Crítica | Game of Thrones 4X02: The Lion and the Rose

estrelas 5

Atenção: Contém spoilers deste episódio e das temporadas anteriores!

Terminaram felizes com o final do episódio passado? Com Arya e o Cão naquela briga da taverna? Pois Game of Thrones nos primeiros minutos deste novo episódio já nos lembra do que ele é feito. Vemos Ramsay Snow, uma das mulheres que contribuiu para a mutilação de Theon e o próprio caçando a outra garota que ajudou na tortura do Greyjoy. Não haveria nada fora do comum aqui (todos já sabemos do sadismo do bastardo de Lorde Bolton através da terceira temporada), exceto pelo próprio Theon.

The Lion and The Rose nos oferece uma pequena visão do que ocorre com os personagens que não foram contemplados no season première para depois focar no casamento de Joffrey e Margaery, seguindo a mesma estrutura do casamento vermelho (inclusive no chocante final). A transformação de Theon chega a ser tão assustadora quanto sua tortura e Alfie Allen consegue nos trazer uma ótima encarnação de Reek – seus olhos vazios e poucas palavras deixam claro que aquele não é mais um orgulhoso Greyjoy, apenas um escravo das vontades de Ramsay, ao menos por enquanto.

Já no sul de Westeros, em King’s Landing, vemos o primeiro encontro de Jaime e Tyrion depois de três anos. Finalmente uma dose de alívio tanto para os espectadores quanto para o próprio Jaime, que recebe finalmente boas vindas de volta. A proximidade dos dois é nítida e o carinho que o mestre da moeda tem pelo seu irmão é evidente, mesmo que, é claro, demonstrado à la Tyrion. Esta cena logo se encaixa em outro ponto alto do episódio: o treinamento de Jaime por ninguém menos que Bronn, o fiel (contanto que seus bolsos estejam cheios) mercenário do anão. Em ambas as sequências o roteiro não deixa a desejar, oferecendo ótimos diálogos e uma bela interação entre o kingslayer e Bronn, nos remetendo às aulas de dança de Arya na primeira temporada.

Ainda em King’s Landing, Tyrion é forçado a mandar Shae embora e novamente devo tecer elogios à atuação de Dinklage, que evidentemente soa como um homem que apenas faz um teatro, um teatro que irá salvar a vida da mulher que ama. Ao mesmo tempo, tal separação já estava sendo há tempos adiada – como o próprio Varys lembra.

Os trechos ainda mais curtos que vemos de Bran, já ao norte da Muralha e Stannis, cada vez mais fundamentalista, nos trazem interessantes pontos de partida para esta temporada. A visão de Bran ao tocar a árvore, feita através de um encadeamento rápido de imagens, tanto novas quanto velhas, finalmente dá um destino menos vago ao personagem. Vale lembrar, também, do aviso de Reed em relação à permanecer muito tempo na mente de um animal – ponto que certamente será explorado adiante. Já em Dragonstone a série deixa um significativo cliffhanger ao colocar a feiticeira vermelha junto da filha de Baratheon, ao mesmo tempo é interessante presenciar a pluralidade de Stannis que, mesmo devoto à nova religião, ama sua filha, protegendo-a da própria mãe. Aqui Game of Thrones novamente mostra uma de suas maiores qualidades: a profundidade dos personagens.

Após esse pequeno apanhado finalmente chegamos ao ponto chave do episódio: o casamento. A cerimônia em si é curta como deve ser, oferecendo apenas algumas posições de personagens dentro do contexto. É gratificante ver a reutilização da trilha sonora da primeira temporada – a música da família real (tocada no primeiro episódio, quando Robert chega a Winterfell) retorna de forma mais lenta durante os votos matrimoniais. Pulamos, então, para a festa: o símbolo da ostentação. Aqui impossível não se impressionar com o cuidado do departamento de arte que dá atenção a cada detalhe, chamando atenção às paredes decoradas com os emblemas dos Lannister, Baratheon e Tyrell.

Por alguns instantes a série nos faz acreditar que Joffrey ganhou alguns minutos de sanidade até, poucos instantes depois, ele destruir o livro, presente de Tyrion, com sua recém adquirida espada de aço Valyriano. A partir deste ponto entramos em uma onda de ações odiosas do personagem, como se os criadores nos fizessem lembrar de quem ele realmente é. E aqui preciso, ao menos, enumerar algumas de suas ações do passado:

– Foi responsável pela morte do filho do açougueiro e de Lady.

– Ordenou a morte de Ned.

– Obrigou Sansa a olhar à cabeça decepada de seu pai.

– Mata Ros com sua besta.

– Ordena o assassinato dos bastardos de Robert (incluindo recém nascidos).

Convenhamos, portanto, que já estava na hora do filho de Jaime e Cersei morrer. Aqui entra o ponto alto do episódio, que vemos a criatura mais odiada dos sete reinos encontrar seu fim em uma das cenas mais bem construídas de toda a série. O que começa com um engasgar leva a um brutal envenenamento com um trabalho de maquiagem invejável. Tyrion permanece no mesmo lugar quase não acreditando no que acontece e somente olha para a taça do rei, sabendo o que o espera. E aqui temos algo ainda mais inesperado: Jaime é o primeiro a correr até o rei, chamando-o pelo próprio nome – não somente isso, é o único da guarda real a fazer isso. Estaremos vendo o amor de um pai a seu filho? A série deixa isso para a especulação, assim como a grande questão: quem conspirou para o assassinato?

The Lion and The Rose, assim, encerra como o casamento vermelho: com destinos selados e muitos outros em aberto. Além disso pudemos ouvir uma fantástica versão de The Rains of Castamere tocada pela banda Islandesa Sigur Rós (que já havia disponibilizado a música para a venda). A quarta temporada mostra que, ao contrário do que muitos pensavam, não está nem perto de desacelerar.

Game of Thrones 4×02: The Lion and the Rose (Idem, EUA – 2014)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss (baseado em obra de George R. R. Martin)
Direção: Alex Graves
Roteiro: George R.R. Martin
Elenco: Peter DinklageNikolaj Coster-Waldau, Michelle Fairley, Lena Headey, Iain Glen, Pedro Pascal, Aidan Gillen, Harry Lloyd,  Sophie Turner,  Richard Madden, Alfie Allen, Isaac Hempstead-Wright, Jack Gleeson, Rory McCann
Duração: 60 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.