Crítica | Fúria (2014)

estrelas 2Ah Nicolas Cage. O ator tem escolhido mais papéis medíocres do que bons ultimamente. Apesar de ter sido bastante elogiado por sua atuação em Joe, seus últimos trabalhos não parecem ter agradado muito e há quem diga que ele deveria optar por uma aposentadoria precoce. Ainda assim, Cage é um daqueles atores que amamos odiar e que de alguma maneira, não conseguimos parar de assistir seus filmes.

Infelizmente ele parece ter se acostumado ao papel de pai protetor ou justiceiro e depois de tantos filmes, parece não ter sobrado nenhuma novidade nessa categoria.

Em Fúria, Cage é o empresário Paul Maguire que conseguiu mudar de vida após largar a bandidagem. Agora, possui uma empresa de construção e está ajudando a prefeitura a revitalizar partes abandonadas da cidade. Passou a ter boa fama entre os cidadãos, mas tudo muda quando sua filha é sequestrada e ele vai fazer de tudo para encontrar o culpado. No entanto, devido a seu passado de crimes, qualquer um pode ser o inimigo.

Com direção de Paco Cabezas o longa é cheio de falhas, a começar pelo enredo que é fraco, arrastado e não parece possuir qualquer propósito final. Ainda que dê para entender que o ato de uma vingança desmedida não leva a lugar nenhum, gerando apenas mais confusão e um efeito dominó, tudo isso acaba não valendo nada nos minutos finais quando informações vitais são reveladas ao espectador. O suspense e tensão que deveriam existir aqui dão lugar a frustração pela trama mal conduzida e a pergunta desdenhosa: “ah, era esse o inimigo?”.

A montagem confusa, com o ir e vir picotado do passado de Maguire e seus dois amigos se somado aos cortes estranhos, fora de hora e os flashbacks em slow motion se tornam um verdadeiro desserviço ao filme e mostram até certo amadorismo por parte do diretor espanhol.

Salvo apenas as cenas de ação, pois convenhamos não tem como errar isso, a truculência usada de forma exagerada ajuda para que o espectador se desconecte um pouco dos demais problemas do filme.

Quanto às atuações, Cage se esforça bastante com seu personagem, que possui uma involução forçada por conta dos acontecimentos, transformando-o em uma máquina de vingança vazia e inexpressiva. Outros atores fazem estritamente o necessário ou nem deveriam estar ali como Rachel Nichols que serve apenas como para ser a esposa troféu, sem qualquer serventia útil a trama.

No final, Cabezas peca pela evidente falta de experiência no gênero ou por pura pretensão. Vai saber.

Fúria (Tokarev – USA/França 2014)
Direção: Paco Cabezas
Roteiro: Jim Agnew, Sean Keller
Elenco: Nicolas Cage, Rachel Nichols, Max Ryan, Michael McGrady, Peter Stormare, Pasha D. Lychnikoff, Patrice Cols, Weston Cage, Max Fowler, Aubrey Peeples, Jack Falahee, Danny Glover, Ron Goleman
Duração: 98 min.

MELISSA ANDRADE . . . Uma pessoa curiosa que possui incontáveis pequenos conhecimentos desde literatura a filmes a reality shows a futebol alemão e está sempre disposta a aprender muito mais. Por isso sou Jornalista por experiência e vocação. Fotógrafa Profissional com muita paixão e um olhar apurado e Roteirista frustrada e uma Crítica de Cinema em ascensão.