Crítica | Game of Thrones – 3ª Temporada

estrelas 4

But now the rains weep o’er his hall, with no one there to hear

The Rains of Castamere

Ao final da primeira temporada, os Starks já haviam se separado, com a segunda, tal distância se intensificou ainda mais. Agora, nesta terceira, já temos a nítida sensação que de que a tão esperada união da família do norte só acontecerá com o fim da história – se é que algum dia haverá o reencontro. George Martin aos poucos torna sua história mais sombria, fator que fica ainda mais óbvio nesse ano.

Se os espectadores já se sentiam confusos com a enorme quantidade de personagens até então, não é na terceira temporada que terão um descanso. Além dos que já estávamos nos acostumando, diversos outros são inseridos, aprofundando ainda mais cada subtrama nesta colcha de retalhos que é Westeros e Essos. Novamente, contudo, a história segue o estilo dos livros, acompanhando determinado personagem. Nesse ponto a série começa a exibir um pequeno problema de ritmo que, por vezes, pode tirar a atenção do leitor que tem de se forçar a lembrar tudo que ocorre em cada um dos reinos.

Por outro lado, a história de Daenerys ganha mais força, não parecendo mais uma excessiva perda de tempo que não levou a nada (como foi o ano anterior). Dessa vez sentimos que suas ações estão levando-a, de fato, de volta para o Trono de Ferro. Aqui vemos outra marca da temporada: embora pouco tempo se passe de seu início até o final, presenciamos incontáveis acontecimentos que nos distanciam mentalmente do fim da segunda temporada – a batalha de Blackwater parece uma memória já antiga.

Os avanços em cada subtrama ficam mais evidentes também na progressão de cada personagem – destaco aqui Arya e Jaime: a primeira amadurece de forma dura, com as perdas ao seu redor moldando sua personalidade completamente e o segundo mostra suas verdadeiras cores, revelando-se um dos personagens mais profundos da obra. Ao mesmo tempo, a história de Theon Greyjoy foi incrivelmente desacelerada quando comparada ao ano anterior e poderia ter sido resumida em menos capítulos – no fim, o que restou é uma narrativa enfadonha por mais brutal que seja.

A maior diferença que sentimos deste ano para o anterior, contudo, é na subtrama de Tyrion. Desta vez, após os acontecimentos de Blackwater, o anão se encontra em uma posição de menor poder e perde grande parte do foco narrativo que possuía na temporada anterior. Sua história muda de tom completamente, servindo para mostrar ainda mais a qualidade da interpretação de Peter Dinklage.

A quarta temporada de Game of Thrones pode possuir seus problemas de ritmo, mas mantém sua qualidade impressionante, seja na produção, seja na direção ou atuação. É uma grande narrativa que nos traz uma quantidade gigantesca de fatos, se aprofundando no lado místico e das tradições de Westeros e Essos. Seu tom cada vez mais sombrio ganha uma evidência cada vez maior e atinge seu cume, como de costume, no penúltimo episódio, que irá revirar o estômago de qualquer um. Como dito por um certo bastardo: se você pensa que isso aqui vai ter um final feliz, você não estava prestando atenção.

Game of Thrones – 3ª Temporada (Idem, EUA – 2013)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss (baseado em obra de George R. R. Martin)
Direção: Daniel Minahan (1º e 2º episódios), David Benioff (3º  episódio), Alex Graves (4º e 5º episódios),  Alik Sakharov (6º episódio) Michelle MacLaren (7º e 8º episódios), David Nutter (9º e 10º episódios)
Roteiro: David Benioff e D.B. Weiss (1º, 3º, 4º, 6º, 8º, 9º e 10º episódios)   Vanessa Taylor (2º episódio) , Bryan Cogman (5 º episódio), George R.R. Martin (7º episódio)
Elenco: Peter DinklageNikolaj Coster-Waldau, Michelle Fairley, Lena Headey, Emilia Clarke, Iain Glen, Aidan Gillen, Harry Lloyd, Kit Harington, Sophie Turner, Maisie Williams, Richard Madden, Alfie Allen, Isaac Hempstead-Wright, Jack Gleeson, Rory McCann
Duração: 600 min.

 

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.