Crítica | Game of Thrones 4X06: The Laws of Gods and Men

estrelas 5

Atenção: Contém spoilers deste episódio e dos anteriores

Passamos da metade da temporada e o episódio clímax cada vez mais se aproxima. Após dois capítulos repletos de revelações, as peças do tabuleiro passam a se mover mais rapidamente. O que ganhamos com isso é um episódio frenético que somente nos dá espaço para respirar quando ouvimos Rains of Castamere novamente nos créditos finais.

The Laws of Gods and Men é aberto com a chegada de Stannis e Davos a Braavos, algo que já é anunciado desde a sequência de abertura. A subtrama do Banco de Ferro já vinha sendo construída lentamente desde a segunda temporada – através de citações em diálogos, que, aos poucos, foram sendo substituídos por implicações mais severas no cenário político de Westeros. É gratificante observar tal movimentação das engrenagens do roteiro, que construiu uma subtrama envolvente para Stannis, algo que não víamos efetivamente desde o fim de Blackwater. No banco, Mark Gatiss faz o perfeito papel de um homem que lida somente através de números em uma atuação semelhante ao personagem Arnold Rothstein de Boardwalk Empire (brilhantemente vivido por Michael Stuhlbarg). A caracterização do cenário também chama atenção nessas sequências iniciais, tanto as tomadas exteriores, marcadas pelas estátuas da cidade, quanto as interiores.

Ao sairmos de Essos encontramos com Yara Greyjoy, que ao fim da terceira temporada partira das Ilhas de Ferro para resgatar seu irmão. Tal história soava quase que esquecida e pareceu apenas preencher espaço dentro da narrativa do episódio, provocando uma sensação de temporalidade misturada dentro da série – certamente ela não demorou tanto tempo para chegar ao Forte do Pavor. Ainda assim, através da precisa direção de Alik Sakharov, a sequência na morada de Ramsay foi repleta de ação e marcante na tragédia de Theon. A atuação de Alfie Allen roubou a cena, nos trazendo uma figura verdadeiramente distorcida e traumatizada. Mais importante, passamos a ver o que a tortura do bastardo de Bolton irá, possivelmente, provocar dentro do cenário geral. Este arco somente comete um leve deslize ao soar apressado na desistência de Yara, fator provocado pela montagem que muito rapidamente encadeou a cena do combate com a de sua partida.

Após uma frenética sequência era de se esperar que o ritmo do episódio desacelerasse. O que vemos, porém, é um dragão – maior do que o esperado – ateando fogo a cabras e as devorando. Assistimos Daenerys descobrindo que ser rainha não é tão simples quanto ela mesma imaginava e, sobretudo: nem tudo no mundo pode ser enxergado de um ponto de vista maniqueísta. Sua decisão de crucificar os nobres de Meereen logo se demonstra apressada, abrindo caminho para consequências no futuro. Do ponto de vista visual, o interior da pirâmide é tão impressionante quanto o que vimos em Braavos, demonstrando que a criatividade do departamento de arte está longe de se esgotar.

Aproximamo-nos, cada vez mais, do ponto alto de um episódio que já não estava com problemas em hipnotizar seus espectadores. Em Porto Real o julgamento de Tyrion Lannister está prestes a acontecer, mas antes disso: uma reunião do conselho. Após quatro temporadas finalmente vemos a ameaça de Daenerys sendo reconhecida, garantindo um melhor encadeamento da personagem com os acontecimentos de Westeros e, portanto, provocando uma união de subtramas. Pouco após, assistimos Jaime escoltando seu irmão da prisão, já abrindo caminho para o tom que veríamos na sequência posterior. É palpável a tristeza do Regicida ao ver Tyrion naquela situação, mas tanto Nikolaj quanto Dinklage realmente nos dariam um exemplo de atuação no julgamento a seguir.

Este, por sua vez, é conduzido da maneira esperada: sucessivos testemunhos contra o anão que pouco a pouco asseguram sua morte. Somente pelos olhares podemos identificar os sentimentos de cada um na sala do trono em um verdadeiro espetáculo de fotografia, montagem e direção. O momento chave, o qual garante que este capítulo será inesquecível, ocorre nos últimos minutos, nos quais vemos um verdadeiro desabafo de Tyrion, tirando de seu peito a dor de, por anos e anos, ter sido discriminado. Peter Dinklage nos oferece sua melhor atuação até então, prendendo cada centelha de atenção do espectador que, certamente, não conseguirá conter verdadeiros arrepios. A cena adquire ainda mais potência ao som de Rains of Castamere, que lentamente preenche o som da sala, tirando o fôlego tanto dos personagens quanto das milhares de pessoas à frente de suas televisões.

Os créditos finais, então, começam, desamparando qualquer pessoa que, agora, deverá esperar outra semana para assistir as consequências das emotivas palavras do pequeno e gigante leão. Enfim chega o suspiro que foi prendido desde Braavos e a música dos Lannister toca novamente, prestando homenagem à personalidade que roubou a cena nestes últimos minutos.

Game of Thrones 4×06: The Laws of Gods and Men (Idem, EUA – 2014)
Showrunner: David Benioff e D.B. Weiss (baseado na obra de George R. R. Martin)
Direção: Alik Sakharov
Roteiro: Bryan Cogman
Elenco: Peter DinklageNikolaj Coster-Waldau, Michelle Fairley, Lena Headey, Emilia Clarke, Mark Gatiss, Charles Dance, Natalie Dormer, Iain Glen, Aidan Gillen, Harry Lloyd, Sophie Turner, Richard Madden, Isaac Hempstead-Wright, Rory McCann, Gwendoline Christie.
Duração: 60 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.