Crítica | Game of Thrones 4X03: Breaker of Chains

estrelas 3,5

Atenção: Contém spoilers deste episódio e dos anteriores

Abrimos o episódio desta semana nos deparando com o cadáver de rei Joffrey ainda nas mãos de sua mãe, uma extensão da cena final da semana anterior. A narrativa, contudo, foca em Sansa que é salva no ultimo momento por Dontos que a leva até Littlefinger em seu navio escondido nas nevoas. Neste ponto a série quase nos da uma resposta de quem está por trás do envenenamento. Sabiamente, porém, a dúvida permanece graças ao diálogo posterior entre Olenna Tyrel e Margaery que também demonstra seus motivos. O espaço para interpretação cresce ainda mais quando chegamos a um dos pontos altos do episódio, o ótimo diálogo de Tywin com o novo rei – lições de como ser um bom governante, ou como ser facilmente manipulado.

Logo em seguida, porém, temos uma quebra de personagem: o estupro de Cersei por Jaime, que desconstroi toda a jornada com Brienne que, por fim, havia o tornado um homem melhor. Provavelmente a cena será usada para encerrar definitivamente a relação incestuosa entre os dois, porém poderia ser feita de maneira mais sutil – a simples negação do beijo poderia ter simbolizado melhor tal fato. Ao deixar os dois irmãos em paz, contudo, Tywin continua a se aproveitar da tragédia de sua família, convocando Oberyn para ser um dos juízes. O desprezo mútuo na cena é palpável, trazendo à tona a força do elenco da série.

Não poderia falar de atuações, contudo, sem evidenciar a intima cena da prisão de Tyrion. Sua conversa com Pod traz o melhor de cada um dos atores, especialmente do escudeiro que destaca mesmo através de seu papel secundário. Ironicamente, Tyrion que, na segunda temporada, havia dito que não era Ned Stark e sabia como se jogava este jogo, acabou no mesmo lugar que o antigo guardião do norte. Levando em conta teria sido interessante utilizar uma cela semelhante, evidenciando o paralelismo dos dois personagens.

As notícias do casamento púrpura não se mantém somente na capital – Stannis Baratheon logo descobre dos eventos, fortalecendo ainda mais sua fé na feiticeira vermelha que nos leva para mais uma cena que condena as ações de Davos. Em seguida é trazida à atenção um elemento inteligentemente conduzido em segundo plano pela trama: o Banco de Braavos. A situação da dívida da coroa é tratada na terceira temporada e no primeiro episódio da quarta, mostrando o encadeamento preciso da narrativa por parte dos roteiristas.

As cenas de Arya e Clegane são curtas, porém trazem à tona o constante aprendizado da menina. Na primeira temporada teve Syrio Forel, na segunda, Tywin Lannister (através de brilhantes diálogos), na terceira através das ações da Irmandade e, posteriormente Sandor que acabou levando à quarta temporada. É claro o enrijecimento da menina que cada vez mais garante sua independência (por mais que ainda esteja presa ao Cão).

Por fim, chegamos a Daenerys que continua sua cruzada para libertar os escravos de Essos. Sua sequência curta é prejudicada pelo seu discurso que já soa repetitivo (ao menos não houve a costumeira repetição de seus títulos). A série consegue nos aproximar na personagem, contudo, no reconhecimento que da a cada um de seus fiéis guerreiros, em especial Ser Jorah, que há tempos era tratado de forma indevida. O embate entre Daario e o campeão de Meeros é curto e bem construído – é criada uma evidente expectativa que é quebrada através de dois golpes, que se encaixam perfeitamente na personalidade sarcástica do personagem. Breaker of Chains, então ganha seu título através da ultima cena que já abre caminho para o próximo episódio e que resume por inteiro o discurso da mãe dos dragões no início de sua sequência.

No fim temos um episódio clássico de meados de temporada, que nos traz as consequências do casamento púrpura, o aftermath. Cenas curtas ajudam na dinâmica do episódio, como as de Jon Snow, enquanto algumas repetições ou fugas de personagem prejudicam nossa imersão. Ainda assim, a quarta temporada de Game of Thrones mantém o seu nível já estabelecido no derretimento da espada Gelo.

Game of Thrones 4×03: Breaker of Chains (Idem, EUA – 2014)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss (baseado em obra de George R. R. Martin)
Direção: Alex Graves
Roteiro: David Benioff e D.B. Weiss
Elenco: Peter DinklageNikolaj Coster-Waldau, Michelle Fairley, Lena Headey, Emilia Clarke, Kit Harington, Charles Dance, Natalie Dormer, Maisie Williams, Iain Glen, Pedro Pascal, Aidan Gillen, Harry Lloyd, Sophie Turner, Richard Madden, Isaac Hempstead-Wright, Jack Gleeson, Rory McCann
Duração: 60 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.