Crítica | Game of Thrones 4X04: Oathkeeper

estrelas 3,5

Atenção: Contém spoilers deste episódio e dos anteriores

Duas semanas se passaram desde o casamento púrpura e o mistério de quem seria o assassino foi deixado para trás. Embora tenha sido deixado implícito, no episódio passado, através de alguns diálogos e da montagem quem estaria por trás, os criadores optaram por deixar as coisas um pouco mais óbvias para o espectador. Oathkeeper foi um episódio de respostas e a maior delas sequer está na atenção de grande parte de Westeros.

Por mais que já houvesse diversas teorias, muitas delas bastante bem fundamentadas, a resposta de quem foi o assassino acabou tirando o tom de mistério por trás da temporada. Não somente isso, porém, a maneira como foi feita – através de um diálogo entre Littlefinger e Sansa no melhor estilo vilão de James Bond acabou fugindo ao personagem Petyr Baelish, que sempre faz tudo por baixo dos panos. Sim, tal revelação à Sansa foi utilizada para ganhar a confiança da menina, que na verdade somente é uma desculpa do roteiro para nos contar a verdade e poderia ter sido de outra forma.

A confirmação continua com Olenna Tyrell que confessa à neta seu envolvimento no regicídio, uma cena um tanto peculiar que mais soa como uma continuação de sua sequência no episódio anterior. Existe, é claro, seu comentário de nunca mais querer ver os jardins de King’s Landing, mas isso não tira a sensação de repetição ao ponto que a conversa entre as duas parece ser, ainda, exatamente a mesma. Mais uma forçada resolução dentro de Oathkeeper.

Agora já sabemos que Tyrion é 100% inocente, assim como sua esposa. Isso, ao menos, já era bastante óbvio. A ótima cena entre Tyrion e Jaime é um dos pontos altos do episódio e revelam bastante da nova postura do comandante da Guarda Real. Suas ações dúbias no episódio passado parecem ter distanciado ainda mais o personagem de sua irmã e o colocado em um caminho mais honrado. O que nos leva a Brienne em uma cena bastante íntima com Jaime que garante o nome do episódio e inicia uma interessante possível linha narrativa para os próximos capítulos.

Na Muralha e ao norte dela, nos é dada a oportunidade perfeita para um reencontro entre Jon e Bran, além de criada uma bela tensão com o aparecimento do lacaio de Roose Bolton dentre a guarda da noite. Chegamos, enfim, à maior revelação do episódio e esta é relacionada a nada menos que os White Walkers. Fãs dos livros, alegrem-se, pois esta é uma cena inédita e completamente alinhada com um certo Martin, portanto é possível que só vejamos isso nos livros 6 ou 7, se é que veremos algum dia. A cena em si, muito bem construída, através de elipses utilizando a rajada de neve, não só tira dúvidas, como ergue diversas outras ao passo que insere dois elementos novos dentro do tabuleiro: uma espécie de mago white walker e uma gigantesca fortaleza no plano de fundo.

Oathkeeper deixou claro desde os minutos iniciais sua capacidade de síntese, que nos mostrou, em apenas dez minutos, a conquista de uma cidade por Daenerys. Assim segue o episódio, mostrando pouco a pouco de cada personagem (deixando alguns de fora, é claro). Foi um capítulo que tirou um mistério e inseriu um ainda maior, ampliando a mitologia da série e certamente colocando nosso foco ao norte da Muralha.

Game of Thrones 4×04: Oathkeeper (Idem, EUA – 2014)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss (baseado na obra de George R. R. Martin)
Direção: Michelle MacLaren
Roteiro: Bryan Cogman
Elenco: Peter DinklageNikolaj Coster-Waldau, Michelle Fairley, Lena Headey, Emilia Clarke, Kit Harington, Charles Dance, Natalie Dormer, Iain Glen, Aidan Gillen, Harry Lloyd, Sophie Turner, Richard Madden, Isaac Hempstead-Wright, Rory McCann
Duração: 60 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.