Crítica | Game of Thrones 4X05: First of His Name

estrelas 3,5

Atenção: Contém spoilers deste episódio e dos anteriores

Após um episódio revelador (inclusive para os leitores dos livros), esperava-se que a série diminuísse a velocidade, chegando ao seu meio focado em jogadas políticas e intrigas. David Bennioff e D.B. Weiss, contudo, quebram tal expectativa e continuam a onda de respostas iniciadas na semana anterior. Chegou a hora de se formar uma espécie de figura de vilão para a série, um novo depois da morte de Joffrey. Já era claro desde Oathkeeper que o personagem escolhido para tal seria Littlefinger que já não era exatamente um bom homem desde a primeira temporada.

Tal vilanização poderia trazer problemas para a série se mal conduzida e assim foi feita no episódio anterior. Corrigindo tal erro, porém, os roteiristas introduzem um quase que passageiro diálogo entre Lysa Arryn e Petyr no qual ela fala sobre o assassinato de Jon Arryn, que parece mais uma menção a fatos insignificantes. De fato o conteúdo da conversa ocorreu antes mesmo da primeira temporada começar e, finalmente, foi trazido de volta à memória dos espectadores. Baelish, que parecia estar sendo levado pelo roteiro na semana anterior passou a conduzir a história.  Continuando a narrativa em Vale, somos levados a uma impressionante cena entre Sansa e Lysa que surpreende pela atuação de Sophie Turner, que até então ganhara, efetivamente, pouco destaque na temporada.

Os problemas de narrativa de Oathkeeper, porém, não foram todos encerrados e se transportam para King’s Landing onde vemos uma Cersei completamente alterada. Sim, ela acabou de perder seu primogênito, mas a instantânea mudança de disposição em relação a Margaery soa forçada e simplesmente jogada dentro da trama, novamente para avançar uma história que, caso contrário, pararia. Obviamente não desejo tal estagnação, somente critico a falta de construção do personagem para tal ação. Ao mesmo tempo, porém, somos levados a um diálogo sobre o Banco de Braavos, que vem sido bastante mencionado na temporada e provavelmente nos levará a outra revelação – tal conversa pode ter soado forçada, mas resolve um futuro problema dentro da narrativa e esta era  única forma de inserir o banco no tabuleiro, já que Braavos não foi mostrada efetivamente.

Do outro lado do Mar Estreito, Daenerys toma a decisão que solidifica o seu caminho dos próximos episódios: a continuação de sua cruzada antiescravagista. Novamente poucos minutos foram gastos com a Mãe dos Dragões, mas foram significativos ao ponto que sua relação com Ser Jorah voltou a ganhar um pouco mais de destaque. Emilia Clarke claramente rouba a cena, nos entregando uma personagem que oscila entre o orgulho, a impulsividade e o senso de dever. Suas reações adolescentes e, muitas vezes explosivas, garantem a tensão do espectador que certamente pode esperar algumas pedras no caminho da Targaryen.

First of His Name, apesar de suas inúmeras subtramas (como é comum na série), contém três narrativas que roubam a atenção: a de Brienne, Arya e Bran. Todas estão ausentes dos problemas apresentados no início desta crítica e constroem, aos poucos, cada um de seus personagens. Brienne, que já ganhara bastante destaque nas duas temporadas anteriores, aos poucos é moldada em uma das personagens mais profundas da série, fruto, é claro, da convincente atuação de Gwendoline Christie. Arya, por sua vez, parece cada vez mais se afastar da personagem vista no início da série, ao ponto que cada elemento de seu ser é morto pouco a pouco – desta vez foi a hora de dizermos adeus completamente a Syrio Forel.

Quanto a Bran e Jon, já era esperado que os irmãos não se encontrariam, por mais que isso fosse mais que desejado. As cenas finais do episódio foram muito bem conduzidas e trouxeram um pouco mais de ação para a temporada, aumentando ainda mais seu dinamismo constante. Por outro lado, tal sequência tirou bastante da tensão que víamos em tal arco narrativo, deixando pouco para o espectador se apoiar até sua continuação – soou como uma espécie de encerramento e estamos apenas na metade da temporada. É preciso um novo elemento motivador, já que a busca pelo corvo de três olhos não é o suficiente.

First of His Name é um episódio que tenta apagar um dos problemas de seu antecessor, mas que ainda deixa certos vestígios. É a unilaterização de personagens multifacetados que passam a ser conduzidos pela trama e não o contrário. Os pedidos por paciência de Ser Jorah aqui eram necessários para que tais personagens fossem melhor conduzidos e construídos. Ainda assim é um episódio que entretém, balanceando a ação com calmaria, nos trazendo mais revelações. Manteve um bom ritmo, mas careceu de um efetivo cliffhanger.

Game of Thrones 4×05: First of His Name (Idem, EUA – 2014)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss (baseado na obra de George R. R. Martin)
Direção: Michelle MacLaren
Roteiro: David Benioff e D.B. Weiss
Elenco: Peter DinklageNikolaj Coster-Waldau, Michelle Fairley, Lena Headey, Emilia Clarke, Kit Harington, Charles Dance, Natalie Dormer, Iain Glen, Aidan Gillen, Harry Lloyd, Sophie Turner, Richard Madden, Isaac Hempstead-Wright, Rory McCann, Gwendoline Christie.
Duração: 60 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.