Crítica | Galactic Guardians (1994): #1 a 4

estrelas 2

Se o grupo original dos Guardiões da Galáxia já é um grupo de heróis Marvel da década de 60 desconhecido do publico em geral, mesmo dos leitores do material da editora, imagine só um outro grupo spin-off dos Guardiões? Esse é o caso dos Galactic Guardians (mantenho o nome em inglês, pois não localizei tradução oficial para o português, mas seria algo como Guardiões Galácticos), grupo comandado por Martinex, membro fundador dos Guardiões originais e mais outros personagens que apareceram na série do grupo durante a brilhante retomada capitaneada por Jim Valentino, a partir de 1990.

E que personagens são esses? Há o Espírito da Vingança, versão cósmica do Motoqueiro Fantasma, Fênix, na 9ª encarnação da entidade cósmica nessa linha temporal (assim como em Guardiões, as aventuras dos Galactic Guardians se passam no século XXXI e na Terra-691, enquanto que o Universo Marvel normal é a Terra-616), Réplica, uma Skrull, Senhor do Fogo (o mesmo ex-arauto de Galactus, imortal) e Hollywood, o nome adotado por Simon Williams, o Magnum (ou Wonder Man), no século XXXI, aparentemente também imortal. Apesar de Martinex ser o comandante de campo do grupo, eles ainda contam com Mainframe, uma evolução do Visão, que tudo vê e que tudo faz, podendo ainda assumir seu corpo androide antigo.

mosaico galactic guardians

As capas da minissérie.

Trata-se, sem dúvida alguma, de uma formação interessante e que, dentro da edição normal de Guardiões da Galáxia, funcionou muito bem. Aparecendo meio que a conta-gotas nas edições normais dos Guardiões desde o começo da década de 90, cada um dos membros tem sua própria e interessante história, especialmente Hollywood, que se rói de culpa por ter sido teletransportado pelo Visão para longe da batalha da Terra contra Marte que levou os heróis Marvel atuais à morte.

Assim, em 1994, com a Marvel tentando dar uma sobrevida aos Guardiões da Galáxia, uma minissérie de apenas quatro números dos Galactic Guardians foi lançada. O grupo já aparece formado e há muitas referências às edições dos Guardiões que, àquela época, já não contavam mais com as contribuições de Jim Valentino, que saíra para co-fundar a Image Comics e, com isso, estavam com suas vendas em franca queda.

Para escrever o roteiro, a Marvel trouxe Michael Gallagher, que já escrevera para Guardiões. No entanto, o autor não traz novidade alguma ao título e basicamente faz uma versão piorada dos próprios Guardiões. Tendo que lidar com um membro extremamente poderoso, o Fênix, ele faz o óbvio: dá um jeito de se livrar do personagem, transformando-o, momentaneamente, em uma bateria humana quando Mainframe tem que “se desligar”, deixando os habitantes do ex-planeta Haven, que agora vivem em Klatuu e dependentes do super-computador para sobreviver, a descoberto. A razão para isso é uma ameaça misteriosa que Mainframe não consegue saber o que é.

galactic guardians vilões final

Quanto vilão porcaria, haja o benedito!

E, seguindo o clichê, Gallagher inventa um monte de vilões que atacam os Galactic Guardians separadamente, deixando Martinex basicamente sozinho. E, quando vem a grande revelação do que significam esses ataques coordenados, o leitor é deixado na mão com outra invenção, uma vilã cósmica superpoderosa, onisciente e onipresente chamada Ubiquitor. A pergunta que obviamente fica é: como é que raios alguém que é onipresente e onisciente, além de ser uma das forças primordiais do cosmos, precisa de uma equipe de vilões dos mais chinfrins? Não basta ela dar um peteleco nos heróis?

E pior, apesar das lutas separadas de cada um dos Galactic Guardians e mais Woden, o filho de Thor (basicamente o mesmo personagem, só que com outro nome), eles se unem ao final, obviamente, e acabam com Ubiquitor da maneira mais fácil possível, como se ela também fosse mais uma vilãzinha chinfrim (bem, na verdade ela é). Fica difícil sentir qualquer urgência ou perigo durante as batalhas. O que dá é um senso incrível de dejà vu, mas daqueles que já vimos dezenas de vezes. E isso sem contar com o fato de que a estrutura da narrativa é extremamente expositiva, daquele tipo que a ação toda para para que, primeiro, Mainframe possa contar como sobreviveu ao ataque de Ubiquitor, somente para, logo em seguida, Ubiquitor explicar seu plano maquiavélico (faz os vilões de James Bond parecerem amadores nesse quesito).

Mas a minissérie não é só coisa ruim.

O passado que existe entre Mainframe/Visão e Hollywood/Magnum  é muito interessante, pois remonta ao século XXI e à invasão marciana na Terra, cercada de mistérios. E os leitores mais antigos se lembrarão que o Visão nada mais é do que um androide com o corpo do Tocha Humana original da década de 40 com os padrões cerebrais de Simon Williams, o Hollywood. Assim, os dois são, praticamente, irmãos e essa rivalidade criada por uma espécie de soberba do Visão e de uma raiva cega de Williams é algo intrigante que, sozinhos, mereceriam uma edição própria.

galactic guardians simon + visão final

A melhor parte da história: pancadaria entre Hollywood/Magnum e Mainframe/Visão.

Há, também, o embate religioso entre Espírito da Vingança e Réplica, o primeiro querendo expurgar todos os pecadores da Igreja Universal da Verdade e a segunda, ela própria, em tese, uma pecadora e seguidora de Protégé (na revista Guardiões da Galáxia), da mesma igreja. E a cereja no bolo é que a identidade original do Espírito da Vingança, o alienígena Wileaydus Autolycus (não esperem que eu escreva esse nome novamente), é opositor dessa igreja, mas alguém extremamente tolerante, muito diferente de seu alter-ego demoníaco.

A arte de Kevin West é tipicamente noventista, com uniformes exagerados e improváveis (reparem só nas ridículas “tangas” do Espírito da Vingança e do Fênix) e com movimentos teatrais, completamente fora do caráter do personagem, mas combinando com o texto também teatral e hiperbólico de Gallagher.

Galactic Guardians, no final das contas, fica muito distante de ser uma forma da Marvel de dar um empurrão nas vendas de Guardiões da Galáxia, funcionando muito mais como o proverbial “tiro no pé”. Uma pena, pois havia um potencial inexplorado que, tenho certeza, Jim Valentino saberia trabalhar.

Galactic Guardians #1 a 4 (Idem, EUA – 1994)
Roteiro: Michael Gallagher
Arte: Kevin West
Cores: Tom Vincent
Editora (nos EUA): Marvel Comics (de julho a outubro de 1994)
Páginas: 88

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.