoal. A temática familiar dos Gecko ganha mais relevância com a introdução do Tio Eddie Cruickshank (o ótimo Jeff Fahey), que estabelece raízes mais sólidas para a relação dos irmãos, ainda que, no final das contas, até mesmo ele seja mal-aproveitado.

A vingança de Santánico carece de urgência e de perigo e Eiza González, catapultada nessa temporada para o protagonismo, não tem os dotes artísticos (embora tenha os físicos, como o figurino deixa sobejamente à mostra) necessários para carregar a história. Ela é basicamente biquinhos e olhares raivosos, sem nunca convencer em sua sana por sangue.

Zane Holtz, como o vampiresco Richie, continua sendo o centro das atenções em termos de atuação, com os melhores momento do roteiro voltados para ele e seu conhecimento enciclopédico da cultura pop em geral. Sua oposição principal, Carlos, tem em Wilmer Valderrama o melhor ator em papel de antagonista, com suas tiradas exageradas e carregadas de clichê que ele tira de letra com seu jeito cafajeste de atuar.

Os efeitos práticos e em computação gráfica da série são acima da média, demonstrando o cuidado de Rodriguez com a fusão do real com os pixels, de maneira que um look and feel cautelosamente antiquado e noventista seja mantido por toda a temporada. Infelizmente, porém, em nenhum momento vemos uma grande sequência de ação ou “de virada” que mereça nota. A tentativa de clímax no último episódio, que espelha de certa forma o massacre do Titty Twister, cai por terra com uma montagem preguiçosa que mantém takes longos quando cortes mais bruscos teriam criado cinética para a ação decolar.

A impressão que dá é que não havia material para 10 episódios de 45 minutos e que talvez metade do tempo fosse suficiente para lidar com os desdobramentos do final da 1ª temporada. Vê-se esforço em manter o espírito trash do filme, mas os roteiros trilham caminhos que trazem um ar de falsa complexidade que não combina bem com a natureza da série.

Mas, sem dúvida alguma, é um divertimento descerebrado, daqueles que prenderá em alguns momentos e levará o espectador à sonolência e ao fast forward em outros. Quem quiser uma dose de vampiros, sangue, pancadaria e peitos, não necessariamente nessa ordem, encontrará na segunda temporada de Um Drink no Inferno um prato cheio, mas que não satisfará quem estiver procurando um pouquinho mais do que apenas isso.

Um Drink no Inferno – A Série: 2ª Temporada (From Dusk Till Dawn – The Series: Season 2, EUA – 2015)
Showrunner: Robert Rodriguez
Direção: Robert Rodriguez, Eduardo Sánchez, Alejandro Brugues, Joe Menendez, Carlos Coto, Dwight Little
Roteiro: Álvaro Rodríguez, Carlos Coto, Marcel Rodriguez, Matt Morgan, Ian Sobel, Luisa Leschin, Diego Gutierrez
Elenco: D. J. Cotrona, Zane Holtz, Eiza Gonzalez, Jesse Garcia, Madison Davenport, Brandon Soo Hoo, Wilmer Valderrama, Robert Patrick, Don Johnson, Jake Busey, Esai Morales, Manuel Garcia-Rulfo, Brandon Smith, Briana Evigan, Jeff Fahey, Hemky Madera, Demi Lovato, Gary Busey, Danny Trejo
Duração: 450 min. (aprox.)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.