Crítica | Game of Thrones – 2ª Temporada

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estrelas 4,5

E, muitas vezes, um homem muito pequeno pode lançar uma sombra muito grande. – A Fúria dos Reis – George R. R. Martin

Lembra-se quando os sete reinos pareciam estar em uma situação estável? Quando Eddard Stark se deitava sob o teto de Winterfell e Robert Baratheon, primeiro de seu nome, ocupava o Trono de Ferro? Para aqueles que logo pularam da primeira temporada para a segunda temporada da adaptação dos livros de George R. R. Martin, tais fatos parecem ser recentes. O segundo ano de Game of Thrones, contudo, irá tornar essas memórias distantes e cada vez mais se aprofundar nas consequências da guerra pela coroa.

A segunda temporada começa imediatamente após o fim da primeira. Não se lembra dos detalhes? Não se preocupe, a narrativa fragmentada em personagens, herdada dos livros originais, irá pouco a pouco nos situar no mundo de Westeros. Enquanto no ano anterior fomos inseridos em um mundo verdadeiramente vivo, onde o poder da informação é, muitas vezes, maior que o do aço, agora cada uma das subtramas são aprofundadas. Acompanhamos velhos personagens conhecidos enquanto somos introduzidos a novos que compõem cada qual o rico mundo criado por Martin. Nesse ponto também já percebemos que nenhum personagem está verdadeiramente a salvo e que eles são um mero ponto de vista do que a série realmente quer mostrar: um pedaço da História dos sete reinos.

Esta segunda temporada não poupa esforços para nos transmitir que a guerra não é algo meramente composto de batalhas – cada vez mais presenciamos suas consequências não só para os candidatos ao trono, como para o povo que, conforme o inverno se aproxima, passa fome. Para ilustrar tais facetas, os criadores da série lentamente as inserem em nosso consciente através de diálogos e pequenos acontecimentos para que, enfim, sejamos jogados inesperadamente na brutalidade da fome através de fortes imagens.

Não é só a violência, velada ou não, que compõe este arco da história. As maquinações, espionagens e jogos de poder voltam com força total, sendo encabeçados, principalmente, por Tyrion que ganha um papel central dentro da narrativa – agora como mão do rei. O anão, que já se tornara querido na primeira temporada, demonstra cada vez mais ser um personagem profundo e o mesmo pode ser dito de alguns que eram mostrados de forma unilateral na temporada anterior, como Jaime, Theon e Tywin Lannister. Através de cenas e diálogos que facilmente entram para as melhores dentro de toda a série, vemos a personalidade do pai de Cersei ser esmiuçada. Com isso, cada vez mais passamos a enxergar que não há verdadeiros heróis ou vilões dentro da série – deixando a torcida para a mera preferência do espectador.

Tamanha pluralidade, contudo, não é sem consequências. A inserção de novos personagens acaba levando a uma fragmentação que chega a ser, em momentos, cansativa. Em destaque temos a subtrama de Daenerys que soa como um adendo para a história que se passa em Westeros. Isso se destaca ainda mais pela diferença dos diálogos com os reis de Qarth, que não cansam de se repetir e não se traduzem de forma efetiva do livro para a tela. Em tais trechos, faltaram cortes e mudanças na adaptação.

O ponto alto da temporada é seu clímax no penúltimo episódio, Blackwater, onde vemos toda a capacidade da direção, fotografia e roteiristas da série (este, em especial, foi escrito pelo próprio Martin). Embora muitos fãs ensandecidos tenham se decepcionado pela infidelidade ao livro (que não é um fator ruim), é impossível não sentir verdadeiros arrepios quando os planos de Tyrion começam a se desencadear, ao mesmo tempo que presenciamos um pedaço da força que os Targaryen possuíam outrora. A brutalidade das cenas somadas à noite nas quais são filmadas conseguem passar perfeitamente a crueza da guerra – fator que permeia toda a temporada.

No segundo ano de Game of Thrones, presenciamos não só um espetáculo em termos de produção televisiva, como uma verdadeira maestria no contar de uma história. A HBO consegue transformar um livro gigantesco e fragmentado de subtramas complexas em um mundo dinâmico que envolve por completo seu espectador. Acompanhamos personagens verdadeiramente vivos e passamos a torcer por um ou outro ao mesmo tempo que um frio na barriga se apodera de nós nas situações mais tensas. Esta é uma temporada que o irá fazer sentir saudades dos tempos de Ned e Robert.

Game of Thrones – 2 Temporadaª (Idem, EUA – 2012)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss (baseado em obra de George R. R. Martin)
Direção: Alan Taylor (1º, 2º, 8º e 10º episódios), Alik Sakharov (3º episódio), David Petrarca (4º, 5º,  episodio), David Nutter (6º e 7º episódios), Neil Marshall (9º episódio)
Roteiro: David Benioff e D.B. Weiss (1º, 2º,  5º, 7º, 8º e 10º episódios), Bryan Cogman (3º episódio), Vanessa Taylor (4º, 6º episódio), George R. R. Martin (9º episódio)
Elenco: Peter DinklageNikolaj Coster-Waldau, Michelle Fairley, Lena Headey, Emilia Clarke, Iain Glen, Aidan Gillen, Harry Lloyd, Kit Harington, Sophie Turner, Maisie Williams, Richard Madden, Alfie Allen, Isaac Hempstead-Wright, Jack Gleeson, Rory McCann, Jason Momoa
Duração: 549 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.