Crítica | “Future Present Past” – The Strokes

estrelas 2,5

É impressionante o que o The Strokes fez em apenas um álbum. Sua estreia com Is This It revolucionou a indústria musical, fez o indie rock tomar proporções gigantescas e ainda ditou moda. No entanto, o que se sucedeu desde então são promessas do “álbum definitivo” da banda, constantemente adiadas a cada lançamento novo. A carreira do grupo é cheia de altos e baixos, mas é quase totalmente alicerçada em seu debut. Sem lançar nada desde Comedown Machine (2013), The Strokes surpreendeu a todos com o anúncio de um EP de inéditas: Future Present Past. Através de 4 novas faixas, o grupo entrega um som instigante, mas que se perde em meio a sua execução e pouco contribui para o currículo do grupo.

A primeira faixa, Drag Queen, apesar do título que chama atenção, possui uma letra abstrata sem deixar transparência a respeito do que aborda. Um arranjo interessante é aqui desfilado já que os sintetizadores lembram o estilo robótico do Kraftwerk, aqui junto a guitarras. No entanto, a áurea lo-fi da canção é desnecessária e excessivamente suja. Julian Casablancas é um problema enorme na faixa, sua interpretação é uma das menos articuladas de sua carreira, desafinando e entregando uma interpretação alheia ao que o refrão pede. O resultado é uma faixa que não sabe se encontrar, como se o vocal atrapalhasse completamente a harmonia. Veja que uma coisa é o cantar despojado que este adquiriu como personalidade, outra bem diferente é se abster das normas do bom senso vocal.

OBLIVIUS é a única canção do álbum realmente surpreendente. Os sintetizadores dançantes, os riffs adocicados, práticos e melódicos de Albert Hammond Jr. e uma interpretação de Julian com menos abstrações ditam a ótima canção. É verdade, porém, que há algo de errado com o refrão – soando mal remixado, com excesso de efeitos gritantes. Esse problema parece ser corrigido com a versão remix de Moretti para a mesma, soando mais leve e tranquila, sem abandonar o ar dançante.

Threat of Joy, no entanto, cai em um vale comum absurdo. Uma canção que evoca o “passado” da banda, citado no título do EP. É extremamente pouca inspirada, tentando mimetizar o que um dia já deu certo (mais precisamente no início da carreira) e, no processo, fazendo algo bastante genérico. O resultado é um som que parece uma banda de indie rock amadora/iniciante tentando soar como The Strokes, os ídolos de qualquer banda do gênero.

Future Past Present é uma amostra de boas ideias do Strokes, mas sendo muito mal aplicadas. Faz você refletir sobre a relevância do grupo nos dias de hoje, algo que segue indefinido. Mesmo em um cenário repleto de ótimos lançamentos de bandas que o grupo influenciou, ainda há uma espera desnecessária por um disco ‘revolucionário’ destes. O que pode ter certeza é que este EP não saceia sede de ninguém, nem em quantidade, nem em qualidade.

Aumenta! OBLIVIUS
Diminui!: Threat of Joy

Future Past Present
Artista: The Strokes
País: Estados Unidos
Lançamento: 26 de maio de 2016
Gravadora: Cult Records
Estilo: Indie Rock

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.